O que Paulo Ricardo e Fernando Deluqui falaram a última vez que se viram pessoalmente?
Por Gustavo Maiato
Postado em 25 de agosto de 2025
A história do RPM é repleta de sucessos estrondosos, polêmicas e desentendimentos. Formado em 1983, o grupo chegou ao topo das paradas brasileiras na década de 1980, lançou álbuns históricos e se consagrou como uma das bandas mais populares do rock nacional. No entanto, a convivência entre os integrantes nunca foi simples e, após separações, voltas e disputas judiciais, o destino do grupo ficou marcado por rupturas dolorosas.
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Paulo Ricardo relembrou o último momento em que esteve pessoalmente com Fernando Deluqui. O encontro aconteceu em 2017, durante a turnê que terminou em um show realizado em um navio. "Nós tínhamos combinado dar um tempo depois do show do cruzeiro Energia na Véia em março de 2017. Estava tudo certo. A turnê já se arrastava há mais de seis anos e era necessário parar, reciclar, compor, lançar um novo álbum e uma nova turnê. Mas assim que o show terminou Deluqui veio me dizer que eles mudaram de ideia e que iriam seguir sem mim e ele assumiria os vocais. Logo depois, entraram na justiça para tentar me impedir de cantar minhas próprias músicas gravadas pela banda. Assim começaram as disputas jurídicas que culminaram com minha vitória em agosto de 2024, quando permiti que Deluqui usasse o nome RPM O Legado. O RPM é uma outra banda, que acabou ali, em março de 2017, e que nunca teve outra formação a não ser a original".
As brigas do RPM
Paulo também lamentou o afastamento dos antigos colegas. "Nunca mais vi os caras. O P.A. faleceu em 2019 e eu nunca mais o vi. O Schia faleceu em 2023 e nunca mais o vi. O Deluqui está vivo, mas nunca mais o vi. Isso é muito triste. Construímos uma coisa tão linda", disse.
Enquanto isso, Fernando Deluqui manteve a chama da banda acesa em outras formações. Em entrevista ao canal de Francine Ferragutti, o guitarrista comentou as vantagens da fase batizada de RPM O Legado, que reuniu ele, Luiz Schiavon e P.A. após a saída de Paulo Ricardo. "A formação original tinha problemas. Às vezes tinha gente que reclamava, saía matéria em jornal falando mal. A própria mídia não abria muito espaço", explicou.
Deluqui destacou que a turnê após o lançamento do disco "Sem Parar" mostrou a força da marca RPM nos palcos. "Graças a Deus encontramos condições para ir para a estrada e os shows continuaram lotados. E vai continuar. Esse ano vai estar lotado de novo, se Deus quiser, 2025 vai arrebentar", afirmou.
O RPM O Legado
Com a morte de Schiavon e P.A. e a saída do vocalista Dioy Pallone, Deluqui assumiu também os vocais da banda. Para ele, a continuidade foi fundamental para preservar a memória do grupo. "Seria uma tristeza enorme eu não poder continuar trabalhando, mostrando o que estou fazendo. A partir do momento que o Luiz, o P.A. e eu quisemos continuar, a gente pegou o RPM e melhorou, na minha modesta opinião", declarou.
Entre as mudanças que considera positivas, o guitarrista citou a retomada de músicas esquecidas do repertório. "Colocamos, por exemplo, ‘Ponto de Fuga’, que era uma canção esquecida, e o show bombou. Voltamos a tocar ‘Ciúmes’, do Ultraje a Rigor, que também estava fora. Para mim, essa nova fase é melhor", afirmou.
A disputa pelo nome RPM também foi um ponto delicado na história recente. Em maio de 2024, a Justiça determinou que Deluqui não poderia usar a marca, mas em agosto veio a reconciliação: Paulo Ricardo e Fernando chegaram a um acordo. O guitarrista pôde seguir com o nome RPM O Legado, enquanto o catálogo da formação original permanece disponível como RPM.
Em nota conjunta, os dois músicos explicaram: "Para alcançar esse entendimento mútuo foi essencial compreender que todas as iniciativas tomadas sempre tiveram por objetivo preservar a memória e os valores que inspiraram os inúmeros sucessos do RPM. (...) Toda a obra da formação original da banda estará disponível em todos os apps de música e no YouTube sob o nome RPM".
Deluqui também comentou sobre o fim da formação clássica: "Em 2017 houve um grande mal-entendido. Paulo Ricardo quis dar uma pausa e Luiz Schiavon, P.A. e eu quisemos continuar. Infelizmente nos desentendemos, mas isso ficou no passado".
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