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A banda desconhecida que está por trás de boa parte do som pesado dos últimos 40 anos

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Postado em 28 de maio de 2026

André Barcinski chamou atenção para uma banda que nunca virou fenômeno popular, mas ajudou a moldar boa parte do rock pesado das últimas quatro décadas. Em vídeo publicado em seu canal, o jornalista recomendou o documentário The Colossus of Destiny, sobre o Melvins, grupo que ele define como uma de suas bandas prediletas.

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Foto: Sub Pop
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Logo no início, Barcinski avisou que falaria de um de seus quadros favoritos, no qual indica "discos, livros e filmes desconhecidos". Em seguida, apresentou o documentário como "um filme sensacional" sobre o Melvins. "É muito legal", disse o jornalista, ao destacar que a produção tem mais de duas horas e mergulha em detalhes da trajetória da banda.

O filme, dirigido por Bob Hannam, reúne entrevistas com integrantes, ex-integrantes e admiradores do grupo. Barcinski cita nomes como Buzz Osborne, Dale Crover, Trevor Dunn, Mike Dillard, Jello Biafra, Mike Patton, Gene Simmons, David Yow, Krist Novoselic e Chris Cornell. Para ele, trata-se de "um trabalho realmente de dedicação, amor" do diretor pela banda.

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Melvis: a banda que mudou o rock sem fazer alarde

A importância do Melvins, segundo Barcinski, passa justamente pela dificuldade de definir a banda. O grupo começou em meados dos anos 1980 com uma sonoridade próxima do hardcore. Depois, influenciado pelo Black Flag, especialmente pelo disco My War, desacelerou o som e ajudou a abrir caminho para estilos inteiros.

"Ninguém sabe direito definir qual é o gênero do Melvins", afirmou o jornalista. Mesmo assim, ele apontou a banda como peça central para entender o stoner rock, o sludge metal e o grunge. "Eles são um dos fundadores certamente do stoner", disse, ao associar o som do grupo a uma pegada influenciada por Black Sabbath.

Barcinski também lembrou que o Melvins costuma aparecer em listas de pioneiros do sludge, uma vertente mais arrastada e pesada do metal. "Muita gente chama eles de sludge também", afirmou. Para ele, a banda ajudou a consolidar essa forma mais lenta, densa e brutal de tocar música pesada.

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Melvins e o grunge

O terceiro ponto é o grunge. Embora o Melvins nunca tenha alcançado o tamanho comercial de Nirvana, Soundgarden ou Mudhoney, o grupo aparece sempre como referência quando se fala na cena do noroeste dos Estados Unidos que explodiu no começo dos anos 1990. Barcinski resumiu: "Sempre que se fala em grunge, o Melvins é sempre citado como uma banda importante do gênero e como uma influenciadora do gênero."

A influência não parou ali. O jornalista disse que "quase todas as bandas desse som mais pesado hoje em dia têm o Melvins por influência de alguma maneira". A frase ajuda a explicar por que o grupo é venerado por músicos, mesmo sem ter chegado ao grande público.

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Barcinski citou ainda bandas como Sunn O))) e Neurosis para mostrar o alcance dessa herança. Segundo ele, mesmo grupos veteranos e de som extremo beberam na fonte do Melvins. "É impossível você ouvir, por exemplo, Sunn O))) ou Neurosis e não perceber essa inspiração", afirmou, em referência à força da banda sobre a música pesada experimental.

Além da importância sonora, o documentário chamou atenção de Barcinski por mostrar o lado cotidiano do grupo. O filme acompanha Buzz Osborne e Dale Crover em situações íntimas, longe do palco. "É um filme muito íntimo", disse. Para o jornalista, a produção permite ver "o dia a dia deles" e entender melhor como a banda construiu sua trajetória.

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A força do rock alternativo

A parte mais forte, porém, talvez esteja na independência do Melvins. Barcinski afirma que o grupo é "uma aula de como ser alternativo independente". Buzz Osborne aparece no documentário dizendo que não se incomoda com a troca de arquivos digitais das músicas da banda, porque vê isso como publicidade.

O modelo do Melvins vai além dos discos. Segundo Barcinski, Buzz e sua esposa fazem a arte dos álbuns e das turnês. A banda também produz cartazes, vende materiais na estrada e cria seus próprios objetos de culto para os fãs. "O Melvins é uma fábrica de objetos, de coisas legais", disse o jornalista.

Para ele, o grupo conseguiu algo raro: reduzir a dependência de intermediários. "É muito interessante como o Buzz e os Melvins conseguiram acabar com os atravessadores", afirmou. "A ligação deles é direta com o público."

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Essa autonomia explica por que a banda continuou ativa por tanto tempo sem se moldar às exigências do mercado. Barcinski destacou que o Melvins pode lançar o que quiser, quando quiser, sem pedir autorização. "As bandas podem ser donas dos seus próprios destinos", disse.

O jornalista também ressaltou que o grupo nunca pareceu buscar o mainstream. O Melvins não construiu sua carreira tentando vender milhões de discos ou entrar no centro da indústria. "Eles são realmente alternativos", afirmou Barcinski. "Não aspiram a ser mainstream, não aspiram a vender milhões de discos."

A relação com Mike Patton reforça esse caminho. O Melvins lança materiais há anos pela Ipecac, gravadora ligada ao vocalista do Faith No More. Para Barcinski, a relação parece menos industrial e mais baseada em confiança. Ele acredita que o acordo entre eles deve ser "muito amigável" e "feito de amigo para amigo".

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No fim, The Colossus of Destiny funciona como uma porta de entrada para entender por que o Melvins virou uma referência tão respeitada. A banda pode não ser conhecida por bilhões de pessoas. Mas está por trás de parte importante do som que influenciou grunge, stoner, sludge, metal alternativo e rock experimental.

Barcinski recomenda o documentário sem hesitar. "Você assiste e sai com mais admiração ainda por esses caras", disse. Para ele, a força do Melvins não está apenas na música, mas também na "visão de mundo", na "visão da música" e na "visão da cultura independente".

Confira o vídeo abaixo.

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Sobre Gustavo Maiato

Jornalista, fotógrafo de shows, youtuber e escritor. Ama todos os subgêneros do rock e do heavy metal na mesma medida que ama escrever sobre isso.
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