Kenny Håkansson: ex-The Hellacopters fala sobre livros e música

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Por Leonardo Moreira
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Durante quase 15 anos o baixista Kenny Håkansson fez parte de uma das bandas mais influentes das décadas de 90 e 2000, o The Hellacopters. Aos 41 anos, atualmente tem se dedicado a múltiplas atividades, como as gravações e shows com a banda Mary's Kids, os preparos para o lançamento de seu projeto solo de folk Kenny Håkansson's Lovecult e, principalmente, a cuidar da sua livraria KasperNatt.

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Em entrevista, o sueco conta como passou de referência no cenário rock 'n' roll a vendedor de livros esotéricos e comenta suas novas empreitadas musicais, o relacionamento com os membros da antiga banda e as novidades que devem surgir em breve.

Leonardo Moreira: Este mês se completaram seis anos desde o fim do The Hellacopters e obviamente a vida seguiu em frente, então você deve ter feito muitas coisas desde então. Você gostaria de compartilhar com a gente o que está rolando ultimamente?

Kenny Håkansson: Bom, a coisa mais importante na minha vida desde a separação do The Hellacopters eu acho que é o fato de eu e minha namorada termos ficado responsáveis pela antiga cabana da minha avó. Nós passamos bem um terço do ano lá nos bosques, nos últimos cinco anos ou algo assim, então isso tem sido uma grande parte da minha vida. Tem uma linha de energia sendo erguida bem em cima dela [a cabana], então o lugar vai ser derrubado para ser recuperado pela natureza.

O tempo na cidade eu passei abrindo uma pequena livraria esotérica/underground chamada KasperNatt. Eu também consigo uns bicos para escrever vez ou outra e ocasionalmente discoteco no bar local Garlic & Shots.

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LM: Como surgiu a ideia de começar uma livraria? Qual a sua relação com livros e que tipos as pessoas podem encontrar na sua loja?

KH: Eu abri minha primeira versão da KasperNatt quando tinha 16 anos e deixei Estocolmo para tocar em uma banda na cidade de Gefle, que fica duas horas ao norte. Eu curto livros desde quando consigo me lembrar. E eu tento reunir livros que eu acho úteis de uma forma ou outra. Qualquer coisa relacionada a arte/ fotografia/ música/ poesia/ autobiografias/ excentricidades/ herbalismo e trabalhos com plantas, hermetismo, entre outros esotéricos.

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LM: Musicalmente você também se manteve ativo, envolvido em projetos como as sessões com Sofia Härdog e, mais recentemente, você entrou para o Mary's Kids. Você poderia contar um pouco sobre estes e outros projetos de que participou?

KH: Eu toquei baixo com o Royal Cream (com Kurt do Sewergrooves), acompanhei a Sofia Härdig com o The Needles por um tempo. Eu tive uma banda com o Stefan, do Randy, por um tempo também e nós chegamos a fazer um show com o Mary's Kids, com quem eu toco baixo atualmente.

LM: Especificamente sobre o Mary's Kids, como surgiu o convite para entrar para a banda? E como tem sido até agora?

KH: Mary's Kids tem sido fantástico! Nós lançaremos a coletânea de singles Crust Soup em novembro, um [disco de] 10 polegadas e outras coisas também, eu acredito. Marianne simplesmente me ligou e perguntou se eu estava a fim ou não de tocar punk e me pareceu divertido, então eu topei. Nós gravamos algumas faixas para um Split de 7 polegadas com o T-55s e uma coletânea na mesma semana em que eu entrei para a banda.

LM: Tem algumas fotos do Nicke Andersson tocando bateria na página do Mary's Kids no Facebook. Como ele está envolvido neste projeto?

KH: Nós gravamos algumas músicas no estúdio do Nick e não tínhamos um baterista naquela época, e como ele é um puta baterista, assumiu as baquetas naquelas faixas. Ele tem feito várias coisas com o Mary's Kids ao longo dos anos.

LM: Falando nisso, como ficou a relação entre os membros do The Hellacopters?

KH: É ótimo quando a gente se vê, mas isso não acontece com muita frequência. Mas é sempre muito divertido quando rola.

LM: Há alguns dias foi mostrada ao público pela primeira vez uma música do Kenny Håkansson's Lovecult, seu projeto solo. Você pode revelar algo sobre isso?

KH: É uma pilha de músicas que eu tenho feito na cabana do bosque. As gravações que fiz até agora são apenas "notas pessoais" e nunca pretendi lançar, mas um amigo meu que trabalha no selo Burgmanziah quis lançar um 7 polegadas de versões cruas das sessões na cabana. Eu realmente queria algum tipo de manifestação do trabalho que eu fiz lá, agora que o lugar não existe mais, então por razões puramente pessoais eu acho fantástico que alguém queira fazer um disco.

LM: Você comentou sobre ir para o bosque para escrever algum material para o Lovecult. Como é o processo de composição para você?

KH: Essas músicas foram praticamente todas escritas ao ar livre em noites sob as estrelas, com um pequeno riacho por perto e uma fogueira acesa. Todos os elementos presentes, sabe, o oposto de estar em um apartamento à luz de lâmpadas, então eu tenho certeza que de alguma maneira isso deu forma às músicas [risos]. Nas melhores vezes as músicas se escrevem sozinhas, qualquer músico pode confirmar isso. Você brinca com alguns acordes e dá de cara com uma nota que amarra tudo junto para revelar uma música.

LM: Qual é a sua conexão com a escrita? Você contribuiu bastante para bandas como o Entombed e o The Hellacopters. Como é escrever e apresentar as músicas do seu próprio projeto?

KH: Eu sempre escrevi. Todo tipo de coisas, não só letras de músicas. E eu tenho feito música de todos os tipos a minha vida inteira. Então não é nenhuma novidade, sabe.

LM: Suas letras para o Lovecult têm um teor místico, assim como algumas das que você escreveu no passado para o Entombed, por exemplo. Além disso, a sua loja está intimamente ligada a isso. O que você pode comentar sobre o assunto?

KH: Eu leio um montão de coisas místicas e com certeza isso influencia meu "vocabulário poético" [risos]. Eu acho o trabalho de pessoas como Swedenborg, Paracelso e Eliphas Lévi altamente agradável e eu curto muito a escolha não ortodoxa de palavras que eles fazem. Quer dizer, diferentes tipos de esoterismo têm sido um campo de interesse para mim desde quando consigo me lembrar. Esse interesse me levou a me tornar um completo bibliófilo desde muito jovem e a começar a comprar e vender livros e abrir a minha própria livraria.

LM: Suas novas músicas são tranquilas e mais intimistas. Isso é um reflexo de como você se sente agora? Conta um pouco para a gente.

KH: Bom, não necessariamente um reflexo de como eu me sinto, mas é assim que eu gosto que música soe. Nua e crua ou algo assim. Eu não toco violão muito bem, mas não me nego o prazer de ser criativo e fazer música. Esse é o jeito com que a música soa quando eu toco. Agora experimentem vocês mesmos e vejam como as suas soam!

LM: Tem mais alguém envolvido com o Kenny Håkansson's Lovecult?

KH: Eu estou trabalhando em algumas gravações de guitarras e efeitos com meu amigo Måns Månson, do The Flight Reaction. Acho que no futuro pode se tornar uma banda em alguns momentos e só eu em outros. Eu vou deixar o culto aberto!

LM: Quais são seus planos em relação ao Lovecult? A gente pode esperar mais gravações, apresentações e tudo mais?

KH: Vai sair esse 7 polegadas pelo Burgmanziah, a artista Louise Fagerlund está fazendo a capa e o que eu vi até agora está perfeito e eles têm falado sobre um encarte e um patch para acompanhar o disco. Eu acho fantástico! E tenho falado sobre um split com Alessio, do King Mastino. Ele tem umas coisas rolando mas não posso falar muito sobre isso ainda.

LM: Falando sobre escrita e música, tem uma foto do The Hellacopters com você vestindo uma camiseta do Arthur Rimbaud. Além disso, o nome da sua loja vem do livro Gaspard de La Nuit, do Aloysius Bertrand. Você pode listar outros autores e livros que você admira e que são particularmente importantes para você?

KH: Primeiro eu quero mencionar o diário subterrâneo Be Not Content, de William J. Craddock. Saiu de linha há muito tempo, mas a Transreal Books lançou de novo há alguns anos. É uma obra-prima psicodélica que foi e ainda é um livro importante para mim e alguns dos meus melhores amigos. Outras pessoas na lista seriam: Arthur Machen, Christian Rätsch & Claudia Muller-Ebeling, Allen Ginsberg. Herbert Hunke, William Burroughs, Herman Hesse, H.P. Lovecraft, Gary Lachman, Jocelyn Godwin, E.T.A. Hofmann, Brendan Behan, Baudelaire, Jean Genet, Elisabeth Ebernhardt, Emanuell Swedenborg, Patrick Lundborg, Israel Regardie, Jan Potocki, Jack Black, Agrippa, James S Lee.

LM: Em termos de letras, quem são os compositores que você mais admira?

KH: Jackson C. Frank, Townes Van Zandt, Roky Erickson, Skip James, Neil Young, Skip Spence. Cantores de gospel e folk antigos também. Façam um favor a si mesmos e ouçam a clássica e sensacional Anthology of American Folk Music do Harry Smith.

LM: Seus fãs brasileiros sempre falam sobre quão atencioso você é. O que você acha desse contato com pessoas que admiram seus trabalhos?

KH: Eu curto muito. É sempre legal conhecer boas pessoas e é uma honra que a música com a qual eu tenho me envolvido tenha de alguma forma tocado pessoas do mundo todo. Eu acho muito gratificante. E meio louco também.

LM: Por ultimo, você gostaria de mandar uma mensagem às pessoas que se interessam nas suas coisas, especialmente os admiradores brasileiros?

KH: Vamos torcer para que possamos nos encontrar e curtir um som juntos em breve. Eu realmente amei o Brasil quando o The Hellacopters tocou aí e eu sonho em voltar lá algum dia.




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