A música pouco lembrada de Elton John que ele ama; "Uma grande faixa de rock and roll"
Por Bruce William
Postado em 12 de junho de 2026
Antes de virar um dos nomes mais conhecidos da música pop, Elton John ainda era um jovem compositor tentando encontrar uma forma própria de aparecer. O Elton dos anos seguintes, com óculos enormes, roupas chamativas e uma sequência absurda de sucessos, ainda estava em formação. Em 1969, quando lançou "Empty Sky", ele tinha talento melódico de sobra, mas ainda buscava uma identidade mais clara em estúdio.
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O disco também marcou um passo importante na parceria com Bernie Taupin. Os dois haviam se conhecido depois de uma situação meio improvável, quando ambos tentavam entrar no mundo da música e acabaram ligados por letras e melodias. A dupla ainda não era o fenômeno que seria nos anos setenta, mas ali já começava a aparecer a engrenagem que renderia algumas das canções mais conhecidas da carreira de Elton.
"Empty Sky", porém, não nasceu como um clássico instantâneo. O álbum tem muito da sonoridade do fim dos anos sessenta, com arranjos e escolhas de produção que ainda colocam Elton dentro daquele período, antes da guinada que viria pouco depois. Não era um disco capaz de disputar espaço comercial com os grandes lançamentos do rock pesado daquele momento, mas serviu como ponto de partida para algo que cresceria rápido.
A faixa-título, "Empty Sky" (youtube), é uma das peças mais curiosas desse início. Com cerca de oito minutos, ela dificilmente teria vocação para tocar em rádio, mas mostra Elton tentando fazer algo mais longo, pulsante e ligado ao rock, sem abandonar o piano como base. Para um artista que mais tarde seria lembrado tanto pelas baladas quanto pelas apresentações grandiosas, a música já trazia uma tentativa de abrir espaço para outro tipo de compositor no ambiente do rock.
Décadas depois, Elton John ainda falava da faixa com carinho. Para ele, "Empty Sky" não era apenas uma lembrança distante de começo de carreira. "Uma grande faixa de rock and roll. Eu a amo de morte. Lembro de ter feito o vocal na escadaria para conseguir aquele eco, em um estúdio muito pequeno em Londres. 'Empty Sky' tem algo mágico. Ela se encaixou de forma brilhante e ainda soa tão bem. É difícil para um pianista escrever uma música de rock and roll. Soava como uma música dos Stones. Eu pensei: 'Eu consigo fazer isso'."
Esse detalhe da escadaria que ele contou em entrevista à Cameron Crowe publicada na revista Rolling Stone ajuda a dar uma boa imagem do Elton John pré-superestrela. Não havia ainda a máquina gigantesca em volta dele, nem o personagem visual que dominaria arenas e programas de TV. Havia um músico em um estúdio pequeno, usando o espaço disponível para conseguir um efeito vocal e tentando fazer uma faixa de rock soar convincente a partir do piano, instrumento que muita gente associava a outro tipo de composição.
A comparação com a banda os Rolling Stones também diz bastante sobre o que Elton queria alcançar naquele momento, explica a Far Out. Ele não estava apenas escrevendo uma canção longa para preencher o álbum; estava testando se poderia entrar em um território normalmente dominado por guitarristas. Em uma época em que Jimmy Page, Keith Richards e tantos outros ocupavam o imaginário do rock, Elton parecia interessado em provar que o piano também podia empurrar uma música para a frente.
"Empty Sky" não virou uma das canções mais famosas de Elton John, nem costuma aparecer entre as primeiras lembradas quando se fala em sua carreira. Ainda assim, o apego dele à faixa mostra que alguns registros importam por outro motivo. Às vezes, a música não precisa ter sido o grande sucesso para marcar o artista. Basta ter sido o momento em que ele percebeu, talvez antes do público, que havia um caminho possível ali.
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