"Não soa como Megadeth", diz David Ellefson sobre novo álbum de sua antiga banda
Por João Renato Alves
Postado em 02 de fevereiro de 2026
Durante a mais recente edição de seu podcast, David Ellefson não se furtou de dar opinião sobre "Megadeth", álbum mais recente de sua antiga banda. Sua primeira impressão foi em relação ao cover de "Ride the Lightning", do Metallica. Já de saída, sobrou espaço para cuspir um veneno no antigo patrão.
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"O engraçado é que Dave ficava bravo com Kirk Hammett por tocar os seus solos nas músicas que ele ajudou a criar para o Metallica. E agora, aqui está Dave tocando os solos de Kirk."
A seguir, o baixista contou uma história de quando o segundo disco dos líderes do Big Four saiu, em 1984. "Lembro-me de estar numa festa em Orange County. E acho que me lembro da dona do lugar. Era um espaço que o Dave frequentava. Foi de lá que ele veio. Lembro-me de que o Ron McGovney, ex-baixista do Metallica, estava lá com a namorada. Era uma festa grande, alguém tinha o 'Ride The Lightning' e colocamos para tocar. Lembro-me do Dave dizendo: 'Eles roubaram meu riff, aqueles filhos da puta!' Aquele riff no interlúdio instrumental antes da ponte. Dave costumava tocá-lo no apartamento. Segundo Greg Handevidt (guitarrista original do Megadeth), parece que ele estava na versão original de 'Set The World Afire', primeira música que Mustaine escreveu depois de ser expulso do Metallica. E ele pode estar certo. Pode ter estado naquela música. E então tivemos que tirá-lo porque o usaram.
Então, eles claramente usaram alguns riffs. Dave fala sobre isso agora como se todos estivessem sentados na sala compondo 'Ride The Lightning' juntos. Eu não estava lá, então não sei os detalhes, mas me parece que se fosse realmente uma música finalizada, estaria em 'Kill 'Em All'. Mas não estava. Foi alguns anos depois. Então, veja bem, Dave participou? Sim, mas me parece mais que essa música foi meio que composta depois que ele saiu do grupo. Mas, novamente, eu não estava lá. Sei o seguinte: James Hetfield é um letrista muito diferente de Dave. Então, em 'Ride The Lightning', você percebe claramente James se consolidando como letrista, pelo menos na minha opinião. É isso."
A seguir, Ellefson começou a falar sobre o novo trabalho de Mustaine e companhia. "Sei que a base de fãs está dividida, pois o nosso vocalista no Kings of Thrash, Chaz Leon, é um grande admirador da banda e de Dave. Ele me contou algumas opiniões. Honestamente, não me importo. Deixei Dave e o Megadeth para trás e segui em frente. Vejo tudo no retrovisor. Dei uma entrevista à revista Guitar Player e disse que já perdoei Dave por tudo. Vida que segue. Perguntaram se eu aceitaria participar da tour de despedida. Respondi que aceitaria, mas que não estou esperando que isso aconteça. Tenho as turnês do Metal Church e minha solo. Preciso focar nelas."
Sendo mais objetivo, David falou sobre as músicas do novo disco. "Achei que 'Let There Be Shred'... Olha, o Teemu (Mäntysaari) é obviamente um ótimo guitarrista. Ele é fantástico. É a estrela brilhante do grupo. Eu gostaria que eles não usassem tanto o Pro Tools no Dirk (Verbeuren, baterista), porque o cara sabe tocar e tem essa pegada mais solta... Sempre dissemos que ele é o mais próximo do Gar Samuelson desde o próprio Gar Samuelson, nosso membro original. Tirem o cara da grade do Pro Tools, parem de quantizá-lo e o deixem respirar um pouco. Ele sabe tocar. Acontecia isso mesmo no último álbum do qual participei. Eu pensava tipo, não prenda tudo à grade, cara, deixe as pessoas tocarem, deixe ter a vibe do álbum 'Peace Sells'."
Sendo assim, o baixista entende que a banda de "Megadeth", o álbum, é simplesmente outra coisa. "Dave tem uma banda nova. Ele tem um som novo. Então eu simplesmente sentei e ouvi como um ouvinte, até mesmo um fã do Megadeth e das habilidades do Dave. Porque eu admiro o que ele consegue compor e tudo mais. E uma coisa que digo é que ele escreve letras que te fazem querer ouvir o que ele está dizendo. Normalmente, no heavy metal, é só um monte de riffs. Aí o vocalista entra, seja grunhindo, berrando, sei lá. Você meio que desliga - pelo menos eu desligo. Chuck Billy, do Testament, é outro que ouço porque ele é um trem desgovernado, você não consegue evitar prestar atenção no que ele está dizendo. Dave também escreve letras que te fazem prestar atenção. Porque eu sempre digo, quando você está mixando, quando o vocalista entra, todo o resto tem que meio que recuar, porque as pessoas querem ouvir."
Finalizando, Ellefson dá o seu veredicto: "Sendo realista, eu ouço e, para mim, simplesmente não soa como Megadeth. E essa é só a minha opinião - ponto final. Soa como Dave fazendo o que Dave faz, mas com uma formação diferente, em uma nova fase. E este é o momento de aposentadoria do Dave. Então, essa é a minha visão resumida."
Apesar das críticas, o público parece ter aprovado a investida. "Megadeth" se tornou o primeiro disco da banda a alcançar o topo do The Billboard 200, principal parada da indústria musical. Anteriormente, o melhor desempenho havia sido o 2º lugar de "Countdown to Extinction" (1992).
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