Turisas: Sepultura foi pioneiro do Folk-Metal

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Por Leonardo Daniel Tavares da Silva, Fonte: Daniel Tavares
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Iku-Turso, o turso eterno, é um monstro marinho na mitologia finlandesa e é também conhecido como Deus da Guerra e pelos nomes Iku-Tursas, Iki-Tursas, Meritursas, Tursas, Turisas. Este último termo também dá nome a banda finlandesa de folk-metal TURISAS, que se apresenta em três cidades brasileiras em outubro, Curitiba [02/10], São Paulo [03/10] e Rio de Janeiro [04/10]. Conversamos com o vocalista Mathias Nygård sobre as espectativas para os shows ("nenhum será igual ao outro"), sobre o Folk-metal, sobre a influência do SEPULTURA e, claro, sobre a maquiagem preta e vermelha. Confira a conversa na íntegra logo abaixo.

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Vocês vão voltar ao Brasil para uma nova turnê. O que os fãs brasileiros podem esperar desta turnê?

Mathias Nygård: Nossa última visita foi há dois anos e meio atrás e desde então nós lançamos um novo álbum, "Turisas2013", e também redesenhamos completamente nosso palco e setlist. Entretanto, nós não estamos focando apenas no novo álbum e em suas canções, mas apresentando um set equilibrado passando por todos os nossos quatro álbuns e também em canções que não tocamos na turnê anterior. Nós também gostamos de dar um show diferente toda noite, então, eu tenho certeza de que nenhum dos shows brasileiros será exatamente o mesmo.

O que você lembra da última turnê? O que você gostaria de ver ou ter novamente e o que poderia ser melhorado?

Mathias Nygård: Da última vez nós já estávamos em turnê por sete semanas quando rumamos para a América do Sul então eu tenho que admitir que todo mundo estava realmente cansado. Fazer turnês pela América do Sul significa voar por muito tempo e dormir pouco, então é muito desafiador fisicamente. No entanto, os shows foram grandiosos e a energia do público realmente ajuda. Desta vez, nós estamos vindo apenas para esta turnê, renovados após escrever novas canções e cheios de energia extra esperando para ser liberada ao vivo.

Eu estou curioso sobre a maquiagem de guerreiros vermelha e preta que vocês usam. Deve haver fontes abundantes na Internet sobre isto, mas eu quero ouvir de vocês, de onde ela veio e porque é tão importante para o mise en scéne do TURISAS?

Mathias Nygård: Quando você escuta o nome TURISAS, o que as pessoas usualmente pensam primeiro é na maquiagem preta e vermelha. Interessantemente, ela não era parte da banda no começo, mas foi algo que evoluiu naquilo que é hoje ao longo dos três primeiros álbuns. Isso começou com a gente pintando nossos rostos com sujeira e alguns respingos de sangue, e então, show após show, ficou um pouco fora de controle. Hahahha. A TURISAS tem sempre evoluído álbum após álbum e para nós o que nós somos hoje é provavelmente o que nós não seremos amanhã. Isso é o que mantem a coisa interessante pra nós mesmos e, esperançosamente, os fãs também podem apreciar o fato que nós tentemos encontrar novas maneiras de nos expressar ao invés de apenas fazer o mesmo ano após ano.

E quanto aos cinco personagens que aparecem nas imagens dos anúncios da turnê e no pano de fundo de palco, um padre, um anjo, um guerreiro, o que você pode nos contar sobre eles? Quem eles são?

Mathias Nygård: Este ano nós queríamos redesenhar nosso palco para as turnês que fizemos na Europa e percebemos que realmente nunca utilizamos visualmente o tema bizantino que é fortemente presente especialmente em "Stand Up And Fight". Então nós fomos pintados no estilo dos ícones e santos ortodoxos orientais. Levou muita pesquisa para conseguir fazer direito, mas eu estou realmente feliz com o resultado. Isso realmente traz a história ao vivo no palco.

E quais são os novos planos do TURISAS? Quando nós podemos esperar um novo álbum do TURISAS? Algum show está sendo gravado para algum vindouro DVD?

Mathias Nygård: Nós temos tirado algum tempo para planejar nossos próximos passos e, sim, um novo álbum eventualmente. Até agora, eu tenho desenvolvido principalmente o conceito do trabalho que vai chegar e não tenho escrito muitas canções ainda. Eu acho que ainda precisamos do próximo ano para trabalhar nele, mas o que eu estou desenvolvendo está se tornando rapidamente o lançamento mais ambicioso que nós fizemos até agora. Eu acho que um DVD ao vivo etc teria que esperar até que estejamos em turnê com o novo álbum - o que será apenas daqui a uns poucos anos à frente...

Sobre o processo de composição das canções. De onde a inspiração para sua música vem (além de batalhas medievais, guerreiros varegues, é claro)? O que vem primeiro? A parte Metal ou a parte Folk? Você acha que é mais difícil escrever canções do TURISAS do que outros gêneros de música?

Mathias Nygård: Eu não vejo a nossa música consistindo em partes Metal vs. partes Folk Na verdade, até o termo "Folk Metal" é bem corrompido, mas enquanto significar alguma coisa para as pessoas, não tem problema. É como o rock gótico que também não tem nada a ver com os godos também. A música Folk tem sempre sido uma influência na nossa música, mas é só uma influência entre muitas outras. O que vem primeiro é a estória. Isto é o que nos diferencia da maioria das bandas, enquanto nós não compomos baseados em riffs, etc, mas mais como escrevendo uma trilha para uma estória. Fazendo uma trilha sonora de uma certa forma. Sim, eu penso que é definitivamente mais desafiador e consome mais tempo também, mas a vividez na música e a atenção ao detalhe é o que os fãs adoram na gente.

Esta é uma questão que eu sempre pergunto para meus entrevistados. Existe algum artista brasileiro ou banda, em qualquer estilo, que você goste ou que esteja interessado ou mesmo que tenha tido uma influência no seu estilo de música?

Mathias Nygård: Quando estávamos crescendo, o SEPULTURA foi uma das bandas mais importantes para mim. Eles estavam sempre à frente de seu tempo e compuseram músicas que não tinham medo de combinar elementos que nunca haviam sido combinados antes. De muitas maneiras eles foram os pioneiros do Folk Metal quando o Folk Metal como um gênero nem existia. Eu não acho que você consiga escutar a influência deles na nossa música, mas ela está definitivamente lá em sua atitude. Nós queríamos um nome de banda que não significasse nada em inglês e que fosse completamente único em todo o mundo. Isto foi influenciado 100% pelo SEPULTURA.

Existe uma canção da banda brasileira ANGRA que me deixou muito orgulhoso da última vez que eu ouvi. Eu já tinha ouvido a canção muitas vezes antes (ela está no seu segundo álbum) mas este sentimento nunca me tinha vindo à mente. A banda tinha acabado de voltar de uma turnê no Japão e tinha tocado esta canção, cujo nome é "Holy Land", em vários shows e eu fiquei feliz quando o pensamento me ocorreu de que a banda estava levando, por vários anos, ritmos brasileiros para o mundo inteiro. E eles nem eram considerados Folk Metal. Você compartilha deste sentimento? Você se sente orgulhoso de saber que, além da parte Heavy Metal, a parte que vem da
música nativa da Finlândia é amada por fãs no mundo inteiro e vocês desempenham uma parte importante nisso?

Mathias Nygård: Eu não sei. Certamente, é lisonjeiro ver tanto interesse gerado em direção à Finlândia e à cultura finlandesa por causa das bandas de metal. Mas, no final, eu não vejo a cultura como alguma coisa que alguém possua e possa reivindicar baseados em onde elas nasceram ou algo assim.

Existe algum lugar em que vocês ainda queiram tocar mais ainda não tiveram a chance ainda?

Mathias Nygård: Mais cidades no Brasil. E talvez algum festival também. Sim, um festival no Brasil - isso seria fascinante.

Nós chegamos ao final da nossa entrevista. Obrigado pela oportunidade. Você gostaria de deixar uma mensagem para todos os seus fãs brasileiros, especialmente para aqueles que vão comparecer aos seus shows?

Mathias Nygård: Obrigado! Eu gostaria de agradecer a todos os nossos fãs brasileiros pelo apoio e pela acalorada recepção. Eu sei que nós temos uma base de fãs realmente ativa no Brasil e eu espero que a maioria consiga comparecer aos shows que vão acontecer. Compre um ingresso. Você não vai se arrepender!




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Sobre Leonardo Daniel Tavares da Silva

Daniel Tavares nasceu quando as melhores bandas estavam sobre a Terra (os anos 70), não sabe tocar nenhum instrumento (com exceção de batucar os dedos na mesa do computador ou os pés no chão) e nem sabe que a próxima nota depois do Dó é o Ré, mas é consumidor voraz de música desde quando o cão era menino. Quando adolescente, voltava a pé da escola, economizando o dinheiro para comprar fitas e gravar nelas os seus discos favoritos de metal. Aprendeu a falar inglês pra saber o que o Axl Rose dizia quando sua banda era boa. Gosta de falar dos discos que escuta e procura em seus textos apoiar a cena musical de Fortaleza, cidade onde mora. É apaixonado pela Sílvia Amora (com quem casou após levar fora dela por 13 anos) e pai do João Daniel, de 1 ano (que gosta de dormir ouvindo Iron Maiden).

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