Por que Motörhead e AC/DC não são bandas de heavy metal, segundo André Barcinski
Por Gustavo Maiato
Postado em 06 de fevereiro de 2025
Poucas discussões no mundo do rock geram tanta controvérsia quanto a classificação dos gêneros musicais. O que exatamente define uma banda como heavy metal? Para alguns, basta um som pesado e guitarras distorcidas. Para outros, é preciso um conjunto de elementos que vai além da música: visual, letras e atitude.
Dentro desse debate, o jornalista e crítico musical André Barcinski defende que Motörhead e AC/DC não podem ser considerados heavy metal, apesar da forte ligação dessas bandas com o público fã do estilo.
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Em uma lista publicada em seu canal no YouTube, Barcinski justificou a ausência de nomes como Iron Maiden, Motörhead e AC/DC em sua seleção pessoal de discos essenciais do metal. O motivo? Ele não enxerga as duas últimas como parte do gênero. "Já sei que vou ser xingado, criticado e chamado de idiota porque deixei bandas como Iron Maiden, Motörhead e AC/DC de fora. Mas já explico o motivo", disse ele.
Barcinski argumenta que o Motörhead está muito mais próximo do hard rock e tem forte influência do punk, o que o distancia do heavy metal tradicional. Ele reforça que o próprio Lemmy Kilmister, líder da banda, nunca se considerou parte do gênero.
"Quem já assistiu a um show da banda ou viu vídeos no YouTube sabe que Lemmy sempre dizia: 'We are Motörhead and we play rock and roll'. E é exatamente isso: rock and roll", afirmou.
A sonoridade do Motörhead, embora agressiva, tem raízes diferentes das bandas que consolidaram o heavy metal, como Black Sabbath, Judas Priest e Iron Maiden. O grupo britânico influenciou o metal, mas sua pegada direta e suja se aproximava mais do espírito rebelde do punk do que das composições elaboradas e sombrias do metal clássico.
Se o Motörhead carrega traços do punk, o AC/DC tem uma base musical fortemente calcada no blues, segundo Barcinski. Ele reconhece a energia e o peso da banda australiana, mas ressalta que sua essência está enraizada no hard rock tradicional.
"O AC/DC, por sua vez, tem uma base muito mais calcada no blues. Portanto, embora muitas pessoas fãs de metal também gostem dessas bandas – e eu também goste –, não as classifico como heavy metal", explicou.
A afirmação reforça um ponto já discutido há décadas por fãs e críticos. O riff simples e pegajoso, a estrutura direta das músicas e o vocal rasgado de Bon Scott e Brian Johnson são elementos que remetem mais a um rock pesado do que ao metal propriamente dito.
Barcinski também explicou sua seleção de discos essenciais do metal e destacou um elemento que, para ele, diferencia o gênero: a ligação com o sobrenatural, o ocultismo e o desconhecido.
"Uma coisa que sempre me chamou a atenção no heavy metal é a sua pegada sombria e ocultista. Muitas das bandas que considero verdadeiramente metal têm essa ligação com o sobrenatural, o desconhecido e o inexplicável, seja no visual, nas letras ou na sonoridade", disse.
Com esse critério em mente, ele escolheu cinco álbuns que, na sua visão, representam de forma mais pura a essência do metal:
"To Mega Therion" (Celtic Frost)
"Vol. 4" (Black Sabbath)
"Reign in Blood" (Slayer)
"Blizzard of Ozz" (Ozzy Osbourne)
"Screaming for Vengeance" (Judas Priest)
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