Ulrich: o principal é não ter um ataque do coração no palco
Por Douglas Morita
Fonte: MetalRemains
Postado em 07 de julho de 2010
O baterista do METALLICA, Lars Ulrich, foi entrevistado em julho de 2010 para o site do festival Sonisphere. Alguns trechos da conversa podem ser lidos abaixo.
O Metallica trilhou um longo caminho desde seus dias de thrash underground nos anos 80. Como vocês gerenciaram a transição para megastars?
Lars: O Metallica sempre se manteve firme e tocou o tipo de música que nos excitava. E parece que nós animamos muitas pessoas também. Com o decorrer dos anos, os números aumentaram, nós vendemos mais e mais discos, nós atingimos mais e mais pessoas e agora nós tocamos em lugares maiores. Mas no fundo, são só quatro caras se divertindo e tocando música e compartilhando com as pessoas que gostam tanto quanto a gente. Seja 100 pessoas ou 100 mil, é mais ou menos a mesma atitude. De vez em quando nós voltamos e tocamos em lugares realmente pequenos. Nós tocamos em um festival nos EUA alguns anos atrás chamado Bonnaroo e na noite anterior nós tocamos em um porão de uma loja de discos para cerca de 150 pessoas, então nós ainda fazemos esse tipo de coisa.
Como seus fãs mudaram durante os anos?
Lars: Os públicos e os fãs parecem se tornar cada vez mais jovens. Em alguns países você olha para a primeira fileira e estão crianças de 10, 12 anos que nunca viram o Metallica antes. Parece que há uma geração toda nova. Talvez seja nossa geração que esteja trazendo seus filhos, mas há esta teoria de que muitas das crianças estão se inspirando muito nos anos 80, enquanto muitas coisas que aconteceram nos anos 90 como o grunge e rap-rock e por assim em diante, talvez não tenha soado tão bem para esta geração mais nova. Parece que muitas das bandas mais pesadas dos anos 80 e até dos anos 70, como Black Sabbath, Deep Purple, Led Zeppelin tiveram um impacto diferente em muitas das crianças. Obviamente é incrível ser parte disso e uma verdadeira honra ter este tipo de impacto nas crianças que estão começando a caminhar.
Seu baixista Rob [Trujillo] está sempre experimentando com novas técnicas. Que novas técnicas você está trabalhando?
Lars: Há algum número menor que zero? Não, eu acho que no momento a coisa principal é não ter um ataque do coração no palco. Esse é o novo objetivo. Eu tenho 46 anos e a coisa principal que eu faço é tentar me manter saudável. Eu como bem, malho, corro e tento me manter na melhor forma possível. Eu não acordo e começo a tocar bateria. Eu estou mais interessado em músicas e compor e eu amo fazer discos e o lado da produção disso. Eu definitivamente faço o que tenho que fazer para manter alguma habilidade em tocar bateria, mas principalmente tem a ver com se manter saudável, cuidar de mim mesmo e então só esperar pelo James Hetfield para me inspirar.
Você apareceu no "The Simpsons" e no "South Park" antes, mas você fez sua primeira aparição em um filme, "Get Him To The Greek". Como isso surgiu?
Lars: Eu recebi um telefonema do empresário falando que as pessoas que fizeram o "Forgetting Sarah Marshall" estavam fazendo um filme novo com algumas das mesmas pessoas e eles perguntaram se eu estaria interessado em atuar como eu mesmo. "Forgetting Sarah Marshall" é na verdade um dos meus filmes favoritos dos últimos anos. Eu achei ele muito bem escrito, muito bem dirigido e a turma envolvida nele é ótima, então eu achei que seria interessante ser parte disso. Então eu voei para Los Angeles e fiz como me falaram por dois dias. É sempre divertido entrar em outras áreas e mundos que são desconhecidos. O mundo do Metallica e o mundo da música nós conhecemos tão bem e nós controlamos todos os elementos dele. Você entra num set de filmagem, você tem que fazer como é mandado e fazer com um sorriso e atuar junto. É divertido perder o controle e só pegar carona.
A internet mudou muito desde sua disputa com o Napster há 10 anos. Dito isso, você teria lidado de forma diferente?
Lars: Eu teria acordado do pesadelo antes. Eu acho que se teve algo, é que nós fomos pegos de surpresa sobre o quão passionais as pessoas eram com esse fenômeno todo de internet na época e isso meio que nos colocou um cabresto, mas marcamos nosso território e nos mantivemos firmes com nossos princípios e agora muitas pessoas estão dando tapinhas em nossas costas e falando o quão certo estávamos. Onde vocês estavam há 10 anos? Nós éramos os únicos por aí é o que eu diria. Mas está tudo bem - você ganha algumas, perde outras. Eu não me arrependo de nada disso. Certamente, foi uma época estranha já que sempre fomos os caras bons e de repente havia gente que não achava que éramos os caras bonzinhos, e foi uma situação diferente para nós.
A entrevista completa, em inglês, pode ser lida clicando aqui.
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