O megahit do rock nacional dos anos 1980 que encantou Richie Sambora do Bon Jovi
Por Gustavo Maiato
Postado em 20 de outubro de 2026
Com nas mãos a guitarra Steinberger de dois braços que usou no Rock in Rio de 1991, Augusto Licks recebeu a Rolling Stone Brasil na redação da revista no Rio de Janeiro. Ele relembrou a época em que integrou os Engenheiros do Hawaii, quando o rock nacional ocupava o centro do mercado. O instrumento, contou, resolvia um dilema antigo: ter na mesma música o som de uma guitarra tipo Fender e o de uma tipo Gibson, algo impossível com as duas guitarras que tinha ao entrar na banda.
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Questionado pelo repórter Igor Miranda se tinha cruzado com astros estrangeiros no festival, Licks lembrou de outro evento da época, o Hollywood Rock. Foi lá que Richie Sambora, guitarrista do Bon Jovi, o chamou para o camarim. "Ele estava aquecendo para entrar no palco, com um instrumento de três braços. Se não me engano, era um violão normal, um violão de 12 cordas e um bandolim em cima", descreveu.
O motivo do convite estava no rádio. Sambora tinha ouvido uma música, perguntou do que se tratava e soube que era "Infinita Highway", dos Engenheiros. Licks contou que o americano ficou intrigado com o timbre da guitarra e resumiu a impressão com um "fucking clean tone, man". Ao explicar como chegou àquele som limpo, o brasileiro revelou o detalhe que mais surpreendeu o colega: tinha tocado sem palheta.
O encontro, segundo Licks, foi muito simpático, mas curto, porque o movimento intenso nos bastidores impedia uma conversa longa. A lembrança veio à tona quando Miranda defendeu que a contribuição instrumental da formação com Humberto Gessinger e Carlos Maltz costuma ser subestimada diante das letras. O guitarrista disse não se ver em posição de julgar isso. Para ele, porém, há um fenômeno natural: a palavra cantada se impõe, e todo o resto se curva a ela.
"Tem aquele filme, 'Os Suspeitos', com uma frase que diz que o diabo, para quem acredita no diabo, fez algumas façanhas. Uma delas é convencer o mundo de que ele não existe. Acho que outra façanha do diabo, se é que ele existe, é convencer muitas pessoas de que uma banda é só o vocalista. Assim como convenceu algumas pessoas de que um iceberg é só a sua ponta visível. Alguns navios bateram e afundaram."
Confira o vídeo completo abaixo.
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