Live N' Louder: Organizador comenta a nova edição do festival

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no WhatsAppSeguir Whiplash.Net

Por Rafael Carnovale
Enviar Correções  

Em 2005 podemos afirmar que o Brasil foi celeiro de grandes eventos no rock/metal internacional. Grandes shows pintaram por aqui e fizeram com que o público não reclamasse da escassez de turnês internacionais em nosso país. Grave Digger gravando DVD, Deep Purple com um show matador, Kreator e Tristania num festival de peso, a afirmação do Abril Pro Rock como um festival de força no cenário, Judas Priest e Whitesnake voltando com tudo e além de tudo isso a constelação formada pelo Live N'Louder , que em sua primeira edição propiciou aos Brasileiros a volta do Scorpions num show matador, uma das últimas apresentações do Nightwish com Tarja Turunen e shows impressionantes como Rage, Destruction e The 69 Eyes (que logo depois teve CD e DVD lançados aqui).

publicidade

Paulo Barón
Paulo Barón
A importância do festival vai além do simples fato de permitir que o público tivesse acesso a vários shows num mesmo dia a um custo razoável (afinal, 8 shows por 100 reais até que não foi de todo pesado), mas permitiu também que o brasileiro se re-acostume à cultura dos festivais de rock/metal pesado, que teve espaço com o primeiro Rock In Rio em 1985 (e suas edições em 1991 e 2001), os Hollywood Rocks (que apesar de alguns deslizes sempre tiveram atrações de peso em suas escalações) e os Monsters Of Rock, que deixaram saudade desde a derradeira edição de 1998, aonde o Slayer foi o headliner. O público pode ter um gostinho do que os europeus chamam de circuito de festivais de verão, aonde várias bandas se apresentam, com sets reduzidos, mas em grande quantidade. Se a Suécia tem o Sweden Rock, a Alemanha o RockHard, a holanda o Dynamo e outros países também têm o seu, aqui temos o Live N'Louder, que chega a sua segunda edição (marcada para 14/10) apostando em nomes novos (aqui no Brasil, mas já veteranos lá fora) como Gotthard e Black Label Society, o metal-gótico do After Forever, o melódico/power do Stratovarius e Primal Fear, o metal tradicional do Saxon, e no sempre confiante Sepultura, que apesar de turbulências internas, lançou este ano seu melhor álbum em muitos anos ("Dante XXI"). Para falar mais um pouco sobre as novidades do festival, e dar uma repassada na primeira edição, conversamos com Paulo Barón, da Toplink, empresa que juntamente com a Roadie Crew produz o festival.

WHIPLASH - Falando sobre a primeira edição, o Live N'Louder tinha como um de seus objetivos preencher a lacuna deixada pelo saudoso Monsters Of Rock, um festival mais destinado para o rock e metal. Você acha que isso foi plenamente atingido?

PAULO BARÓN - O Monsters Of Rock foi um exemplo de como devem ser feitos os grandes eventos, e o fato de ter sido no Brasil numa época em que muitas bandas ainda não levavam fé no mercado latino-americano só abrilhantou sua iniciativa. Pena que o festival não tenha conseguido permanecer ativo.

publicidade

PAULO BARÓN - Este foi um dos motivos para a realização do Live N'Louder. Dar aos brasileiros um festival do porte dos Monsters, e os fãs de metal tiveram participação decisiva, nos ajudando a levar adiante este projeto, num trabalho muito cauteloso e profissional.





WHIPLASH - O Canindé mostrou-se um excelente local para shows. Como surgiu essa idéia... as edições futuras serão todas realizadas no estádio? [nota: é sabido que o local do festival agora será a Arena Skol, no Anhembi

publicidade

PAULO BARÓN - A idéia de usar o Canindé se deu depois de uma busca desesperada por um local ideal que unisse liberdade, segurança e nos permitisse fazer uma boa produção. Um local de bom acesso para os fãs. Me lembrei que na turnê de 2004 do Moonspell, os "lusas" (apelido dado aos fãs da Portuguesa, que manda seus jogos no estádio) nos convidaram para organizar a coletiva de imprensa em uma das instalações do estádio. Gostei muito do local, e mesmo com a reticência de alguns diretores (que não gostavam da idéia de fazer shows de rock/metal lá) conseguimos marcar e fazer um grande show.

publicidade

PAULO BARÓN - A idéia este ano era usar o estádio para a segunda edição, mas como a Portuguesa vem mandando muitos jogos no local isso poderia por em risco um evento importante para nós como o Live N'Louder . Não queremos marcar o festival e na hora ter que arrumar um outro local em cima da hora devido aos compromissos do futebol. Ano passado isso quase ocorreu e não queremos que o mesmo ocorra este ano. Por isso escolhemos a Arena Skol no Anhembi, que se adequa perfeitamente ao que planejamos.

publicidade

WHIPLASH - A cultura brasileira assimilou bem um festival com 8 bandas e 14 hs de duração. Você acha que futuramente o Live N'Louder poderá ter dois dias, com mais bandas

PAULO BARÓN - O Live N'Louder está só começando. Muitas coisas podem mudar e melhorar no decorrer nos anos. Particularmente gosto de colocar novos objetivos e sempre melhorá-os, podemos errar, afinal somos humanos, mas a paixão pela música, vida e trabalho sempre estarão aí, então vamos ver como essa nova edição (que já tem mais bandas anunciadas) corresponde ao público, e este "feedback" poderá fazer com que surjam novas idéias.

publicidade

WHIPLASH - Vamos falar sobre algumas atrações da primeira edição, que na minha opinião, e de muitos, surpreenderam. Deixe um breve comentário sobre cada uma

PAULO BARÓN - The 69 Eyes - teoricamente uma banda desconhecida – A primeira vez que escutei a banda foi através do Claudio Vicentin (um de meus sócios – Revista Roadie Crew), juntamente com o Gerard Werrón (Nuclear Blast Brasil), que nos sugeriu que colocássemos uma banda do meio gótico. Ele me fez um CD com músicas deles e do HIM. Achei-os fantásticos e entramos em contato. Foi uma banda que deu certo e lamento apenas que em meio a tanto trabalho que tivemos no dia só pude ver 5 minutos de seu show.

publicidade

PAULO BARÓN - Rage - uma boa banda, mas que nunca teve seu devido espaço – Faltava uma banda de True Metal no festival. Nós queríamos ter o Saxon, mas o vocalista Biff teve sérios problemas pessoais (sua casa pegou fogo no início do ano) e o baterista tinha sido trocado. Daí veio a idéia de colocar o Rage, com a qual meus sócios concordaram 100%, e de fato acho que a banda deixou uma grande impressão no Brasil.

PAULO BARÓN - Scorpions - uma banda clássica, mas muitos duvidavam de seu potencial para ser o headliner – O Scorpoins é uma das 5 bandas que escuto desde criança. Quando me mudei para a Espanha escutava muito o CD "Love At The First Sting". Com 14 anos pude ver a banda em Barcelona, e comprei o ingresso número 2. Neste dia me tornei um promotor de shows, pois nem sabia o que era isso. Eu tinha em mente que um dia eu faria um show com o Scorpions e mais de 20 anos depois isso se tornou realidade. Muitos duvidavam da capacidade do Scorpions em ser o Headliner, mas eles têm um conceito muito forte entre os fãs e mesmo entre os não fãs de rock. E uma das metas do Live N'Louder é prestar tributo as bandas que influenciaram o estilo. Um ano antes viajei por convite da banda para vê-los na Cidade do México. Lá constatei que eles eram o headliner certo para o festival. Mesmo com 30 anos de carreira o show deles ainda é poderoso.

WHIPLASH - Um dos problemas relacionados pelo público foi a alimentação, e a incapacidade de abastecer a todos. O que você pode falar sobre isso, e quais providências serão tomadas para tal

PAULO BARÓN - Este foi um grande erro e que posso garantir que nos gerou muito trabalho e dor de cabeça. Tínhamos fechado uma parceria com a mesma empresa que forneceu a alimentação para os shows do Whitesnake e Judas Priest (ocorridos um mês antes). Nestes shows pudemos atestar que eles poderiam cumprir tudo o que nos prometeram e tivemos várias reuniões aonde sempre ressaltamos o caráter e as necessidades do festival. Mas parece que as pessoas não acreditaram no heavy metal e tivemos que nos virar na hora, com um stress enorme.

PAULO BARÓN - Posso garantir que este ano contrataremos uma empresa que irá prover os fãs de metal de maneira adequada, e que cumprirá com as responsabilidades assumidas.

WHIPLASH - A edição de 2006 já contava com 4 atrações fechadas em fevereiro. Não é muito cedo para a divulgação? (Hoje temos 8 bandas fechadas, faltando o headliner e mais uma banda nacional)

PAULO BARÓN - Em 2005 o Scorpions estava contratado 9 meses antes do festival. Gostamos de ter esta antecedência, já que um evento como este é muito grande, com muitas coisas ao seu redor. Mas pouco a pouco iremos revelando as outras bandas, para que os fãs possam se preparar física e emocionalmente.

WHIPLASH - Vamos agora falar da edição de 2006. Comente um pouco sobre cada atração, e o critério que levou a sua escolha

PAULO BARÓN - Saxon – Já deveriam ter tocado em 2005, mas como falei anteriormente não puderam comparecer. É um dos melhores shows de metal que eu já vi.

PAULO BARÓN - Primal Fear – Estão com um excelente CD ("Seven Seals") e ao vivo são fantásticos.

PAULO BARÓN - After Forever – Depois do sucesso da turnê sul-americana ano passado, decidimos que seria uma banda perfeita para o festival, além de ser ótima para os fãs de metal gótico.

PAULO BARÓN - Nevermore – Há tempos o público vem pedindo a presença deles no Brasil. Estão com um excelente CD e é a hora certa.

PAULO BARÓN - Black Label Society – Zakk Wylder é um dos guitarristas mais famosos do mundo, e os CD’s da banda têm saído no Brasil (até o mais recente, "Mafia"). Eles devem lançar um DVD em julho e sinto que é uma das bandas mais esperadas pelo público.

PAULO BARÓN - Gotthard – a surpresa – Esse é um gosto pessoal. Além do que é sempre bom colocar no "cast" uma banda que tenha potencial. Acredito sinceramente que eles podem se dar muito bem no Brasil. Eles são muito fortes na Europa.

WHIPLASH - Fala-se muito sobre o headliner... ano passado já se especulava o Queensryche. Há algo definido nesse sentido

PAULO BARÓN - Já temos o headliner confirmado, mas vamos esperar um pouco pra divulgar. Estamos divulgando a participação das bandas pouco a pouco, mas com certeza seguiremos a tradição de tributo a grandes bandas que influenciaram o rock e heavy metal mundial.

WHIPLASH - Com isso temos 7 bandas, mas ainda não há um nome nacional escolhido [o Sepultura seria anunciado nesse dia]

PAULO BARÓN - Sobre as bandas nacionais teremos o Sepultura, que volta com um de seus melhores álbuns nos últimos 10 anos, e com um vídeo clipe fantástico. O lançamento de "Dante XXI" ocorrerá no Live N'Louder Rock Fest em São Paulo. Ainda é possível termos mais duas atrações nacionais, que serão escolhidas por nossa indicação.

WHIPLASH - O Live N'Louder não teve edições em estados como RJ e MG. Há planos para tal no futuro

PAULO BARÓN - Organizar um festival tem um custo muito alto, tanto monetário quanto emocional. Gostaríamos sim de realizar o festival em outros estados, mas isto dependerá de um estudo para ver se o local escolhido comportará o evento.

WHIPLASH - Paulo, valeu pela entrevista e deixe uma mensagem para os fãs de rock e metal que estarão no Live N'Louder em 2006

PAULO BARÓN - O Live N'Louder provou que pode-se fazer um festival a altura dos grandes festivais de rock europeus e que os fãs brasileiros são os melhores do mundo. Também calamos a boca de muitos que não acreditavam que o evento desse certo. Espero que muitos que deixaram de ir ano passado esse ano compareçam para se divertirem, pois vocês fazem o Live N'Louder , e a continuidade dele está em suas mãos. Obrigado e nos vemos no Live N'Louder Rock Fest 2006

Fotos: Site Oficial do Live N'Louder
e arquivo pessoal de Paulo Barón.

publicidade




Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no WhatsAppSeguir Whiplash.Net


Eddie Van Halen: Eruption foi um acidenteEddie Van Halen
"Eruption foi um acidente"

Guitarristas e vocalistas: os 10 melhores casamentosGuitarristas e vocalistas
Os 10 melhores "casamentos"


Sobre Rafael Carnovale

Nascido em 1974, atualmente funcionário público do estado do Rio de Janeiro, fã de punk rock, heavy metal, hard-core e da boa música. Curte tantas bandas e estilos que ainda não consegue fazer um TOP10 que dure mais de 10 minutos. Na Whiplash desde 2001, segue escrevendo alguns desatinos que alguns lêem, outros não... mas fazer o que?

Mais matérias de Rafael Carnovale no Whiplash.Net.

WhiFin WhiFin WhiFin WhiFin WhiFin WhiFin WhiFin WhiFin