O icônico bordão do Faustão criado a partir de contestação dos Paralamas do Sucesso
Por Gustavo Maiato
Postado em 26 de março de 2026
A televisão brasileira sempre teve uma relação intensa com a música, especialmente nos programas de auditório que dominaram a programação por décadas. Durante muito tempo, no entanto, havia um elemento que incomodava artistas de diferentes estilos: o uso constante de playback nas apresentações.
Foi nesse contexto que surgiu um dos bordões mais famosos da TV. Segundo João Barone, o clássico "Quem sabe faz ao vivo!" tem origem direta em uma situação vivida pela banda Os Paralamas do Sucesso no programa Perdidos na Noite, comandado por Fausto Silva.
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Em participação no canal Corredor 5, Barone relembrou o incômodo com o formato da época. "Fomos no programa e era playback, como era no Chacrinha e nos outros programas. Falamos que era algo horrível, ter que ficar fingindo que está tocando!", contou o músico.
A reação de Faustão veio logo em seguida - e acabaria entrando para a história. Segundo Barone, o apresentador prometeu mudar a situação. "Aí o Faustão disse que da próxima vez ia fazer algo ao vivo mesmo", explicou.
Na volta da banda ao programa, veio o momento que marcaria a televisão brasileira. "Aí voltamos lá, e ele falou: 'Quero ver agora! Quem sabe faz ao vivo!'. Foi a primeira vez!", afirmou o baterista, apontando ali o nascimento do bordão.
Playback e televisão brasileira
Esse movimento também dialoga com uma mudança mais ampla na forma como a música passou a ser apresentada na televisão brasileira. Como destacou o jornalista Filipe Albuquerque, da Rolling Stone Brasil, o modelo dos programas musicais começou a se transformar a partir dos anos 1990, quando formatos considerados engessados - como apresentações em playback e auditórios baseados em fórmulas repetitivas - passaram a perder espaço para propostas mais autênticas.
Segundo ele, havia uma percepção crescente de que "o modo de oferecer música na TV havia mudado", acompanhando também as transformações no consumo impulsionadas pela internet e pela própria evolução do público . Nesse contexto, a tendência apontada era clara: "as emissoras devem em breve varrer o playback e as claques para o limbo", indicando uma busca por performances reais e maior credibilidade artística na televisão .
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