James Hetfield revela como se sente sendo James Hetfield, do Metallica
Por Bruce William
Postado em 29 de novembro de 2025
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Como é subir no palco há mais de quarenta anos com a mesma banda e ainda encontrar motivo pra se empolgar? Para James Hetfield, a resposta não passa por efeitos, telão ou pirotecnia. Vai direto pro olhar de quem está ali na grade. "É tão fácil. É muito fácil. Basta olhar nos olhos de uma pessoa - é só isso que eu preciso. Eu me conecto com o olhar de alguém e vejo aquilo mudar. Vejo a paixão ali, e fico cheio - meu coração se enche na hora e eu estou pronto para continuar, arrebentando", contou o vocalista e guitarrista do Metallica em entrevista que será exibida pelo programa "CBS Sunday Morning", com transcrição do Blabbermouth.

Na mesma conversa, Hetfield resumiu com simplicidade algo que muita gente imagina ser glamouroso o tempo todo. "Sou muito abençoado. Eu tenho o melhor lugar da casa. Eu tenho o melhor trabalho do mundo, se você quiser chamar isso de trabalho", afirmou. Ele lembrou que descobriu cedo o que queria fazer da vida: "Encontrei minha paixão cedo; sou muito grato por isso. Tive pais que me apoiaram nisso. E eu lutei. Lutei muito pra conseguir o que achava que precisava, que era estar em uma banda e fazer música. A luta faz parte".
Essa ideia de esforço constante aparece quando ele fala da fundação All Within My Hands, criada pelo Metallica para apoiar projetos comunitários e formação em profissões técnicas. Hetfield enxerga o trabalho social como uma forma de ajudar quem sente que está travado. "Com essa fundação, espero que sejamos uma ajudinha pra sair daquele 'não consigo sair dessa luta, simplesmente não consigo' e ir para 'eu consigo, mas vou ter que trabalhar duro e vou conseguir o que quero'", explicou.
Mesmo depois de tantas turnês, a cena que mais impressiona Hetfield não é o mar de celulares acesos, e sim a mistura de idades. "Eu tenho o melhor trabalho do mundo. Eu vejo três gerações de pessoas se abraçando. Meu Deus, a última coisa que eu iria querer era ir a um show com meu pai, ou até com meu avô. Mas eu vejo isso acontecendo lá fora. E crianças lá na frente, idosos lá na frente, pessoas em cadeira de rodas lá na frente - um monte de histórias e origens diferentes", contou. Em seguida, ele definiu o público do Metallica de um jeito bem direto: "A gente junta muitos desajustados espalhados pelo planeta e transforma isso numa família. E criamos uma energia que ajuda a gente a passar pela vida".
Lars Ulrich, baterista e cofundador da banda, também falou sobre o papel da All Within My Hands e o sentido de comunidade que o Metallica tenta manter. "Tudo volta pro básico, que é dar, retribuir, compartilhar. A gente não vem só de uma cena, a gente vem de comunidade. E em comunidade - chame de coletivo, de turma, de gente parecida, do que for - nós sempre funcionamos no plural. A gente sempre usa a palavra 'nós', 'nós', 'nós', todos juntos. E aí entram a banda, os fãs, os que pensam parecido", explicou.
Ulrich disse ainda que um dos objetivos é diminuir a sensação de separação entre palco e plateia. "Pode soar meio brega, mas sinto que uma das finalidades do que a gente faz é tentar quebrar essa barreira entre o grupo e os fãs, a banda e os fãs, o artista e quem gosta do que o artista faz. Tentar acabar com isso - num show, até com a barreira física - e trazer essa ideia de que estamos todos juntos nisso", comentou. Para ele, a motivação básica é simples: "Instintivamente você só quer ajudar. Nós dependemos uns dos outros. Se você for até o fim, vai ver que os humanos são animais de rebanho, e o bando se dá melhor quando todo mundo está bem".
Formado em 1981 por Hetfield e Ulrich e hoje completado por Kirk Hammett e Robert Trujillo, o Metallica segue em atividade com discos, turnês gigantes e a própria fundação como extensão desse "nós" que os dois mencionam. Depois de vender dezenas de milhões de álbuns, acumular bilhões de streams e tocar para públicos em todos os continentes, o jeito como James descreve a própria rotina resume bem esse momento: menos a busca por algo novo a qualquer custo, mais a vontade de continuar se reconhecendo ali - um cara de guitarra na mão, olhando no olho da plateia e repetindo, sem cerimônia, que ainda se sente com o melhor trabalho do mundo.
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