O solo que Slash compara a fazer sexo e nunca se cansa de tocar
Por Bruce William
Postado em 17 de junho de 2026
"É como fazer sexo." Foi assim que Slash descreveu a sensação de tocar o solo de "Sweet Child O' Mine" diante de uma multidão. A comparação pode parecer exagerada, mas ajuda a entender por que uma música executada milhares de vezes ainda não se tornou um fardo para ele.
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O guitarrista nem sempre teve uma relação tão simples com a faixa. Quando o Guns N' Roses começou a montá-la, ele enxergava aquilo como uma balada acelerada que não combinava muito com a imagem mais suja e agressiva da banda. O riff de abertura, hoje reconhecido em poucos segundos, surgiu enquanto Slash mexia em algumas notas na casa onde os integrantes viviam em Los Angeles.
Durante anos, espalhou-se a história de que o trecho era apenas um exercício de aquecimento ou uma brincadeira feita para irritar os outros músicos. Slash mais tarde contestou essa versão. Segundo ele, em declaração para a Music Radar, estava apenas experimentando ideias, como fazia ao criar qualquer riff, e a sequência acabou chamando a atenção de Izzy Stradlin, Duff McKagan e Steven Adler.
Axl Rose ouviu a base e começou a trabalhar sobre um poema dedicado a Erin Everly, sua namorada na época. Aos poucos, uma composição que Slash não via como representação natural do Guns N' Roses ganhou estrutura, refrão e espaço para aquilo que realmente o animava: a guitarra assumindo o centro da música.
O próprio Slash já disse que a "salvação" de "Sweet Child O' Mine", para ele, era a seção do solo. Ali, a faixa deixa por alguns instantes o formato de balada e abre caminho para uma construção que cresce sem pressa, muda de intensidade e desemboca na sequência final de "Where do we go now?".
Depois do lançamento de "Appetite for Destruction", em 1987, a música tomou um rumo que ninguém controlava mais. Tornou-se o primeiro single do Guns N' Roses a chegar ao primeiro lugar nos Estados Unidos e passou a ocupar uma posição inevitável nos shows. Mesmo durante os anos em que esteve fora da banda, entre 1996 e 2016, Slash continuou carregando a canção em suas apresentações solo.
A volta ao Guns N' Roses reacendeu também a relação com o repertório antigo. "Adoro tocar o solo de 'Sweet Child O' Mine' até hoje", disse ele em 2019 para a Guitar World. "A música entra num ponto específico do show, e as pessoas reagem de maneira tão enorme que é como fazer sexo. Existe uma troca, um dar e receber. Não tem como não gostar disso, certo?"
Para Slash, portanto, o prazer não está apenas em repetir uma parte que conhece de olhos fechados. Está no momento em que milhares de pessoas reconhecem as primeiras notas, esperam o solo e devolvem uma reação que muda a cada noite. A música pode ser a mesma desde 1987; a descarga provocada por ela nunca é exatamente igual.
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