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Livro: Dead Kennedys - Fresh Fruit For Rotten Vegetables

Por Mário Pescada
Em 06/08/14

Prestes a completar 34 anos em setembro, foi lançado simultaneamente no Brasil e EUA o livro Fresh Fruit For Rotten Vegetables (Os Primeiros Anos), de Alex Ogg, sobre aquele que, se não é o disco punk mais importante de todos os tempos, com certeza está entre os 5 mais de qualquer lista.

O autor pretendia lançar o livro durante as comemorações do 25º aniversário de Fresh Fruit For Rotten Vegetables (FFFRV), mas cada vez mais o lançamento ficou sendo postergado devido as constantes brigas e ações judiciais entre os ex-integrantes, sobretudo entre Jello Biafra e East Bay Ray.

Qual o segredo de FFFRV ser relevante até hoje? O disco é a junção de letras irônicas, sarcásticas, humor negro e diretas como um soco, mais um instrumental bem executado e marcante (lembra do baixo na introdução de Holiday In Cambodia, não é?). O punk já existia, claro, mas o DEAD KENNEDYS foi um sopro de novidade. A banda foi além do "foda-se o Governo" que começava a surgir na terceira onda punk, atingindo o público de uma forma bem mais eficaz, fazendo com o estilo fosse além da simples rebeldia e ganhasse conteúdo. E quando você é um adolescente, com seus 12/14 anos, começando a se envolver com música e se depara com algo assim...você se transforma, para sempre. Foi assim comigo e com milhares de pessoas desde então.

A banda se formou na louca San Francisco, habitada por hippies, excêntricos e "esquisitos" de todo tipo ainda na ressaca flower power dos anos 60 a partir de um anúncio de East Bay Ray (Raymond John Pepperell) procurando músicos para tocar punk, mas com um detalhe: que soubessem tocar. Jello Biafra (Eric Reed Boucher) foi o primeiro, seguido por Klaus Fluoridee e por Bruce Slesinger (Ted).

Grupo formado era hora do batismo: DEAD KENNEDYS. O nome já era usado por outra banda, de Cleveland, mas essa desistiu do mesmo porque o nome não deixava eles conseguirem shows. Para se ter uma noção do impacto desse nome, é como se você formasse uma banda aqui no Brasil, hoje, e ela se chamasse Os Sarney Mortos. Chegaram a pensar em GANG OF FOUR antes mesmo desse nome ser usado anos depois pela banda atual! Jello Biafra diz: "temos um senso de humor e não temos medo de usá-lo de maneira feroz, se precisarmos. De certa maneira, somos terroristas culturais, usando a música ao invés de armas".

A estreia foi em 19 de julho de 1978 no Mabuhay Gardens (o CBGB local) já com as apresentações teatrais de Jello Biafra (junção da gelatina Jell-O com a região africana Biafra que sofreu ação militar causando a morte de aproximadamente um milhão de pessoas) interpretando personagens no palco durante as músicas, o que provocava a plateia mais ainda. Sempre polêmicos, chegaram a fazer um show justamente no dia 22 de novembro, mesmo dia do 15º aniversário do atentado que matou o então presidente John F. Kennedy. O lugar mais uma vez era o Mabuhay Gardens que foi muito pressionado a cancelar o show, recebeu ameaças de bomba e teve até um caminhão dos bombeiros parado do lado de fora por garantia, esperando o show acabar.

O livro também relata como o DEAD KENNEDYS foi responsável por criar condições para que bandas iniciantes pudessem excursionar pelos EUA, liberação dos shows para todas as idades, não adesão as grandes gravadoras (apesar das propostas tentadoras), constantes embates com políticos, pastores e aproveitadores da cena e a criação da gravadora Alternative Tentacles (que já se chamou Tentáculos Alternativos Missão da Luz Divina) para distribuir seu single de estreia - California Über Alles. O single gira em torno do então governador da Califórnia Jerry Brown, hippies traidores dos ideais dos anos 60, o Big Brother te vigiando e campos de concentração. O lado B trazia Man With The Dogs.

Um dos melhores episódios é a indicação da banda para tocar na premiação local BAMMIES devido ao sucesso do single e burburinho em torno da banda. O problema é que a premiação era organizada pelas revistas de música que ignoravam o punk. Como de costume, era mais uma chance para provocar. A banda entra vestida com camisas brancas com um grande S pintado no peito e gravatas pretas finas que sobre o S formavam um enorme cifrão. Tocaram em ritmo de new wave, o som popular das rádios da época e para fechar a provocação com chave de ouro, tocaram os acordes de abertura de My Sharona, rebatizada devidamente por My Payola (Meu Jabá) e depois uma versão absurda para Pull My Strings composta especialmente para a ocasião (procure a letra dessa música e veja como pouca coisa mudou no meio musical), com solos estilo Hendrix, vocais duplos, etc. Estava cravada a briga eterna com as grandes gravadoras.

Surge então o segundo single, Holiday In Cambodia e seu relato de um mundo cruel fora dos EUA que muitos jovens não conheciam. Um single gravado de forma quase amadora, com equipamentos antigos e bem no espírito "toque e grave". O livro é bem detalhado sobre os equipamentos usados, formas de gravação da época, os poucos recursos disponíveis e os atritos que começavam a surgir entre Jello e East Bay Ray.

Em 1980, depois de vários shows nos EUA e uma curta turnê pela Inglaterra onde a banda chegou a ser banida de Alexandria (sob a alegação de que eles poderiam "alienar os residentes") sai FFFRV. O lançamento do disco não foi bem recebido pela crítica, mas obteve boas vendagens dentro e fora dos EUA.

O livro encerra logo depois sem focar muito nas outras músicas, o que é uma pena, pois FFFRV tem outros ótimos momentos além dos singles já comentados. Particularmente, destacaria Kill The Poor (sobre a eliminação dos indesejáveis através da bomba de nêutrons), When Ya Get Drafted, Let's Lynch The Landlord (inspirada nos problemas com proprietários de imóveis de Jello e East Ray Bay), Drug Me (a sedação diária com Tv, pílulas, revistas, etc.), Chemical Warfare (fantasia de massacre em um clube de campo, com ricos morrendo sufocados por gás mostarda enquanto bebericam seus dry martinis), I Kill Children (segundo Biafra, a letra que mais lhe rendeu dor de cabeça), Funland At The Beach e Viva Las Vegas (sugestão de Ted, a banda queria fazer um cover que ninguém entendesse o porque da escolha).

Há diversas imagens de flyers, colagens de Wisnton Smith, quadrinhos com a história da banda (em inglês) e fotos antigas espalhadas ao longo do livro. Na sessão Blá Blá Blá, testemunhos de Kurt Cobain, Billie Joe Armstrong (GREEN DAY), Rob Flynn (MACHINE HEAD), David Ellefson (MEGADETH), Jeff Hanneman (SLAYER), Scott Crouse (EARTH CRISIS), Dave Grohl, Duff McKagan e outros. Por esses nomes pode-se ter ideia da influência do DEAD KENNEDYS sobre outros estilos.

Como todos sabem, a banda não acabou apesar das tretas constantes. Em 2000, Jello perdeu a briga na justiça para o resto da banda que assumiram o controle sobre o catálogo de discos. A formação atual conta com Skip, East Bay Ray, Klaus Flouride e D.H. Peligro (substituto de Ted), a mesma que fez alguns shows no Brasil em 2013. Mesmo assim, nada mais com material inédito foi lançado.

Dead Kennedys – Fresh Fruit For Rotten Vegetables (Os Primeiros Anos)
Alex Ogg - Edições Ideal

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Sobre Mário Pescada

Mineiro, leitor compulsivo, ouvinte de todas as vertentes do rock - do blues ao grindcore. Valoriza mais a honestidade e entrega em cima do palco do que a técnica. Guarda os flyers dos shows que vai como se fossem relíquias.

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