Khrophus: trajetória de luta em prol do Death Metal

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Por Ben Ami Scopinho
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A Khophus é um dos nomes veteranos do estado de Santa Catarina. Formado em meados de 1993 na cidade de São José, o conjunto estava em uma excelente fase - havia inclusive se aventurado por alguns países latino-americanos para divulgar "God From The Dead Images" (03) - quando seu guitarrista passou por problemas de saúde que o obrigaram a parar de tocar.

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Mas, restabelecida a saúde, a Khrophus foi reformulada e agora está liberando "Presages", um excelente álbum de brutal Death Metal onde Adriano (guitarra), Alex (voz e baixo) e Carlos (bateria) mostram muita organização para novamente levar sua música para outras nações. O Whiplash! conversou com o mentor Adriano, que deu uma geral na história da banda e divulgou detalhes da turnê que está por vir.

Whiplash!: Olá pessoal! Que tal começarmos com uma breve biografia para os que não estão familiarizados com o nome Khrophus?

Adriano Ribeiro: Olá... A Khrophus é uma banda de Death Metal que foi formada em 06/06/1993, com influências de Morbid Angel, Sarcófago, Megadeth, etc...

Whiplash!: Com o lançamento de seu primeiro álbum, "God From The Dead Images" (2003), vocês participaram de algumas apresentações pelo continente sul-americano ao lado do Vader, Krisiun, Incantation e outros. Ou seja, a coisa estava caminhando satisfatoriamente. O que aconteceu para que a Khrophus encerrasse as atividades nesta época?

Adriano: Infelizmente tive que parar a banda por um tempo, pois tive tendinite no braço e ombro direito. Imagina a situação: a banda no seu auge com um CD recém lançado após uma batalha interminável de dois anos para gravá-lo... Estávamos fazendo muitos shows e viajando muito, onde inclusive fizemos alguns shows no Paraguai e Uruguai... Nessa época ensaiávamos quase todos os dias, pois sempre estávamos tocando em shows com grandes bandas e precisávamos estar bem preparados. Acho que isso, somado ao meu trabalho num escritório de contabilidade, onde eu tinha que usar máquina de escrever, computador e calculadora todos os dias, fez com que as coisas se acumulassem, causando uma dor que aumentava cada vez mais, e quando vi que já estava afetando a banda eu resolvi ancorar o barco.

Adriano: Mas, gostaria de deixar bem claro que, desde o dia em que eu parei, deixei uma coisa bem clara na minha mente: "eu vou voltar". Passei dois anos sem praticamente nem tocar na guitarra, comecei a usar a calculadora com a mão esquerda, e forcei cada vez menos o lado direito. Foram tempos intermináveis, eu até hoje não durmo sobre o lado direito, passei um stress tremendo por não poder fazer o que mais gosto na vida. Mas o tempo passou, e consegui reerguer-me das cinzas. E agora começou uma nova fase...




Whiplash!: Adriano, você é o único membro da formação original da Khrophus. Após quase quatro anos de inatividade, em que condições você reformulou a banda para seguir adiante?

Adriano: Eu tinha bem claro em minha mente "eu vou voltar". Passadas as conturbações voltei a pegar a guitarra e treinar, e tive que moldar um pouco minha maneira de tocar, a palhetada, a força que empregava com a mão direita e tal. Em pouco tempo falei com cada ex-membro perguntado se queriam voltar, e cada um não pode por seus motivos... Então comecei a pensar em quem chamar para a banda, e foi aí que encontrei o Alex (baixo/vocal) e o ajudei num show com a Krisiun, onde ele também ia tocar com a ex-banda dele. Mas minha intenção era ver ser ele se enquadrava no contexto da banda... Dois dias depois liguei e perguntei se ele queria entrar para a Khrophus, o qual aceitou na hora. Em seguida ficamos duas semanas insistindo com Kennedy (meu irmão, ex-batera da Khrophus e atual proprietário da KR Custom Drums, que fabrica baterias personalizadas), mas por causa dos compromissos com a KR ele não pode aceitar. Daí o Alex se lembrou do Carlos (bateria) e marcamos com ele para vir fazer um teste, e no mesmo dia já veio à minha casa, no dia seguinte trouxe a batera completa e já começamos a fazer barulho. E as coisas fluíram tão bem que eles estão aí até hoje...

Whiplash!: Ainda que bastante técnico, o Death Metal de "Presages" mostra as guitarras por vezes explorando arranjos que remetem diretamente à Música Clássica, resultando em algo até mesmo não muito convencional. Adriano, quais são suas influências e como rola o processo de composição da Khrophus?

Adriano: Eu sou autodidata, e isso é o que mais me faz tocar de uma maneira que fuja do convencional. Tive que criar meu modo de tocar, certo ou errado tanto faz, mas é o meu jeito, e desde o começo eu ficava inventando exercícios, riffs, músicas, e isso me ajudou muito para estar sempre compondo. Minhas influências são a soma de tudo que gosto, mas principalmente Megadeth (Dave Mustaine), Morbid Angel (Trey Azagthoth) e Steve Vai. Com a musicalidade deles aprendi a ter uma pegada mais forte e a ter liberdade de composição, não ficar se prendendo ao trivial e tal, a não ter medo de arriscar e principalmente preferir ter liberdade à técnica, e unindo isso à minha loucura, pronto, a salada estava feita. Sempre gostei de música clássica, que é mais próxima do metal do que imaginamos, e naturalmente surge embutida nas minhas composições. Então o processo de composição da Khrophus é eu trazendo a música e passando para o Carlos, e juntos vamos acertando os detalhes, e só depois da música estar pronta é que o Alex adiciona as linhas de baixo e depois o vocal. É uma forma de compor que, apesar de parecer isolada, tem a participação de todos.

Whiplash!: O trabalho de Alexei Leão (Stormental) no AML Studio resultou em algo claro e conciso, mantendo a atitude extrema de cada instrumento. Que espécie de aproximação vocês escolheram para a sonoridade de "Presages"?

Adriano: Sabe, nós somos uma banda independente. Como tal, não temos muita grana e por isso temos que ser rápidos no estúdio, não temos tempo pra ficar testando muita coisa. Mas o Alexei é nosso amigo há muitos anos e nos damos muito bem, então ele nos deu uma força tremenda, inclusive financeiramente falando, pois tínhamos que ter um material bem gravado. Gravamos de forma acústica, sem pedaleira ou qualquer outro artefato, apenas plugamos os instrumentos e mandamos brasa, tocando diversas vezes até achar o melhor take. O lance todo está na captação, por isso optamos por ter uma gravação concisa e bem equalizada para depois ficar mais fácil na hora de mixar e masterizar. Assim, o CD saiu muito próximo do que queríamos... E ficou muito bom.

Whiplash!: Parte da "Presages Tour" já passou por alguns estados. Como vem sendo a recepção e distribuição do novo álbum?

Adriano: Acabamos de completar dois meses do lançamento e já saíram quase 400 cópias, o que para uma banda independente é muito. Os shows que fizemos obtiveram uma receptividade muitíssimo boa, a galera tem curtido muito, e a cada show as coisas estão ficando melhores.

Whiplash!: Vocês já estão com boa parte desta mesma turnê devidamente organizada para 2010. Poderiam fornecer mais detalhes sobre a mesma? Aliás, como está a expectativa de vocês diante de encarar os palcos europeus pela primeira vez?

Adriano: Definitivamente somos uma banda de estrada, e para se ter uma idéia, só em 2009 fizemos shows em seis estados e percorremos 15.000 km de carro. Agora em 2010 temos muita coisa em andamento e organização, uma tour norte/nordeste em jun/jul, a tour européia em set/out, a tour sul/sudeste em out/nov, uma tour nos Estados Unidos em mar/2011 e mais outras propostas a decidirmos ainda. Em relação à tour européia, nossa expectativa é muito grande, não vemos a hora de mostrar o nosso som para os gringos. Nossa tour deve chegar a uns 20, 25 shows em seis ou sete países, e estamos nos preparando muito para isso. Tem todo um lance envolvido que vão desde família, trabalho, equipamentos, documentação, etc... Mas é o que amamos fazer.


Whiplash!: Um excelente álbum, shows pelo Brasil e exterior... A Khrophus está mostrando que sabe se auto-gerenciar, não? O quanto vocês acham importante levar o lado 'empresarial' da música a sério?

Adriano: É importantíssimo para qualquer um que queira ter uma carreira mais profissional estar ciente que não é só diversão. É sim muito trabalho, luta e dedicação sempre. Cada um na banda faz alguma coisa, não ficamos dependendo de apenas um, e isso ajuda muito, faz a coisa fluir melhor e não deixa stress para um membro somente.

Whiplash!: Adriano, sua residência já hospedou músicos de inúmeras conhecidas bandas gringas em sua passagem pelo Brasil. Considerando toda a diferença cultural, há alguma história que te marcou nestas ocasiões?

Adriano: Hehehehe.... Histórias engraçadas é o que mais têm... Lembro-me um dia de manhã, onde minha mãe colocava o café na mesa para 'certos poloneses', e ela dizia toda cheia de preocupação "... Vocês não reparem, aqui é casa de pobre..." em português! Hehehhe, outra vez foi uns tchecos que não esperaram a mãe colocar a faca na mesa e estavam tentando cortar o pão com o garfo, foi hilário, Heheh... Têm muito mais coisa engraçada no metal do que imaginamos, e isso é muito massa, pois nos faz reavivar a memória sempre com lembranças boas.

Whiplash!: O vocalista e baixista Alex Pazetto participa ativamente da construção do underground de SC. Apesar de todas as dificuldades, ele continua investindo no Vooadera e Vooaderinha Festival, sempre mostrando novos nomes do Heavy Metal da região sul e também nacional. Neste sentido, o que podemos esperar para 2010?

Adriano: Então, dos anos 90 até 2003 eu mantinha ativa a cena underground da região, onde eu trouxe cerca de 300 bandas para SC com a Brutal Productions, eram bons tempos aqueles, apesar da falta de apoio e das dificuldades. Depois que pausei a banda também pausei as atividades da Brutal, e nessa época o Alex começou a fazer os lances dos Vooadeirinhas e mais tarde o Vooadera. Quando reativamos a banda, também misturamos os trabalhos unindo a Brutal Productions com Vooadeinha, e tentamos realizar projetos juntos, e foi massa, pois, como a banda, cada um sabe da sua responsabilidade e faz o melhor para tudo sair do modo planejado.

Adriano: Ultimamente, da metade de 2009 em diante, a coisa deu uma esfriada por aqui e resolvemos por as produtoras pra hibernar um pouco, mas em 2010, antes das viagens faremos algum (s) evento, e vamos ver o que vai dar. Mas, se depender de nós, a cena continuará forte. Basta apenas a galera apoiar indo aos shows, pois temos muitas bandas boas, inclusive gringas, querendo participar dos nossos eventos.

Whiplash!: Ok, pessoal. O Whiplash! agradece pela entrevista, desejando os melhores shows durante a divulgação de "Presages". O espaço é de vocês para as considerações finais.

Adriano: Agradecemos imensamente ao amigo Ben Ami Scopinho e ao Whiplash! pela oportunidade que estão nos dando e por todo apoio dispensado a nós e ao underground em geral. Também quero agradecer aos nossos amigos e fãs que sempre nos acompanham e nos incentivam a cada vez batalhar mais e mais, obrigado mesmo. Quem tiver interesse em conhecer melhor a Khrophus, quiser nos dar uma força adquirindo nossos materiais, saber sobre as turnês, ou simplesmente manter contato, por favor, acessem nossa página e entre em contato, ok? Obrigado.

Contatos:
http://www.khrophus.com
[email protected]
[email protected]
http://www.youtube.com/khrophusdeath
http://www.fotolog.com.br/khrophus



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Sobre Ben Ami Scopinho

Ben Ami é paulistano, porém reside em Florianópolis (SC) desde o início dos anos 1990, onde passou a trabalhar como técnico gráfico e ilustrador. Desde a década anterior, adolescente ainda, já vinha acompanhando o desenvolvimento do Heavy Metal e Hard Rock, e sua paixão pelos discos permitiu que passasse a colaborar com o Whiplash! a partir de 2004 com resenhas, entrevistas e na coluna "Hard Rock - Aqueles que ficaram para trás".

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