O truque simples que criou o som monstruoso de guitarra de um clássico do AC/DC
Por Bruce William
Postado em 24 de agosto de 2026
"Back in Black" virou referência não apenas pelas músicas, mas também pelo som das guitarras. Angus e Malcolm Young conseguiram naquele disco de 1980 um equilíbrio raro entre peso, clareza e espaço, sem transformar tudo numa parede de distorção. Parte importante disso veio de uma solução adotada pelo engenheiro Tony Platt durante as gravações.
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Em vez de captar cada amplificador com apenas um microfone e deixá-lo como um ponto mono na mixagem, Platt usou dois microfones condensadores em cada guitarra, normalmente Neumann U67 e U87, posicionados em alto-falantes diferentes do gabinete. Depois, essas duas captações podiam ser abertas no campo estéreo, criando mais largura e profundidade.
"Eu havia desenvolvido uma técnica de gravar guitarras com dois microfones apontando aproximadamente para falantes diferentes, que depois podiam ser espalhados na mixagem estéreo", explicou Platt ao Premier Guitar. Segundo ele, o resultado era uma guitarra mais aberta, algo que combinava especialmente bem com a maneira como Angus e Malcolm tocavam juntos.
Esse último detalhe era fundamental. Os irmãos frequentemente tocavam as mesmas progressões, mas usando posições e inversões diferentes dos acordes. Com as duas guitarras registradas ao vivo e espalhadas pela mixagem, o som ficava enorme sem depender de uma quantidade absurda de overdubs. Platt contou que, em "Back in Black", a intenção era justamente preservar a sensação de banda tocando junto.
Também havia muito menos processamento do que se poderia imaginar. Platt afirmou que o caminho básico das guitarras era amplificador, microfone, equalização e fita, sem compressão. Angus e Malcolm também não gostavam de exagerar em reverberação ou efeitos, e o engenheiro preferia aproveitar a ambiência real do estúdio.
Os amplificadores eram diferentes combinações de Marshalls, escolhidas conforme a música. Angus ainda usava seu sistema sem fio Schaffer-Vega nos solos, que alterava um pouco a resposta do instrumento e acrescentava uma característica própria ao timbre. Platt lembraria que, quando precisaram substituir posteriormente um trecho sem aquele sistema, foi difícil reproduzir exatamente o mesmo som.
Mesmo assim, o engenheiro sempre tratou com certa desconfiança a obsessão por reproduzir "Back in Black" simplesmente copiando equipamentos e posições de microfone, reforça a Far Out. Para ele, a parte decisiva vinha dos próprios músicos. Mesmo com os mesmos Marshalls, microfones e sala, o resultado não seria igual sem Angus e Malcolm tocando.
Talvez seja justamente por isso que aquele som continue tão difícil de imitar. A técnica dos dois microfones ajudou a transformar as guitarras em algo gigantesco, mas o verdadeiro truque estava na combinação entre gravação simples, pouco processamento e dois irmãos que sabiam exatamente como ocupar espaços diferentes tocando praticamente a mesma coisa.
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