Krisiun: Eu vejo o metal no Nordeste como uma força nacional

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Por Leonardo Daniel Tavares da Silva
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Nas mãos de uma das maiores bandas brasileiras, o KRISIUN, foi colocada a responsabilidade pelo começo do fim. A banda gaúcha foi a primeira a se apresentar nesta segunda-feira no Estacionamento da FIERGS e abriu oficialmente a última turnê no Brasil dos pais do Heavy Metal, o BLACK SABBATH. O trio de brutal death metal formado porAlex Camargo (baixo/vocal), Moyses Kolesne (guitarra) e Max Kolesne (bateria) também é uma das atrações do Maniacs Meeting Festival. O evento será realizado durante três dias, na Fazenda Evaristo, em Rio Negrinho (SC), promete atrair pessoas de várias cidades como Curitiba (115 km), São Paulo (518 km), Porto Alegre (619 km), Rio de Janeiro (965 km) e Belo Horizonte (1.140 km). Este foi mais um dos assuntos sobre os quais conversei com Moyses Kolesne este ano. A primeira parte da entrevista você confere aqui:

Krisiun: Surpresas nos shows em São Paulo

Confira agora a segunda parte de nossa conversa com Moyses Kolesne.

Daniel Tavares: Este ano nós tivemos a notícia de que uns conterrâneos de vocês voltaram à ativa e inclusive já tem shows no exterior também, a REBAELLIUN. O que você acha disso? Quando eu os entrevistei eles falaram muito bem de vocês. E o que você tem a falar sobre eles também?

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Moyses Kolesne: É muito legal, cara. Sou muito amigo dos caras. A gente se conhece desde a época de Porto Alegre e ver eles voltar é maravilhoso. O Brasil às vezes está carecendo de bandas brutais hoje em dia. Muitas bandas vem e voltam, né? Eu espero que eles venham e fortaleçam a cena, que continuem tocando cada vez mais, crescendo cada vez mais... É uma grande banda. Admiro muito. Tenho muito orgulho de ter conhecido os caras desde moleque lá em Porto Alegre. É algo muito positivo isso aí.

Daniel Tavares: Vocês são atração confirmada no Maniacs Metal Meeting. Vocês já podem adiantar alguma coisa sobre esse festival?

Moyses Kolesne: Mano, espero que seja um festival muito legal, que o cara faça direito, que o público compareça, que apoie esse cara, o Cronos Entertainment, que está fazendo um trabalho muito bom. Talvez as pessoas pensem que tem a ver com o Zombie Ritual, que era em Rio Negrinho, na mesma fazenda. Só que é outro cara, é outra produção. É um cara muito sério, então, eu tenho certeza de que vai ser um festival muito legal, feito por um cara que é bem responsável. E que as pessoas não tenham medo de ir, que com certeza vai ser um festival muito legal esse aí.

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Daniel Tavares: Continuando a falar sobre shows, agora no exterior, você vê diferenças na forma como vocês, como o KRISIUN é recebido na Europa e nos Estados Unidos?

Moyses Kolesne: Mano, basicamente, muito parecido. Hoje em dia a globalização está aí. É muito parecido no mundo todo. Não tem uma grande diferença. Talvez, em alguns lugares como o Japão, o povo é assim um pouco mais quieto, mais... tem um entusiasmo, mas se expressam de uma maneira um pouco diferente. E nos Estados Unidos, eu acho que o povo é um pouco mais louco. Eles curtem mais mosh pit. Na Europa também, tem alguns lugares que o povo fica bem louco. Eu acho que antigamente achavam que o povo era diferente, mas o que eu tenho visto é que essa nova geração é muito parecida. No mundo todo a molecada vai, fica bem louca no show, curte. Alguns fazem stage dive, outros ficam no mosh pit, outros ficam na grade, outros ficam só batendo cabeça. E eu acho muito parecidos, o europeu o americano são muito parecidos no espírito deles.

Daniel Tavares: E das bandas de hoje? Ultimamente a gente tem só perdido grandes personalidades da música. E das bandas de hoje, da molecada ou das que já tem algum tempo de estrada, quais são as que você acha que tem potencial para continuar honrando o gênero do Heavy Metal, do Death Metal?

Moyses Kolesne: Hoje, pra ser sincero, às vezes me foge um pouco o nome das bandas. Se parar pra pensar, até tenho na cabeça algumas, mas eu acho que meio que quem está segurando no Death Metal são as bandas antigas, que continuam levando o estilo do Death Metal mais brutal, CANNIBAL CORPSE, que está no topo do Death Metal, MORBID ANGEL, que está voltando. Tem SUFFOCATION, tem IMOLATION. No Brasil tem o REBAELLIUN, como você falou, tem o ANGEL CORPSE, falando mais em Death Metal mesmo. Tem o DECOMPOSED GOD, que é do Recife. Tem muitas bandas muito boas, muitos moleques vindo com tudo, com bastante força, uma vibe boa. Eu acho que o futuro é promissor. Tem muita banda ainda tocando. O Death Metal está forte, tanto que a gente vai tocar nesse Summer Slaughter nos Estados Unidos, que é um país que dizem que é super modista e não sei o que, mas está lá o festival que está reunindo os nomes bem brutais da cena atual e, com certeza, levando o Death Metal para um patamar mais elevado e tentar resgatar o que o Death Metal era alguns anos atrás [o festival aconteceu em agosto com nomes como CANNIBAL CORPSE, NILE, SUFFOCATION e o próprio KRISIUN].

Daniel Tavares: Vocês já dividiram o palco com muitas bandas que vocês eram fãs, que vocês ainda são fãs. Vocês já viram também alguns músicos dessas bandas bangueando no show de vocês, curtindo o show de vocês. Como é que é essa sensação de dividir o palco com um CANNIBAL CORPSE, de depois ver que o CANNIBAL CORPSE está bangueando no show de vocês? Como é que é, o que é que você sente?

Moyses Kolesne: Ah, o reconhecimento de um trabalho, né? Tipo, os caras são os papas do Death Metal. Não só eles, mas bandas... a gente tocou num festival europeu e eu vi o Kerry King [SLAYER], o Gary Holt [SLAYER/EXODUS], os caras tudo atrás do palco vendo o show, os caras do SEPULTURA, RATOS DE PORAO. Teve até o Bill Ward do BLACK SABBATH mencionando o KRISIUN. Então, pra nós isso aí é uma satisfação muito grande. É o reconhecimento de um trabalho em que a gente se sente realizado. Mas sempre com o pé no chão. A gente não se deslumbra com nada, sabe que o som tem essa característica que é diferente das bandas europeias, americanas... tem um som tipicamente brasileiro, mais cru, mais visceral. E a gente consegue levar essa característica, essa identidade própria e, por isso, talvez, esses caras dessas bandas veem o KRISIUN como algo próprio, algo que tem uma identidade própria, não precisa ficar copiando eles. Então os caras talvez admirem esse lance.

Daniel Tavares: E, falando sobre o último CD, o 'Forged in Fury', foi um grande sucesso. Vocês já tem planos para um novo álbum, vão gravar um novo DVD? Até gostaria de saber se a jam que vocês fizeram com o DESTRUCTION no Rock In Rio se ela não caberia nos extras de um novo DVD se vocês por acaso forem gravar. Quais são os planos de vocês?

Moyses Kolesne: Com certeza. Um DVD faz parte dos planos. A gente tem muito material gravado, de estrada, de shows e, com certeza, a gente quer por tudo isso num DVD e lançar em breve. E a gente também tem que cumprir com a agenda de turnê, de shows, para talvez depois do ano que vem, depois do primeiro semestre começar já a pensar em gravar o novo álbum, né? No momento a gente quer mais é cumprir com os shows que a gente tem que fazer. A gente está focado nisso. Vamos fazer tour na Europa, nos Estados Unidos, estamos bem concentrados nisso, fazer uns shows no Brasil. Depois que isso aí passar a gente vai começar a compor um novo material e nesse meio tempo juntar material pra um DVD também.

Daniel Tavares: O estilo de vocês é bastante brutal, mas quando vocês estão fora do palco... quem tem a oportunidade de estar com vocês fora do palco vê que vocês são gentis, são simpáticos, que é a postura que todo artista deveria ter. Mas o que é que tira vocês do sério? O que dá inspiração pra compor num estilo tão brutal como o Death Metal? O que vai na cabeça de vocês quando vocês começam a escrever? O que é que vocês não gostam, o que vocês gostam, o que inspira vocês?

Moyses Kolesne: Desde moleque, desde o nosso primeiro disco a gente sempre teve essa ideologia de tocar um som brutal, um som rápido, visceral, fazer o metal ser underground, ter ideologia... E o Death Metal hoje em dia é uma música assim que vai contra as modas. Hoje em dia o metal tem muitos estilos muito pop. O metal virou algo muito modista. E a gente sempre procura fazer uma música com uma essência verdadeira no Death Metal mesmo. O que nos tira do sério? A gente é muito bem situada como banda. A gente sabe muito bem o caminho que a gente quer seguir, então a gente não tem muita surpresa. A gente conseguiu quebrar várias barreiras tocando esse estilo de música, vindo do underground, vindo de baixo, sem ter tido empresário, sem ser de família rica. Somos de família humilde, vindos de uma cidade pequena. Então a gente é muito focado nesse esquema do som do KRISIUN, ele nasceu assim e vai morrer assim. Tudo bem, tem o amadurecimento, tem uma produção melhor hoje em dia, mas a ideologia continua intacta, continua sendo uma música de fúria mesmo, de paixão pelo som brutal mesmo. Então eu acho que isso é o que nos mantém, que a gente leva essa característica do KRISIUN. Eu acho que está situado nesse lance, de ter essa ideologia do KRISIUN, de ter que soar assim, tem que ser assim da maneira que é de uma forma natural. Não é nada forçado. A gente não se deixa levar por moda ou por crítica, por isso e aquilo. A gente é uma banda que tem o pé no chão. E que por pior que esteja a situação a gente sabe que a nossa música é essa e vai continuar fazendo ela pra sempre.

Daniel Tavares: E sobre as bandas do Nordeste, além da OBSKURE, que a gente sabe que vocês são irmãos. O que vocês conhecem das bandas do Nordeste, como vocês enxergam o metal que é produzido aqui no Nordeste, nos estados como Ceará e Pernambuco?

Moyses Kolesne: No momento, eu conheço OBSKURE, como você falou, tem o DECOMPOSED GOD, que é uma banda muito boa, né, cara? Mano, tem outras bandas que no momento me fogem da memória. Qual outra banda que tem? Quais as bandas que... só pra tentar me lembrar...

Daniel Tavares: Tem a OBSKURE, tem a SIEGE OF HATE, que toca uma mistura de...

Moyses Kolesne: Ah, essa aí é muito boa. Tocou conosco lá no show em que o EXODUS não tocou em Fortaleza.

Daniel Tavares: Sim.

Moyses Kolesne: Essa banda é muito boa. Né, o Bruno, grande baterista, acho que agora tá tocando guitarra, né? Sim. Muito boa essa banda. Essa banda é muito boa. Tem o FACADA que também é do Ceará também. Mano são muitas bandas. Os nomes me fogem. Já no fim do dia, muito turbulento. Mas eu sei que tem uma cena muito boa, tem muitos bons músicos, bandas muito boas. Quando a gente vai a gente tem o prazer de dividir o palco e tocar com eles. Muita coisa boa aí no Nordeste. Eu vejo o metal no Nordeste como uma força nacional, não só em público, mas também com músicos muito bons.

Comente: Qual a sua opinião sobre a cena do Nordeste?




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Sobre Leonardo Daniel Tavares da Silva

Daniel Tavares nasceu quando as melhores bandas estavam sobre a Terra (os anos 70), não sabe tocar nenhum instrumento (com exceção de batucar os dedos na mesa do computador ou os pés no chão) e nem sabe que a próxima nota depois do Dó é o Ré, mas é consumidor voraz de música desde quando o cão era menino. Quando adolescente, voltava a pé da escola, economizando o dinheiro para comprar fitas e gravar nelas os seus discos favoritos de metal. Aprendeu a falar inglês pra saber o que o Axl Rose dizia quando sua banda era boa. Gosta de falar dos discos que escuta e procura em seus textos apoiar a cena musical de Fortaleza, cidade onde mora. É apaixonado pela Sílvia Amora (com quem casou após levar fora dela por 13 anos) e pai do João Daniel, de 1 ano (que gosta de dormir ouvindo Iron Maiden).

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