O músico que James Hetfield diz ser a razão de o Metallica existir
Por Bruce William
Postado em 26 de junho de 2026
O Metallica nunca nasceu para tocar rock and roll tradicional. Desde os primeiros passos, James Hetfield e Lars Ulrich olhavam para um som mais rápido, mais pesado e mais cortante, alimentado pela nova onda do heavy metal britânico e por bandas como Diamond Head e Mercyful Fate. Mas, quando Hetfield fala sobre a essência do rock, ele não aponta para uma definição técnica. Ele aponta para Lemmy Kilmister.
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Lemmy sempre tratou o Motörhead como uma banda de rock and roll. Não parecia muito preocupado em ser chamado de metal, punk, hard rock ou qualquer outra etiqueta útil para lojista e jornalista. A música precisava ser alta, direta, suja no ponto certo e tocada como se o palco fosse o último lugar decente do planeta. Essa simplicidade aparente acabou influenciando muito mais gente do que alguns manifestos cheios de intenção.
Segundo a Far Out, Hetfield já deixou claro o tamanho da dívida do Metallica com Lemmy. Para o vocalista e guitarrista, a importância do líder do Motörhead ia além do som. Ele representava uma postura: a de alguém que atravessou décadas sem parecer disposto a pedir desculpas por existir daquele jeito. "Ele foi uma inspiração sem que eu o conhecesse tão bem. Eu não o conhecia tão bem quanto muitas outras pessoas. Definitivamente foi um mentor no mundo do heavy metal. Para mim, ele é a essência do rock and roll. Sem o Motörhead, certamente não existe Metallica."
O elo entre Motörhead e Metallica é musicalmente evidente. Faixas como "Overkill" ajudaram a empurrar a velocidade do rock para um território que logo seria reconhecido como uma das bases do thrash metal. A bateria acelerada, o baixo distorcido, a voz áspera de Lemmy e a sensação de que tudo estava prestes a sair dos trilhos criaram um modelo que bandas mais jovens levariam ainda mais longe.
Hetfield também aprendeu com Lemmy que agressividade não precisava significar complicação. O Motörhead não soava como uma banda tentando provar erudição. Soava como uma máquina de guerra montada em cima de riffs, volume e atitude. Essa lógica aparece no Metallica inicial: a música podia ser tecnicamente mais elaborada, mas ainda carregava uma urgência física, quase de briga de bar, herdada de gente como Lemmy.
Há também a voz. Lemmy cantava como se tivesse engolido brita, cigarro e noite mal dormida. Hetfield nunca copiou exatamente esse timbre, mas há no ataque vocal do Metallica uma dívida clara com essa ideia de canto como instrumento percussivo. Não era vocal bonito no sentido clássico. Era comando, latido, convocação. O tipo de voz que não pede passagem porque já entrou chutando a porta.
A admiração entre as bandas também virou troca direta. O Motörhead ganhou um Grammy com uma versão de "Whiplash", clássico do Metallica, enquanto o Metallica homenageou Lemmy depois de sua morte com "Murder One", faixa de "Hardwired... to Self-Destruct". Era uma relação de respeito entre quem influenciou e quem carregou parte daquela chama para outra geração.
O curioso é que Lemmy talvez risse de muitas dessas leituras. Ele parecia preferir a explicação mais curta: o Motörhead tocava rock and roll. Só que seu rock and roll tinha velocidade, sujeira e brutalidade suficientes para ajudar a formar um caminho inteiro dentro do metal. Sem posar como inventor, ele acabou sendo uma das figuras mais importantes para quem queria tocar mais pesado.
Para Hetfield, essa é justamente a grandeza de Lemmy. Não estava apenas nos riffs, no baixo ou na voz. Estava na combinação de autenticidade, resistência e recusa em domesticar o próprio som. O Metallica levou aquilo para outro patamar, com outra linguagem e outra ambição, mas a semente estava ali.
Quando James Hetfield chama Lemmy de "a essência do rock and roll", ele não está falando de nostalgia. Está falando de uma força que o Metallica reconheceu desde cedo: música alta, honesta, feroz e sem maquiagem demais. O Motörhead não foi apenas uma influência. Para Hetfield, foi uma condição de existência.
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