Stone Temple Pilots: a entrevista perdida de Scott Weiland

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Por Brunelson T., Fonte: Rock in The Head
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Em 2004, num momento em que a banda VELVET REVOLVER tinha o disco nº 01 nas paradas americanas, o vocalista falou sobre as suas letras nervosas, sobre a sua original banda, STONE TEMPLE PILOTS (que estava em hiato), e sobre a sua complicada relação com as drogas.

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"Eu estou de saco cheio de falar sobre heroína e cocaína”, Scott Weiland disse à revista Rolling Stone, em 2004. "Eu estou de saco cheio de falar sobre como é estar no banco de trás de um carro de polícia".

A revista Rolling Stone estava acompanhando o VELVET REVOLVER em turnê de dentro do ônibus da banda, que tinha acabado de chegar ao nº 01 das paradas com o seu disco de estreia. Scott Weiland estava magro e tenso, mas tranquilo quando conversávamos sobre jogos de RPG. Ele se lembrou de quando era uma criança e nevava demais para ir à escola, então, ele podia passar o dia se divertindo em jogos de RPG.

Mas a entrevista, assim como a vida dele, sempre acabava voltando para o tema das drogas. Leia abaixo trechos inéditos dessa conversa que a revista só havia liberado em 2015, depois da sua morte.

O STONE TEMPLE PILOTS não recebeu críticas boas até vocês lançarem a música, "Interstate Love Song", no 2º álbum da banda...

Scott: Sim, aquele single foi muito bem recebido. O engraçado é que, quanto melhor as resenhas ficavam, menos vendíamos. No início, éramos uma banda para o público, mas depois, nós começamos a experimentar coisas novas. Nós ficamos de saco cheio daquele rock básico e começamos a ouvir músicas mais obscuras para tentar novas coisas. Houve um período em que eu realmente odiava o rock.

Os nossos gostos mudaram e o nosso leque de opções se expandiu, de forma que assim nós alienamos o nosso público médio que gostava mais das coisas normais. Você acaba percebendo que a maioria das pessoas que compram os nossos discos não é a população de fãs de uma cidade grande, portanto, nós fomos ficando mais sofisticados depois...

Se você fosse fazer os discos do STONE TEMPLE PILOTS novamente, você teria…

Scott: Eu não teria mudado nada, mas muito daquilo tinha a ver com a minha experiência com as drogas, o que mais tarde se tornaria uma dependência de drogas. As drogas são boas por um tempo, em termos de criatividade elas te dão uma centelha... Na verdade, elas fazem você ter uma objetividade durante a criação de alguma música ou letra, por exemplo...

Como assim?

Scott: Toda vez que você se arrisca como artista é algo assustador, especialmente se você já faz muito sucesso. Quando você alcança muita gente, quero dizer, as massas, é mais fácil ficar naquele nicho, sabe? Ainda mais se você está ganhando muito dinheiro e sabe que tem uma fórmula que funciona... É fácil ficar naquilo. Mas quando eu comecei a usar heroína, percebi em mim um senso de objetividade. Eu consegui intelectualizar a forma como via a minha música e me distanciar dela... Tirou de cena aquele aspecto assustador de me arriscar artisticamente e então, eu pude correr mais riscos e explorar mais coisas. Sabe, partir para uma nova aventura sônica.

Mas deve ter havido um lado ruim?

Scott: Quando eu comecei a experimentar mais drogas foi quando nós começamos a avançar como banda, sendo que eu levei isso bem longe no meu disco solo. Mas o que acabou acontecendo foi que, quanto mais eu me permitia usar drogas, mais aquilo virou uma dependência e uma muleta para mim. Fiquei exasperado e perdi a capacidade de sentir as coisas emocionalmente falando. Eu comecei a sentir que havia um cobertor sobre o meu coração...

Houve um período em que o STONE TEMPLE PILOTS e eu não estávamos fazendo música juntos e não estávamos nos dando nada bem, mas eu tinha o meu próprio estúdio e então fiquei compondo e gravando muita coisa. Só que algo me disse para não lançar aquilo... Era tudo fluxo de consciência, sagaz, mas não tinha substância alguma na verdade.

Depois, nós fizemos o nosso 4º álbum de estúdio (“Nº 4”, 1999) e que não foi o nosso melhor disco, sabe? Mas ele tem alguns momentos muito bonitos... A música, "Sour Girl", está naquele álbum e eu acho que a canção mais emocionante desse disco provavelmente seja a música "Atlanta". Possui umas 11 ou 12 canções naquele álbum, mas pelo menos têm umas 05 músicas que eu considero muito fortes também. E aí, é claro, foi quando eu fui preso logo quando iríamos sair em turnê para promover esse disco...

O que você aprendeu indo para a cadeia?

Scott: Foi isso que me levou a passar mais de 02 anos vivendo completamente limpo. Foi aí que eu aprendi a ser persistente para organizar a minha vida. Muitos artistas que são dependentes de drogas têm esse medo de que não vão conseguir compor músicas se não estiverem chapados, mas eu não tenho esse mesmo medo, sendo que é muito mais fácil para mim acessar as minhas emoções do jeito que eu estou agora.

Eu tenho distúrbio bipolar e eu já tenho muitas mudanças de humor... É algo com que eu tenho que lidar todos os dias. No quesito performance, se apresentar quando você está chapado não é nada agradável, mas a heroína provavelmente é mesmo a pior droga para a sua voz, porque ela seca toda a sua garganta, sabe?

De onde vem essa raiva contida nas suas letras?

Scott: Eu só não quero ser empurrado para o cantinho, cara. Toda vez que eu me sinto enfiado em uma caixa, eu me manifesto, sabe? A minha reação primordial é de atacar... É um personagem diferente que está no palco quando estou fazendo um show com toda aquela sexualidade sombria, que é uma coisa totalmente diferente de mim... Sabe, eu não deixo ninguém saber quem eu sou de verdade...

Como você definirá o sucesso com o VELVET REVOLVER?

Scott: 02 respostas: o quão grande será a minha próxima casa e o quão feliz eu estou a cada dia quando acordo. Se eu não tivesse tido que me esforçar tanto para mudar, eu não seria o homem que sou hoje. Amo a minha esposa, amo os meus filhos e amo a minha vida atual.

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