Eloy Casagrande reflete sobre seus dois anos como baterista do Slipknot
Por João Renato Alves
Postado em 14 de abril de 2026
O tempo passa rápido e lá se vão dois anos desde que Eloy Casagrande foi confirmado como baterista do Slipknot – embora os rumores já se disseminassem desde o ano anterior. Ao Thomann's Drum Bash, o instrumentista brasileiro refletiu sobre o período, contando inicialmente como foi fazer a audição.
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"Eu não sabia como os caras queriam que a bateria soasse, o que estavam procurando, se queriam apenas um substituto para Joey (Jordison) e Jay (Weinberg) ou uma personalidade nova e diferente. Essa era a minha maior preocupação no início: como iria abordar as músicas. Conseguiria imprimir minha própria voz ou teria que respeitar as gravações e bateristas originais? Então, quando fui para a audição, conhecia todas as músicas e também sabia o que poderia mudar. Mas, no começo, tentei ser o mais respeitoso possível aos arranjos. Depois de alguns meses, consegui mudar algumas coisas e a banda gostou."
Ao falar sobre a liberdade que tem para se expressar na bateria, Eloy disse: "Depende muito do trabalho que você vai conseguir. O melhor a fazer é conversar com os outros músicos. Não tente adivinhar o que eles querem ou esperam. Assim, você pode se preparar. No caso do Slipknot, não tive a chance de conversar antes da audição. Conheci os caras já no primeiro dia, então tive que estar preparado para tudo. Mas eu tinha essa mentalidade: se você não sabe como vai ser, apenas se prepare o melhor que puder, considerando diferentes perspectivas."
Questionado se se sente confortável em situações onde não há espaço para ser ele mesmo, onde se espera que apenas reproduza as partes que foram previamente gravadas e executadas por outro baterista, Casagrande não viu problema. " Já fiz isso algumas vezes na minha vida. No caso do Slipknot ou com o Sepultura, tive que respeitar arranjos originais que são muito clássicos. Há pequenos detalhes que podia mudar, algumas viradas de bateria. Mas a estrutura da música, a alma, o significado, você não pode mudar. Ao mesmo tempo, se tivesse que tocar exatamente a mesma coisa, eu queria poder fazer isso, mostrar que conseguia.
Mas me sinto muito mais confortável se tenho minha liberdade de expressão musical, se posso ser eu mesmo pelo menos um pouco. É algo que sempre me preocupou, estar em um lugar onde possa me expressar, não ser apenas um músico contratado, que toca o que querem que eu toque. Tive a sorte de tocar em bandas em que os caras, os outros músicos, queriam que eu fosse eu mesmo, tivesse a minha perspectiva. Sou muito sortudo nesse sentido."
Eloy aproveitou até mesmo para lembrar como o processo funcionava no período pré-fama, quando era músico de estúdio. "Quando eu era adolescente e tocava profissionalmente, fazendo alguns shows de pop, shows de música country no Brasil, muitas sessões de gravação, só fazia o que o produtor ou o artista queria,. Eu me divertia de qualquer maneira porque estava tocando bateria no final do dia, mas é diferente quando você pode simplesmente sentar no kit e as pessoas querem te ouvir. Sou muito grato por isso."
Além de Slipknot e Sepultura, Eloy Casagrande fez parte da banda solo de Andre Matos. Também tocou com Aclla, Iahweh, 2ois, Glória e Mr. Ego, além do projeto instrumental Casagrande & Hanysz.
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