Soulfly: as 10 músicas mais subestimadas

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Por Guilherme Cardoso, Fonte: Tudo no Shuffle
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O Soulfly se prepara para lançar "Ritual", seu décimo primeiro álbum de estúdio e terceiro pela Nuclear Blast. Com lançamento marcado para 19 de outubro, "Ritual", cuja bela capa pode ser vista abaixo, será a mais nova adição ao extenso catálogo musical de Max Cavalera, que desde sua saída do Sepultura não para de lançar material novo, seja com o próprio Soulfly, com o Cavalera Conspiracy ou com algum projeto eventual (caso do Killer Be Killed).

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Para se ter uma ideia do quão prolífica tem sido sua carreira pós-Sepultura, de 2008 até 2018 ele lançou 11 álbuns (já contando "Ritual"), o que dá uma média de um álbum por ano. Os mais insatisfeitos (ou nunca satisfeitos) reclamarão que nenhum desses vários álbuns é do nível excepcional de um Beneath the Remains, Arise ou Chaos A.D., o que é verdade. Especificamente com o Soulfly, alguns álbuns tem uma irregularidade musical notória, alternando entre grandes músicas e músicas quase caricatas e bem esquecíveis. Um dos motivos para essa irregularidade é o fato do Max tentar várias coisas diferentes nos álbuns ou, falando de forma bem clara, atirar para todo lado com World Music, Thrash Metal, Reggae, Death Metal, música brasileira, Nu Metal, música lounge, Groove Metal, além de um infindável número de vocalistas convidados. Toda essa diversidade acaba diminuindo a coesão e o foco de alguns álbuns do Soulfly. A maior comprovação disso são os álbuns mais recentes do Soulfly, em que a banda diminuiu consideravelmente seus excessos musicais e apostou num som "simples", extremo e pesado. O resultado foram alguns dos melhores lançamentos do Soulfly.

Mas, mesmo nos álbuns mais fracos de sua discografia pós-Sepultura, sempre há um grupo de 3 ou 4 músicas realmente marcantes. E é isso que tentaremos provar com a nossa lista de 10 grandes, mas não tão conhecidas, músicas do Soulfly espalhadas nos 10 CDs da banda. Afinal, são pouquíssimos os que conseguem compôr riffs com a qualidade de Max Cavalera e em quantidade tão abundante.

Para acompanhar a lista, preparamos uma playlist no Spotify com as músicas mais subestimadas do Max, cobrindo toda a sua carreira:

Confira todas as listas feitas em:
https://tudonoshuffle.blogspot.com/

10) Fuel the Hate
Álbum: Dark Ages (2005)

"Fuel the Hate", uma das músicas mais brutais do Soulfly, começa com a fala "Monday, July 16, 1945, 5:30 AM" que é a exata hora em que houve o primeiro teste de uma bomba nuclear na Terra. A partir dai, Max mostra todo seu arsenal de riffs: o riff inicial é a mescla perfeita de groove e thrash e carrega os versos enquanto Max canta suas típicas letras simples ao extremo, depois um riff monotônico de guitarra e a bateria devastadora fazem o trecho mais pesado da música, e por fim um riff ao melhor estilo "Arise" transforma a música em Thrash Metal clássico. Ainda há tempo para Max introduzir outro grande riff com sua clássica contagem "1, 2, 3, 4", cantar um verso em português e encerrar a música de forma até calma. Em pouco mais de 4 minutos, Max conseguiu colocar em "Fuel the Hate" tudo que ele faz de melhor.

9) No
Álbum: Soulfly (1999)

Não seria surpresa se fosse revelado que "No" é, na verdade, uma música perdida da fase Roots. Tudo nela soa exatamente como o último álbum de Max com o Sepultura: a produção, o timbre da guitarra, o groove monstruoso do riff principal e a bateria que emula perfeitamente a levada do Iggor. Christian Olde Wolbers, ex-membro do Fear Factory e outras bandas, ainda contribuiu gravando linhas de upright bass (uma espécie de violoncelo elétrico) para a música.

8) Spiral
Álbum: Savages (2013)

"Spiral" tem uma guitarra base meio de Slipknot mas o refrão é puro Max Cavalera. A bateria é simples, mas imprime muito peso à música. No final, o destaque mesmo de "Spiral" é Marc Rizzo, que rouba a cena com ótimos solos melódicos que quebram um pouco o peso da música.

7) Four Elements
Álbum: 3 (2002)

A décima primeira faixa do "3" é uma boa prova de que, se feita com moderação, a mistura de metal com world music pode ser ótima. A primeira metade da música é o que de melhor Max fez na sua fase mais Groove/Nu Metal, os riffs são pesados mas ao mesmo tempo o ritmo da música tem um certo swing (mérito do excelente Roy Mayorga na bateria). A melhor parte da música vem na marca de 01:37 quando Max, amparado por uma bateria furiosa, canta "Heart, Fist, Soul, Mind" (o que lembra um trecho semelhante de "Clenched Fist" do Chaos A.D.). Já a segunda metade da música, com guitarras orientais e muita percussão, é calma na maior parte do tempo exceto no final em que Max volta para cantar as mesmas quatro palavras de antes.

6) Touching the Void
Álbum: Conquer (2008)

"Touching the Void" parece saida de um álbum do Crowbar com seu riff principal arrastado, sujo e pesadíssimo. A música se estende por quase 8 minutos, o que dá tempo de sobra para Max entregar uma performance vocal poderosa, para um riff mais com a cara do Soulfly aparecer entre 02:30 e 03:40 e para um final exótico com percussões, vozes e barulhos estranhos. A se destacar também os vários detalhes da guitarra de Marc Rizzo que dão um clima apocalíptico à música.

5) Terrorist
Álbum: Primitive (2000)

No meio da salada que é "Primitive" com inúmeras participações de vocalistas, está "Terrorist", música que conta com a participação de Tom Araya. O Slayer chegou a flertar com o Groove Metal em "Diabolus in Musica", mas Tom Araya nunca cantou com tanto swing como em "Terrorist". Ele e Max alternam vocais a música inteira acompanhados por um riff cheio de groove. A rápida segunda metade da música descamba para um território bem mais familiar para Tom Araya. Para completar, os dois vocalistas prestam breves homenagens a suas bandas mais famosas cantando trechos de letras de músicas delas.

4) American Steel
Álbum: Enslaved (2012)

"American Steel" é a sexta faixa de "Enslaved", álbum do Soulfly com sonoridade mais extrema e brutal. Um dos responsáveis por isso é David Kinkade, ex-baterista do Borknagar, que empresta todo o seu talento para esse álbum. Em "American Steel", ele conduz a música desde o início com precisão e agressividade enquanto Marc Rizzo dispara um riff galopante. Mas o que era bom fica ainda melhor na marca de 01:09 quando um riff monstruoso toma conta da música e novamente David Kinkade faz a sua parte para destacá-lo. Ainda há tempo para uma rápida digressão musical com guitarras orientais e um riff quase de Black Metal antes de David Kinkade aparecer novamente com uma linha de bateria Lombardiana.

3) Execution Style
Álbum: Prophecy (2004)

Da introdução de guitarra até um riff furioso de Thrash Metal, passam-se menos de 10 segundos e até o refrão, naquele estilo simples mas marcantes que poucos fazem como o Max, são mais 20 segundos apenas. Com menos de 2 minutos e meio, "Execution Style" é uma das músicas mais intensas e incendiárias do Soulfly, pena que raramente é tocada ao vivo.

2) Titans
Álbum: Archangel (2015)

No outro álbum mais extrema da banda, está lá "Titans", a antepenúltima faixa que une o melhor de vários mundos: Thrash, Groove, Death e Black Metal. Sem nenhuma cerimônia, a música começa com um senhor riff, um dos melhores do álbum. No grandioso refrão (para nenhum fã de Behemoth botar defeito), Max mostra que, se quisesse, poderia ter uma banda de Death/Black Metal. Para finalizar, o riff de uma nota só a partir de 04:00 é tão simples quanto devastador, ainda mais com a ajuda dos coros que dão um ar épico ao desfecho da música.

1) Kingdom (2010)
Álbum: Omen

Kingdom ficou com o primeiro lugar "só" pelo seu riff principal. É por esse tipo de riff que vale a pena "aturar" todas as mazelas nos álbuns do Soulfly. Max é indiscutivelmente um mestre na arte de cunhar um grande riff de guitarra e, mais do que isso, conseguir fazer os outros instrumentos (incluindo sua própria voz) realçarem ainda mais o riff. O riff "saltitante" de guitarra determina o ritmo empolgante e pesadíssimo da primeira metade de "Kingdom" mas perceba alguns detalhes: as aparições do bumbo duplo (nas marcas de 00:22 e 00:58 por exemplo) ou a forma como Max altera ligeiramente sua voz para um tom mais baixo e grave quando volta a cantar em 00:43. São coisas simples mas que deixam a música ainda mais poderosa. O refrão é daquela classe simples mas efetivo (muito graças ao riff de guitarra novamente), e a parte final da música ainda reserva um belo momento de groove.




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