O guitarrista que assustou Eric Clapton e depois virou uma obsessão
Por Bruce William
Postado em 27 de agosto de 2026
Eric Clapton passou boa parte da vida sendo tratado como referência para outros guitarristas, mas ele próprio teve um nome diante do qual se sentiu completamente desmontado quando era jovem. Não foi Jimi Hendrix, B.B. King ou Buddy Guy. Foi Robert Johnson.
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Clapton conheceu as gravações do bluesman quando ainda estava formando sua própria identidade musical e teve uma reação curiosa: ficou fascinado, mas também incomodado pela intensidade daquilo. Em entrevista à NPR, com trecho republicado na Far Out, ele contou que o impacto foi tão forte que, num primeiro momento, quase houve rejeição.
"Fiquei definitivamente impressionado, mas também um pouco repelido pela intensidade. Acabei ficando viciado porque era muito mais poderoso do que qualquer outra coisa que eu tinha ouvido", disse Clapton. Para ele, Johnson parecia falar "diretamente da alma", sem qualquer preocupação em agradar ou suavizar o que estava fazendo.
Essa impressão permaneceu ao longo das décadas. Em outra declaração, Clapton chamou Johnson de "o mais importante músico de blues que já existiu" e descreveu sua música como o lamento mais poderoso que já havia encontrado na voz humana.
O fascínio era tamanho que algumas músicas chegavam a assustá-lo. Clapton contou que "Hellhound on My Trail" provocava medo quando ele era mais novo, especialmente porque levava ao pé da letra a imagem de Johnson sendo perseguido por demônios. Só mais tarde passou a interpretar aquilo como metáfora para problemas, escolhas e conflitos morais.
A influência também apareceu diretamente na carreira de Clapton. O Cream transformou "Cross Road Blues" em "Crossroads", uma das versões mais famosas de uma composição de Johnson, enquanto décadas depois o guitarrista dedicou um álbum inteiro ao repertório do músico em Me and Mr. Johnson, lançado em 2004.
Para Clapton, o que diferenciava Robert Johnson não era simplesmente técnica. Era a sensação de que cada música carregava algo impossível de falsificar. Primeiro aquilo o assustou; depois se tornou uma referência que ele passaria o resto da vida tentando compreender.
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