A inspiração direta no Led Zeppelin que o Rush está usando em sua nova turnê
Por Bruce William
Postado em 30 de junho de 2026
O Rush sempre tratou a imagem como parte da obra. Capas, símbolos, detalhes escondidos, referências visuais e pequenas provocações acompanharam a banda por décadas. Não era apenas enfeite de encarte ou camiseta: muitas vezes, aquilo ajudava a contar a história do disco, da fase ou do próprio trio.
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Por isso, a nova turnê "Fifty Something" não poderia vir apenas com data, palco e repertório. O retorno de Geddy Lee e Alex Lifeson aos shows do Rush, agora com Anika Nilles assumindo a bateria que pertenceu a Neil Peart, também ganhou uma identidade visual própria. E um dos elementos que mais chamaram atenção dos fãs foi um símbolo de três formas entrelaçadas usado em materiais da turnê e produtos oficiais.
O responsável por esse novo desenho é Hugh Syme, artista ligado à história do Rush há mais de 50 anos. Sua relação com a banda começou em "Caress of Steel", de 1975, e atravessou capas clássicas, conceitos gráficos e fases muito diferentes da carreira do grupo. E em entrevista exclusiva ao Ultimate Classic Rock, Syme explicou como surgiu a ideia do símbolo da "Fifty Something".
O ponto de partida veio de uma admiração de Geddy Lee por um detalhe clássico do Led Zeppelin: os símbolos individuais usados pelos integrantes no quarto álbum da banda. "Recebi a notícia de Allan [Weinrib, irmão de Geddy Lee] de que Geddy gostava muito do fato de o Led Zeppelin ter símbolos distintos para cada um. Era parecido com a forma como Prince depois teve seu próprio símbolo, que meio que virou seu quase-nome. Mas, quando ouvi que ele queria algo que indicasse três, comecei a olhar para a tradição celta e imagens celtas que incorporassem toda a ideia de três elementos."
O resultado foi o símbolo em forma de três crescentes entrelaçados. Syme contou que, ao encontrá-lo, pensou que aquilo também lembrava um sinal de material perigoso. A possível associação, porém, não derrubou a ideia. Geddy gostou do desenho, e o artista passou a trabalhar diferentes versões, incluindo bronze, aquarela e uma versão metálica com rebites usada no kit de bateria de Anika Nilles.
A semelhança com um aviso de risco até rendeu um pequeno problema de aplicação. Syme contou que colocou o símbolo em uma xícara dentro do desenho de um pôster, mas houve resistência. Afinal, não parecia a melhor ideia aproximar algo parecido com sinal de material perigoso de uma bebida. Nesse caso, a combinação acabou não funcionando.
O número três, porém, era o ponto central. O Rush construiu sua mitologia em torno de um trio: baixo, guitarra e bateria; Geddy, Alex e Neil; técnica, imaginação e amizade musical. Mesmo agora, com a ausência de Peart, a banda tenta lidar visualmente com essa ideia sem fingir que nada mudou. O símbolo aponta para a continuidade, mas também para a falta que define esse novo capítulo.
Syme também comentou outro elemento visual usado na turnê: o semáforo com a luz verde acesa. A imagem veio de uma associação direta com a ideia de que o Rush estava autorizado a seguir em frente. Alguém "deu luz verde" para a turnê, e o artista transformou a expressão em imagem. O detalhe conversa novamente com o número três, já que o semáforo também tem três luzes.
A imagem ganhou ainda a presença de pardais no fio que segura o semáforo. Syme disse que já havia usado esse motivo em uma arte ligada a "Tom Sawyer", com dois pássaros pousados e um terceiro voando para longe. A leitura é clara: uma referência a Neil Peart, que morreu em 2020, e à dificuldade de qualquer retorno do Rush existir sem que essa ausência esteja no centro da conversa.
A escolha de Anika Nilles para a bateria também reforça essa delicadeza. Ela não está ali para apagar Peart, nem para fingir que o trio clássico continua intacto. Sua estreia completa em show com a banda marca justamente outra configuração, outro tipo de respeito e outro jeito de seguir. O símbolo criado por Syme parece tentar condensar essa situação complicada: três como memória, três como linguagem, três como fantasma e como caminho.
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