O álbum que Geezer Butler enxerga como tendo sido o começo do fim do Black Sabbath
Por Bruce William
Postado em 30 de junho de 2026
O Black Sabbath não nasceu para soar como uma banda comum. Desde o começo, havia algo de errado no melhor sentido: os riffs de Tony Iommi, o baixo inquieto de Geezer Butler, a bateria com swing de Bill Ward e a voz de Ozzy Osbourne pareciam formar uma criatura própria. Aquilo não era apenas blues pesado. Era uma nova forma de fazer o rock parecer ameaçador.
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Durante a primeira metade dos anos 1970, a banda cresceu sem abandonar totalmente a estranheza. "Paranoid", "Master of Reality", "Vol. 4", "Sabbath Bloody Sabbath" e "Sabotage" mostraram um grupo capaz de ser pesado, sombrio, experimental e, em certos momentos, até inesperadamente sofisticado. O Sabbath podia ser visto como pai do metal, mas seus discos nunca foram apenas blocos de distorção.
Só que o mesmo impulso que ajudou a banda a se expandir também começou a pesar. Depois de anos de turnês, excessos, disputas comerciais e desgaste interno, o Black Sabbath entrou em "Technical Ecstasy" em situação bem diferente daquela dos primeiros discos. O álbum, lançado em 1976, trazia uma banda tentando se mexer, mas já sem a mesma sensação de unidade.
Segundo a Far Out, Geezer Butler falou sobre esse período em entrevista à Guitar World. Para o baixista, "Technical Ecstasy" marcou uma virada negativa na história do Sabbath, não apenas por causa da música, mas pelo estado em que o grupo se encontrava fora do estúdio. "Aquele foi o álbum do 'começo do fim'. Nós estávamos nos empresariando porque não podíamos confiar em ninguém. Todo mundo estava tentando nos passar para trás, incluindo os advogados que tínhamos contratado para nos tirar da nossa confusão legal. Aquilo realmente estava nos afetando naquela época, e nós não sabíamos o que estávamos fazendo."
A fala explica por que "Technical Ecstasy" soa tão deslocado dentro da discografia clássica do Black Sabbath. Não é um álbum sem ideias, nem uma coleção descartável. Mas parece carregar uma banda cansada de lutar contra tudo: empresários, contratos, expectativas, vícios, pressão e a própria imagem que havia construído.
Musicalmente, o disco também se afastou do peso mais direto associado ao Sabbath. Há momentos fortes, como "Dirty Women", mas também faixas que mostram o grupo tentando encontrar uma linguagem diferente, às vezes mais próxima de um hard rock mais polido. Em "It's Alright", por exemplo, quem canta é Bill Ward, em uma canção que passa longe da atmosfera típica de Ozzy à frente da banda.
Isso não significa que experimentar fosse o problema. O Black Sabbath já havia experimentado antes, e muito bem. A questão é que, em "Sabbath Bloody Sabbath" ou "Sabotage", as mudanças ainda pareciam nascer de uma força coletiva. Em "Technical Ecstasy", a sensação é outra: a banda tenta escapar de si mesma, mas sem saber exatamente para onde ir.
Ozzy Osbourne também já parecia cada vez mais distante. O desgaste que levaria à sua saída ainda não estava completamente consumado, mas o caminho começava a aparecer. Depois de "Technical Ecstasy", o Sabbath lançaria "Never Say Die!", em 1978, último álbum da formação original antes da entrada de Ronnie James Dio e da reinvenção com "Heaven and Hell". Mas "Technical Ecstasy" não foi o vilão único da história. Uma banda daquele tamanho raramente desaba por causa de um disco só.
O álbum foi mais sintoma do que causa: registrou um momento em que a confiança havia evaporado, as relações estavam corroídas e o prazer de fazer música parecia soterrado por problemas externos e internos. Ainda assim, sua importância histórica é grande justamente por isso. "Technical Ecstasy" mostra o Black Sabbath no fim de uma era, antes da ruptura se tornar inevitável. A banda que havia definido parte do vocabulário do metal estava tentando sobreviver ao próprio peso.
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