O início do fim da Legião Urbana com "Natália"
Por Pedro Carvalho
Postado em 22 de dezembro de 2024
Muitas das desgraças terrestres são causadas por nós mesmos, os humanos que habitam este planeta. Há catástrofes naturais, incontroláveis pelos mortais, mas há também a radioatividade (nada contra a genial Marie Curie, pelamordedeus) catastrófica, o HIV que chegou colapsando as estruturas estabelecidas na sociedade putérica dos anos de 1980, e até mesmo os agroquímicos que consumimos, que, por conseguinte, nos fazem morrer um pouco antes do esperado.
É desolador acreditar que dias melhores virão. Mesmo sabendo disso, tentamos nos agarrar a eles com unhas e dentes. Um tiro no escuro, mas é o que resta.
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Você enriquecerá caso se entregue à maior escória humana, caso assim possa ser chamada, mas quando o cerco se fechar, você estará nele, assim como todos os outros, mesmo que apenas queira fazer parte do camarote. Facilmente confunde o certo e o errado e acaba trilhando um caminho irreversível. É uma pessoa digna de nojo.
Ainda assim, pode ser que, eventualmente, um texto possa ser escrito sobre a quem me refiro.
Não é fácil passar por tudo o que passamos sem alguém ao nosso lado para nos ajudar a carregar a rocha nas costas. Somos testemunhas insuspeitáveis do que dizemos. Podemos chegar ao ponto de crer que estamos no fundo do poço, e que nada, nem ninguém, nos ofereçá uma luz no fim do túnel.
Contudo, nada está definitivamente perdido. Uma nova aurora surgirá e trará consigo uma esperança renovada, ainda que conte com uma faixa etária desacreditada por sua suposta obsolescência. Todos somos um, independentemente do sexo e das superstições. Tudo ao redor está sombrio, mas seguimos reluzentes.
E, pode ser que, eventualmente, um texto possa ser escrito sobre a quem me refiro.
Natália. Nascida no Natal? Apenas nascida? O prenúncio do sofrimento que a vida causará, ou a solução para todos os obstáculos dela?
A canção "Natália" abre "A Tempestade… Ou o Livro dos Dias" da Legião Urbana, de 1996. Uma das poucas faixas pesadas do disco, lançado apenas três semanas antes da morte de Renato Russo, quem vomitou seu desgosto por tudo o que viveu nos seus 36 anos. A faixa é demasiada obscura, até por aqueles que se dizem devotos da banda, mas desconhecem essa joia plena.
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