Os dois cantores de soul que Mick Jagger declarou que tentou imitar
Por Gustavo Maiato
Postado em 02 de setembro de 2026
Mick Jagger apontou Otis Redding e Solomon Burke como as duas principais influências sobre sua interpretação em "Out of Our Heads". A informação foi retomada pela revista Far Out Magazine, que recuperou entrevista concedida pelo vocalista dos Rolling Stones em 1995, quando o álbum de 1965 completou 30 anos. Segundo ele, a mira estava clara desde o início das sessões: "Obviamente tem influência do soul, que era o objetivo naquela época", afirmou.
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O disco é um retrato do momento em que a banda trocou de referências. Dos títulos da lista de faixas, apenas três saíram da dupla Jagger-Richards. O resto ficou por conta de versões de material soul americano, com canções associadas a Barbara Lynn, Marvin Gaye e Sam Cooke. Não é o LP mais celebrado dos Stones nos anos 60, mas marca uma virada decisiva na trajetória do grupo.
A origem dessa guinada está na primeira viagem aos Estados Unidos, em 1964. A Motown dominava as paradas e praticamente toda cidade do roteiro tinha sua própria cena de soul em formação. Impossível escapar. Os Stones absorveram o que ouviram e devolveram o material no período mais intenso da chamada Invasão Britânica.
O ambiente de estúdio também pesou no resultado. Jagger lembrou que a maior parte do álbum foi gravada nos estúdios da RCA, em Hollywood, com técnicos bem acima do padrão a que a banda estava acostumada. "Eles sabiam como conseguir sons realmente bons", disse. Para o cantor, isso afeta diretamente a performance, porque permite ouvir as nuances - e ouvir as nuances inspira.
As duas referências que ele cita aparecem no disco em forma de regravação. No lado A está "That's How Strong My Love Is", originalmente gravada por O.V. Wright e levada à perfeição por Otis Redding em 1965, meses antes do lançamento do álbum. No lado B, Jagger tenta evocar Solomon Burke em "Cry to Me", canção de Bert Berns registrada em 1961.
A admiração acabou virando via de mão dupla. Ainda em 1965, Redding gravou sua versão de "(I Can't Get No) Satisfaction", tratada até hoje como leitura definitiva por parte do público. O gesto confirmou o respeito mútuo entre o universo do soul e os Stones, com cada lado servindo de combustível para o outro. Antes disso, os movimentos de palco de Jagger já vinham de James Brown, e seu canto de lábios projetados era tentativa de evocar Howlin' Wolf e Muddy Waters.
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