O "disco fraco" dos Rolling Stones que fãs estão redescobrindo em versão deluxe
Por Bruce William
Postado em 02 de junho de 2026
"Black and Blue" sempre ocupou um lugar meio estranho na discografia dos Rolling Stones. Lançado em 1976, o disco veio em uma fase de transição, quando a banda ainda procurava o substituto definitivo para Mick Taylor e testava guitarristas nas sessões. Ronnie Wood acabou ficando com a vaga, mas o álbum também contou com participações de nomes como Harvey Mandel e Wayne Perkins.
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A edição deluxe lançada em 2025 reacendeu o interesse por esse período, destaca a Cult Following. O pacote trouxe uma nova mixagem estéreo feita por Steven Wilson, além de outtakes, jams inéditas e registros ao vivo da turnê de 1976. Nas versões super deluxe, o material inclui ainda Blu-ray, mixagens em Dolby Atmos e 5.1, um livro de 100 páginas e gravações de shows daquele período.
A discussão voltou a ganhar força entre fãs dos Rolling Stones depois que um usuário do Reddit elogiou a edição deluxe de "Black and Blue", dizendo que as faixas extras ajudavam a completar a ideia de um álbum marcado por testes de guitarristas. Ele citou "Shame, Shame, Shame", "Chuck Berry Style Jam" e "Rotterdam Jam" como destaques, e ainda brincou que até o "lixo" dos Stones podia soar como um dos melhores rock and roll do planeta.
O comentário faz sentido dentro da própria história do disco. "Black and Blue" nunca foi lembrado como um dos grandes monumentos da banda, mas sempre teve um charme de bastidor aberto, como se o ouvinte pegasse os Stones no meio de uma busca. O álbum mistura funk, reggae, balada, rock mais solto e momentos de jam, sem a unidade de discos como "Sticky Fingers" ou "Exile on Main St.", mas com uma energia muito particular.
A edição de 2025 parece ter ajudado justamente nesse ponto. Alguns fãs destacaram que a nova mixagem de Steven Wilson deixou o disco mais claro, com guitarras, piano e teclados aparecendo melhor do que na versão original. Outros, porém, acharam o pacote menos empolgante quando comparado a relançamentos como "Goats Head Soup", "Tattoo You" e "Some Girls", que trouxeram sobras de estúdio mais fortes ou um volume maior de material inédito.
Entre as faixas extras, a nova versão também chama atenção por mostrar os Stones funcionando em modo menos lapidado. "I Love Ladies" aparece como uma composição de Jagger/Richards, enquanto "Shame, Shame, Shame" revisita a música lançada por Shirley & Company nos anos 70. Já as jams instrumentais registram a banda tocando com convidados como Jeff Beck, Harvey Mandel e Robert A. Johnson nas sessões de 1975.
A reação dos fãs diz algo sobre como certos discos mudam de lugar com o tempo. O que em 1976 podia soar irregular, hoje aparece como documento de uma banda testando possibilidades sem muita cerimônia. No caso dos Rolling Stones, até o material de sobra pode ganhar outro peso quando reaparece décadas depois, remixado, reorganizado e ouvido por fãs que sabem que, às vezes, uma jam meio perdida também conta uma parte importante da história.
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