Humberto Gessinger e Andreas Kisser apontam o que faltou ao rock nacional dos anos 80
Por Gustavo Maiato
Postado em 28 de outubro de 2026
No Brasil, os anos 1980 costumam ser lembrados como a era de ouro do rock nacional, com Titãs, Paralamas do Sucesso, Barão Vermelho, Ultraje a Rigor e RPM dominando rádios e programas de TV. Para alguns músicos que viveram aquele período, porém, o rótulo de "década do rock" não se sustenta. As críticas vão da estética da época à forma como as guitarras foram tratadas nos estúdios.
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Humberto Gessinger é um dos que discordam. Em declaração repercutida em matéria do Whiplash.Net, o ex-líder do Engenheiros do Hawaii disse que a década foi marcada pela digitalização dos teclados, e não pelo rock. Para ele, é curioso que o Brasil tenha consagrado justamente "os anos menos rock and roll". O músico também lembrou que muita gente da sua geração abandonou o progressivo e o hard rock naquele momento:
"Eu fui meio otário assim até os anos oitenta, porque todo mundo da minha geração - o Renato Russo ouvia as mesmas coisas que eu, rock progressivo - a gente dizia que ouvia as coisas do momento, mas eu ouvia aquela velharia que são os discos que todo mundo jogou fora, todo mundo jogou fora as coleções de Led porque mudou a agenda."
Andreas Kisser mira outro alvo: as guitarras. No programa Amplifica, apresentado por Rafael Bittencourt, do Angra, e publicado em matéria do Whiplash.Net, o guitarrista do Sepultura chamou a ausência de solos de "uma das grandes críticas que eu tenho ao rock nacional". Ele poupou o Ultraje a Rigor, que tinha uma pegada mais metal, e o Barão Vermelho, "um pouquinho menos tímido". Culpou ainda a lógica das rádios e lembrou que Tony Bellotto, dos Titãs, precisou regravar guitarras para tocar nas emissoras.
Kisser comparou a década com a geração anterior, de nomes como Lanny Gordin, Luiz Carlini, Sérgio Dias e 14 Bis: "Uns puta guitarristas, fazendo uns puta solos, os solos sendo importante na música, daí vem a década de oitenta, ela mudou isso. Mudou o conceito. Tanto que eu detestava o Pedal Chorus. Porque todo mundo usava aquela porra!". No fim, reconheceu que bandas como o RPM simplesmente tinham outra proposta e fez questão de elogiar Herbert Vianna: "o Herbert é um puta músico!".
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