As 2 bandas brasileiras que Regis Tadeu considera as mais injustiçadas do rock
Por Gustavo Maiato
Postado em 05 de setembro de 2026
Regis Tadeu tem uma lista pessoal de bandas brasileiras que, na avaliação dele, deveriam ter chegado muito mais longe do que chegaram. Em live no próprio canal, resgatada pelo canal Debate Sobre Música, o crítico afirmou que o problema não era complexidade musical - pelo contrário, todas faziam som acessível. O obstáculo, segundo ele, era outro: o cercadinho da década de 1980, dominado pelo jabá, que decidia quem tocava no rádio e quem ficava de fora.
Plebe Rude - Mais Novidades
Dois nomes abrem a lista. Para o jornalista, Plebe Rude e Inocentes são bandas absolutamente injustiçadas, porque mereciam ter extrapolado seus respectivos públicos e nunca conseguiram. O caso da Plebe é o mais curioso: "Até Quando Esperar" tem um riff massivo e virou música conhecida por todo mundo, mas o grupo em si nunca estourou. Regis observa que boa parte de quem canta a faixa não sabe de quem ela é.
O crítico também aponta uma dose de autossabotagem. Citando o livro escrito por Philippe Seabra, guitarrista e vocalista da banda, ele lembra que o disco seguinte não trouxe nenhuma música com apelo radiofônico, e o grupo acabou se prejudicando. Os números reforçam a tese: o mini LP de estreia, "O Concreto Já Rachou", produzido por Herbert Vianna, passou de 200 mil cópias e acaba de ganhar reedição em vinil pelos 40 anos, conforme registrou o Rock On Board. Nada do que veio depois repetiu o feito.
O caso que mais indigna Regis, porém, é o do Nau. Ele descreve o quarteto paulistano como uma banda fantástica, com a vocalista Vange Leonel e o guitarrista Zique, e conta ter assistido a uma apresentação no Guarujá com o baterista Kuki Stolarski. O segundo disco, de rock pesado, foi apresentado à gravadora e simplesmente descartado. Gravado em 1988 no Big Bang Studio, o material ficou engavetado até 2018, quando saiu como "O Álbum Perdido do Nau" pela Deck - quatro anos depois da morte de Vange.
Havia ainda o azar de calendário. O crítico lembra que a estreia do Nau coincidiu com o descongelamento de preços que se seguiu ao Plano Cruzado, quando os discos encareceram de uma hora para outra. A própria Vange já havia dado sua versão dos fatos em entrevista reproduzida pelo blog Sete Doses de Cachaça: o álbum vendeu cerca de 15 mil cópias, o que não deu lastro para seguir adiante, e nenhuma outra companhia quis apostar em rock pesado.
Na outra ponta do debate, os participantes discutiram por que certas bandas de que eles não gostam conseguiram construir carreira sólida. O exemplo foi o Los Hermanos. Régis admite achar o grupo complicado, assim como diz abominar a obra de Zeca Baleiro, mas reconhece que ambos formaram público e trajetória dignos de respeito. Ele conta ainda que uma grande empresa fez uma oferta astronômica para o Los Hermanos voltar a tocar em estádios, e que Marcelo Camelo recusou.
O tamanho desse público engajado tem prova documental. O crítico afirma que o festival Just a Fest, que trouxe o Radiohead ao Brasil pela primeira vez, não vendia ingressos até a organização confirmar o Los Hermanos. A edição paulistana aconteceu em 22 de março de 2009, na Chácara do Jockey, reuniu cerca de 30 mil pessoas e marcou o retorno do grupo carioca após dois anos de hiato, como registrou a cobertura do Whiplash na época.
Confira o vídeo completo abaixo.
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