O profundo conselho de Gugu Liberato a Ronnie Von pouco antes de seu falecimento
Por Gustavo Maiato
Postado em 07 de fevereiro de 2026
Figura singular da música e da televisão brasileira, Ronnie Von atravessou décadas reinventando sua imagem pública. Revelado nos anos 1960 como um dos nomes mais sofisticados da Jovem Guarda, ele construiu uma carreira que transitou do rock psicodélico ao romantismo popular e, mais tarde, à televisão, onde se firmou como entrevistador respeitado e dono de um estilo marcado pelo humanismo e pela curiosidade genuína pelo outro.

Esse perfil foi recentemente destacado pelo crítico Regis Tadeu, que classificou Ronnie como "um dos roqueiros mais bonitos da história da música brasileira" e exaltou seus discos lançados entre 1966 e 1974. Para Regis, tratava-se de um artista com carisma, imagem poderosa e presença que "caía muito bem na televisão", qualidades que ajudaram a explicar sua longevidade artística.
Foi justamente como entrevistador que Ronnie protagonizou um dos relatos mais emocionantes envolvendo Gugu Liberato, falecido em 2019. Em entrevista ao canal da Revista Oeste, Ronnie relembrou a última vez em que esteve com Gugu, em um almoço em sua casa, poucos meses antes da morte do apresentador.
Ao falar sobre sua forma de conduzir entrevistas, Ronnie explicou sua filosofia: "Eu tento criar esse tipo de clima no meu programa, mostrar o ser humano, não o 'produto'". Segundo ele, informações biográficas todo mundo já conhece; o que o interessava era "tirar de dentro o ser humano que está abrigando o produto". Era esse mergulho pessoal que, segundo Ronnie, tornava a conversa verdadeira - e divertida.
Nesse contexto mais íntimo, surgiu a lembrança de Gugu. Ronnie descreveu o apresentador como "um batalhador" que "não se deixou seduzir pelo sucesso". Pelo contrário: "Era mais do que humilde, era o mínimo nas atitudes", afirmou. Apesar da amizade próxima, Ronnie contou que nunca chegou a entrevistá-lo - ironia que o tempo tratou de tornar definitiva.
O momento mais marcante do relato veio quando Ronnie contou um conselho dado por Gugu durante aquele almoço. Ao ver o anfitrião guardar um vinho especial para uma ocasião futura, Gugu foi direto: "Ronnie, use sempre o seu melhor faqueiro, a sua melhor louça e tome o seu melhor vinho. A vida é muito curta". A frase, simples e direta, ficou ecoando.
Quatro meses depois, Ronnie recebeu a notícia da morte do amigo. "Isso é muito duro", disse, ao relembrar o telefonema que confirmou a tragédia. A partir dali, o conselho de Gugu deixou de ser apenas uma observação casual e passou a soar como uma filosofia de vida - dessas que só fazem sentido completo quando já é tarde demais.
Hoje, aos 81 anos, Ronnie resume a lição com pragmatismo e humor: "Como é que eu vou comprar um vinho hoje pra tomar daqui a 20 anos? Eu já morri", brincou, antes de completar: "Tem que tomar agora". Sem pretensão de autoajuda, o conselho deixado por Gugu Liberato permanece como um lembrete poderoso sobre o tempo, a urgência e o valor das pequenas celebrações cotidianas.
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