O disco rejeitado nos anos 90 que anunciava, sem fazer alarde, o futuro da música
Por Gustavo Maiato
Postado em 18 de abril de 2026
Em 1993, Billy Idol lançou "Cyberpunk", álbum que foi recebido com estranhamento pela crítica especializada e se tornou um ponto de inflexão em sua carreira. Mais de três décadas depois, o projeto é relido como uma tentativa precoce de fundir tecnologia digital, estética cyberpunk e rock em um formato que o mercado ainda não reconhecia. O tema foi revisitado em entrevista ao vocalista Billy Corgan, ao lado de Steve Stevens.

Idol descreve a encruzilhada em que se encontrava naquele momento. Depois do sucesso de "Cradle of Love", de 1990, a indústria esperava que ele seguisse o caminho do pop de grande circulação. "Eles meio que queriam que você fosse por essa estrada do pop. E a gente nunca tinha seguido uma estrada só. A gente nem pensava assim", afirmou o cantor.
Cyberpunk e a ruptura com o pop dos anos 80
O disco foi concebido para escapar dessa expectativa. "Na verdade, isso não estava deliberadamente tentando ser bem-sucedido. Era quase um disco indie", disse Idol. O álbum inteiro foi produzido em sua casa, usando uma versão inicial do ProTools. "A gente montou o ProTools num quarto em cima da minha casa e fez tudo ali, como um disco indie, como você faria", explicou.
A aposta era radical para a época. O cantor lembra que passou a ouvir a cena eletrônica britânica em profusão. "Eu estava ouvindo muita música da Inglaterra: o Prodigy dos primeiros tempos, Future Sound of London, The Orb. Eu queria de alguma forma juntar o rock com tudo isso", descreveu. Foi também o primeiro a imprimir um endereço de internet na capa de um álbum, detalhe que prenuncia uma transformação ainda distante do grande público.
O Passageiro do Futuro, William Gibson e o futuro antecipado
O projeto inicial era ainda mais ambicioso. Idol deveria assinar a trilha de uma continuação de "O Passageiro do Futuro", dirigida por Brett Leonard. "Seria sobre uma droga da internet chamada mindfire. Eu ia fazer a música, e era isso que 'Cyberpunk' deveria ser, a trilha desse filme que nunca aconteceu", contou o cantor. Com a queda do filme, o disco precisou se reposicionar sob o nome de Idol.
A avaliação final do entrevistado mistura orgulho e frustração. "Eu me diverti muito fazendo aquele disco. A gente fez tudo em casa", disse. Corgan sintetizou a leitura que o tempo permitiu: "Você estava certo. Você só foi cedo demais." A ausência de um single de apelo comercial, reconhece Idol, selou o destino do projeto. "Se você tivesse um hit, teriam dito que você fez um grande disco. Que era um gênio de novo."
Confira a entrevista completa abaixo.
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