O álbum dos anos setenta que o Kiss achou que seria o último da carreira
Por Bruce William
Postado em 06 de julho de 2026
Hoje parece óbvio que "Alive!" foi o disco que colocou o Kiss em outro patamar. Lançado em 1975, o álbum ao vivo capturou a energia da banda no palco e ajudou a transformar Gene Simmons, Paul Stanley, Ace Frehley e Peter Criss em figuras muito maiores do que apenas quatro músicos maquiados. Mas, na época, a decisão parecia bem mais arriscada.
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O Kiss já tinha lançado três discos de estúdio: "Kiss", "Hotter Than Hell" e "Dressed to Kill". Eles tinham construído uma identidade visual fortíssima, com personagens, maquiagem, explosões e teatralidade, mas as vendas ainda não acompanhavam a ambição. A banda chamava atenção ao vivo, só que isso não estava se traduzindo em sucesso comercial suficiente.
Gene Simmons explicou a situação em entrevista à MusicRadar, em 2012, que foi repercutida pela Far Out: "'Alive' foi o esforço derradeiro de uma banda que não estourou nos três primeiros discos", disse. "Nossa gravadora estava falindo."

A comparação usada por Simmons veio do futebol americano. Ele chamou a decisão de lançar o disco de um "Hail Mary pass", aquela jogada desesperada no fim, quando não há muito a perder. "Você não tem nada a perder, então foda-se, vai para o arremesso maluco", afirmou.
O detalhe mais ousado é que o Kiss não decidiu lançar apenas um álbum ao vivo. Lançou um álbum duplo ao vivo, algo que poderia soar como suicídio comercial para uma banda que ainda não era gigante. Simmons resumiu o espírito da decisão: "Se esse fosse nosso último disco, vamos sair em uma explosão de glória."
Funcionou. "Alive!" vendeu muito mais do que os discos anteriores e mostrou que o Kiss podia sobreviver mesmo sem o público enxergar as labaredas, a maquiagem, os saltos, a língua de Gene Simmons e todo o circo visual do show. O som bastou para vender a ideia de que aquela banda era uma experiência ao vivo fora do comum.
Pouco depois, em 1976, "Destroyer" consolidaria o salto comercial do Kiss. Mas a porta foi aberta por "Alive!", um disco que nasceu mais da necessidade do que da segurança. A banda apostou tudo em um registro ao vivo quando ainda não tinha garantia nenhuma de vitória. No fim, o "arremesso maluco" virou o passe que salvou o jogo.
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