O disco dos Rolling Stones que Mick Jagger mais odiou gravar; "As relações eram terríveis"
Por Bruce William
Postado em 21 de junho de 2026
Os Rolling Stones entraram em estúdio para gravar "Dirty Work" como uma banda que já não funcionava do mesmo modo. Mick Jagger estava concentrado na carreira solo, Keith Richards se ressentia dessa prioridade e Charlie Watts atravessava um período particularmente ruim de saúde e dependência química. O álbum de 1986 acabou registrando menos uma direção musical clara do que o desgaste acumulado entre seus integrantes.
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Jagger faltava a parte das sessões, Richards assumia boa parte do trabalho ao lado de Ronnie Wood, e o produtor Steve Lillywhite precisava circular entre os dois líderes como uma espécie de mensageiro. Em vários momentos, os Stones nem pareciam estar fazendo o mesmo disco. Participações de músicos convidados e bateristas adicionais ajudaram a manter a gravação de pé.
O repertório refletia essa fragmentação. "Harlem Shuffle", versão de Bob & Earl, tornou-se o principal sucesso, enquanto faixas como "One Hit (to the Body)", "Had It with You" e "Sleep Tonight" carregavam diferentes combinações de autores e vozes. Keith Richards cantou duas músicas, algo incomum até então num mesmo álbum do grupo.
Anos depois, Jagger não tentou embelezar a lembrança, conforme reproduzido na Far Out: "O álbum não era tão bom. Era razoável. Certamente não era um grande disco dos Rolling Stones. O clima dentro da banda também era muito ruim. As relações eram terríveis. A saúde era diabólica."
A situação era tão deteriorada que ele recusou uma turnê para divulgar o lançamento. "O restante da banda não conseguia atravessar a Champs-Élysées, muito menos cair na estrada", disse. Para Richards, a recusa soou como mais uma prova de que Jagger estava abandonando os Stones em favor da própria carreira. Para Jagger, sair em turnê naquele estado seria prolongar um desastre.
Charlie Watts quase não participou de algumas etapas, e bateristas como Steve Jordan e Anton Fig apareceram em faixas do álbum. Ronnie Wood também ganhou espaço maior na composição, dividindo créditos em várias músicas. O guitarrista brincaria depois que qualquer disco dos Stones com tantas contribuições suas já devia ser suspeito.
O ambiente piorou ainda mais com a morte de Ian Stewart, pianista, fundador informal e figura central nos bastidores da banda, durante a fase final do trabalho. Uma gravação dele tocando "Key to the Highway" foi colocada discretamente ao final do álbum como homenagem.
"Dirty Work" saiu, vendeu e produziu singles, mas não teve turnê. Pouco depois, Jagger e Richards mergulharam em projetos separados e trocaram ataques públicos. Os Rolling Stones só voltariam a operar de maneira mais estável com "Steel Wheels", em 1989. Para Jagger, o disco anterior permaneceu ligado ao momento em que todos estavam na mesma banda, mas quase ninguém queria estar na mesma sala.
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