O álbum do R.E.M. que salvou a vida de seus integrantes por ter vendido pouco
Por Bruce William
Postado em 03 de março de 2025
O R.E.M. foi uma das bandas mais influentes a surgir nos Estados Unidos durante os anos 1980. Seus primeiros discos, "Murmur" (1983) e "Reckoning" (1984), ajudaram a moldar o som de diversos grupos que vieram depois, como Radiohead, Pixies e Pavement. Embora tenha alcançado o auge comercial nos anos 1990, a banda já era uma referência essencial para muitos músicos desde o início da carreira.
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Kurt Cobain, do Nirvana, era um dos grandes admiradores do R.E.M., especialmente do álbum "Green" (1988), que trazia faixas como "Orange Crush" e "Stand". Michael Stipe, vocalista do R.E.M., retribuía essa admiração e considerava Cobain um amigo próximo. Após a morte do líder do Nirvana, Stipe revelou que o via como um artista em transição, pronto para explorar novas possibilidades musicais.
O álbum "Monster" (1994), lançado poucos meses depois do suicídio de Cobain, trazia a música "Let Me In", uma homenagem direta ao cantor. Stipe descreveu a faixa como um pedido de socorro, uma tentativa imaginária de convencê-lo a seguir em frente. "Queria que ele soubesse que não precisava dar atenção a tudo aquilo, que ele conseguiria passar por isso", disse em entrevista à Newsweek na época, resgatada pela Far Out.
Apesar da forte influência do R.E.M., a banda nunca enfrentou o mesmo peso da fama de maneira tão intensa. "Murmur", seu álbum de estreia, foi elogiado pela crítica e chegou ao 36º lugar nas paradas americanas, mas vendeu apenas cerca de 200 mil cópias no ano de lançamento. Para a gravadora I.R.S. Records, o número foi abaixo do esperado, mas para Stipe e seus companheiros, pode ter sido um fator decisivo para sua sobrevivência.
"Se o R.E.M. tivesse vendido cinco milhões de cópias de Murmur, nenhum de nós estaria vivo para contar a história", confessou Stipe. "Eu teria morrido com Quaaludes no sangue e muito Jack Daniel's." O sucesso moderado nos primeiros anos permitiu que a banda crescesse sem perder o controle, algo que Cobain nunca teve a chance de vivenciar.
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