A canção do começo dos anos 70 que para Keith Richards resume o que é rock'n'roll de verdade
Por Bruce William
Postado em 10 de setembro de 2026
Poucas bandas construíram uma identidade tão ligada ao próprio conceito de rock and roll quanto os Rolling Stones. Mas, na cabeça de Keith Richards, nem toda música pesada ou cheia de guitarras entrava automaticamente nessa categoria.
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Para ele, "Bitch", lançada em Sticky Fingers em 1971, era um bom exemplo do que realmente importava. A faixa nasceu de um groove aparentemente simples, mas carregava aquela combinação de guitarra, bateria e metais que fazia tudo soar muito mais solto do que realmente era. "Isso acontece de forma muito natural e sempre dá aquele impulso extra quando o momento certo volta. É disso que gravações de rock and roll são feitas."
Richards foi ainda mais longe ao explicar sua visão. Para ele, um disco de rock and roll deveria ser curto, direto e sem gordura. "Hoje em dia tudo é rock. Mas uma gravação de rock and roll deveria ter 2 minutos e 35 segundos. Tem que ser concisa, estar ali na hora certa", afirmou, em entrevista de 1983 para Guitar Player.
A ideia parece simples, mas combina perfeitamente com a forma como Richards sempre tocou, destaca a Far Out. Em vez de tentar dominar a música com solos longos, ele preferia construir riffs e grooves que funcionassem como parte da engrenagem da banda.
A própria gravação de "Bitch" ajuda a ilustrar isso. O engenheiro Andy Johns contou para a Time Is On Your Side que a música ainda soava meio frouxa quando Richards entrou no estúdio, pegou a guitarra, acelerou o andamento e imediatamente colocou tudo nos trilhos.
O curioso é que a faixa também tinha elementos que poderiam parecer menos "puros" para uma definição tradicional de rock and roll, como os metais de Bobby Keys e Jim Price. Mesmo assim, Richards via justamente nessa mistura orgânica e sem excesso de planejamento o coração do estilo. Para ele, o rock and roll funcionava melhor quando havia estrutura sem parecer engessado. "É uma música altamente estruturada tocada de forma muito desestruturada", resumiu.
Em outras palavras, "Bitch" talvez não fosse a música mais sofisticada dos Rolling Stones. Mas, para Keith Richards, ela tinha algo mais importante: aquele tipo de impulso espontâneo que fazia o rock and roll parecer simples, direto e inevitável.
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