As únicas 11 músicas do Dream Theater que são boas, segundo Regis Tadeu
Por Gustavo Maiato
Postado em 31 de agosto de 2026
Regis Tadeu reouviu a discografia inteira do Dream Theater em ordem cronológica para responder a uma pergunta que ouve com frequência dos seguidores: se existe algo que se salve nas bandas que ele detesta. O veredito saiu em vídeo publicado no canal do jornalista, que abriu a série justamente pelo grupo mais pedido pelo público. "Eu resolvi fazer esse vídeo aqui para mostrar que eu não sou um velho intolerante e raivoso", disse. Ao fim da maratona, 11 canções passaram pelo filtro.
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O método foi explicado antes das escolhas. O crítico ouviu apenas os discos de estúdio, deixando de fora os registros ao vivo e o EP "A Change of Seasons", que trata como um trabalho de covers com uma faixa autoral. Ele também deixou claro que o critério é de gosto, não de técnica. "É notório que o Dream é formado por músicos extraordinários, tecnicamente falando. Só que eles fazem um som chato até a morte", afirmou.
A estreia "When Dream and Day Unite", de 1989, com Charlie Dominici nos vocais e Kevin Moore nos teclados, não rendeu nada - nem a instrumental "Ytse Jam". Segundo o jornalista, o disco confirma que o grupo já era insuportável desde o início, com temas demais empilhados a esmo em cada composição. Em "Images and Words", de 1992, estreia de James LaBrie, ele chegou perto: avalia que "Pull Me Under", "Under a Glass Moon" e "Learning to Live" soariam bem melhor se fossem instrumentais.
A primeira faixa aproveitada aparece só em "Awake", de 1994. Regis salvou "6:00", que abre o álbum e na qual LaBrie abandona o timbre adocicado, e "The Mirror", pela complexidade rítmica. No mesmo disco, sobrou para "The Silent Man", que ele descreve como uma balada medonha, tentativa da banda de criar a própria "More Than Words", do Extreme. "Falling into Infinity", de 1997, não rendeu nada; já "Metropolis Pt. 2: Scenes from a Memory", de 1999, garantiu duas - "Beyond This Life", pela urgência sônica, e "Home", pela cadência.
O duplo "Six Degrees of Inner Turbulence", de 2002, foi definido como pesadelo, sem uma faixa aproveitável. A colheita melhorou em "Train of Thought", de 2003, com "As I Am", "Honor Thy Father" e os mais de 11 minutos da instrumental "Stream of Consciousness", em que ao menos as partes teriam conexão entre si. De "Octavarium", de 2005, saíram "The Root of All Evil", elogiada pelo riff e pela objetividade, e "Panic Attack". O restante do álbum, na avaliação dele, soa como Coldplay tentando ser uma versão mais técnica e agressiva do Marillion.
"Systematic Chaos", de 2007, entregou as duas últimas aprovadas: "In the Presence of Enemies Pt. 1" e "Constant Motion". Depois disso, o placar zera. "Black Clouds & Silver Linings", de 2009, despedida de Mike Portnoy, não salvou nada, e a fase com Mike Mangini na bateria - de "A Dramatic Turn of Events", de 2011, até "A View from the Top of the World", de 2021 - rendeu apenas momentos isolados, nunca uma canção inteira. "Mesmo que o Mangini seja um batera excelente, ele não conseguiu impor a personalidade dele nesses álbuns", afirmou.
Ficou de fora da conta "Parasomnia", lançado em fevereiro de 2025 e primeiro disco com Portnoy desde 2009, comemorado pela banda como um reencontro histórico em entrevista à Billboard. O crítico já havia analisado o álbum faixa a faixa em vídeo próprio na época do lançamento. Ao encerrar a maratona, ele pediu que o público apontasse nos comentários quais músicas do Dream Theater se salvam - ou se salva tudo, ou se não salva nada.
Confira o vídeo completo abaixo.
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