Destruction - "Não saiam por aí dizendo que não somos pesados!"

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Por Rafael Carnovale
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Schmier, Mike e Marc Reign fizeram um de seus melhores CDs, não tenha dúvida. “Inventor Of Evil” consegue trazer todos os elementos que sempre consagraram o Destruction como uma banda forte do thrash metal e ainda apresenta algumas belas surpresas. Conversamos com o baixista e vocalista Schmier, desde já um cara super gente fina, que falou sobre o novo CD, e deu um banho de simpatia, contrastando com a figura carrancuda que estampa as fotos do encarte do CD. Confira abaixo o que rolou:

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Whiplash! - Ouvi comentários da possibilidade do retorno do Destruction ao Brasil em fevereiro de 2006. Há planos para uma turnê mais extensa, abrangendo cidades que não foram contempladas pela passagem do festival Live 'N' Louder?


Schmier – Seria maravilhoso. Prometo que tentaremos. Nunca tocamos no Rio de Janeiro, e eu gostaria muito. Vamos encher o saco dos promotores, já que desta vez estaremos fazendo um show inédito na Argentina e em Porto Rico. Traremos um set completo, maior que o de 55 minutos do Live 'N' Louder.

Whiplash! - “Inventor Of Evil” é um dos grandes CDs do Destruction desde o retorno a ativa. Embora “Metal Discharge” também tenha sido um grande trabalho, ele não obteve a mesma resposta de “All Hells Breaking Loose” e “The Antichrist”. O que aconteceu, na sua opinião?

Schmier – Gosto deste álbum. Apesar de ser bem básico e simples. Acho que os fãs ficaram divididos, tipo um meio a meio, sobre este CD. A produção ficou aquém do que poderíamos ter feito. Mas admito que o novo CD é bem melhor. Fizemos este álbum muito rapidamente, o que prejudicou o resultado final, mas agora tivemos tempo e o CD saiu como queríamos.

Whiplash! - As guitarras em “Soul Collector” estão fantásticas. Você considera este o melhor trabalho de Mike em todos os CDs da banda?

Schmier – Definitivamente! (N. do E.: enfático). Ele arrebentou... tive que me esforçar muito para que as linhas de baixo soassem adequadas ao que ele preparou. A experiência de vários anos se fez presente neste CD. Mas percebo que com os elogios ele está se sentido desafiado. O próximo CD será ainda melhor.

Whiplash! - “The Defiance Will Remain” possui elementos que remetem ao Slayer. Você concorda com essa comparação?

Schmier – Sim. São bandas que tiveram as mesmas raízes. Começaram quase no mesmo ano, com forte influência do cenário punk. É algo normal, embora ache que somos menos clássicos musicalmente. Mas são duas boas bandas.

Whiplash! - Ao mesmo tempo que o CD é bem agressivo, a banda nos presenteia com faixas mais suaves, como “The Calm Before The Storm”, que possui passagens acústicas e um vocal diferenciado. Como surgiu essa idéia?

Schmier – Surgiu há cerca de cinco anos. Sempre consideramos esta hipótese, e agora pudemos concretizá-la. Não a fizemos antes por falta de tempo. Mas pudemos agora criar algo nesse estilo e os fãs curtiram, gostaram desse diferencial. É uma ótima música, mas não saia por aí dizendo que não somos uma banda pesada! (risos).

Whiplash! - “The Dealer Of Hostility” tem várias influências do heavy metal tradicional. Você ainda ouve bandas como Iron Maiden, Saxon e Judas Priest?

Schmier – Claro!!! São minhas raízes, foi meu começo, quando tinha 14 anos. O primeiro CD que comprei foi do Judas Priest. Sempre os terei como influência. “Inventor Of Evil” tem muito desses elementos, já que isto está no meu sangue.

Whiplash! - Vocês fizeram um dos melhores, senão o melhor CD da história do Destruction. Posso afirmar que estamos diante de um clássico?

Schmier – O tempo irá dizer, mas espero poder concordar com você (risos). Fizemos um grande CD, vamos ver como as pessoas reagem a ele, e como soaremos nos próximos álbuns. Mas posso dizer que ele estaria no meu Top 3. No momento considero “The Antichrist” nosso melhor trabalho. Mas vamos ver como as músicas se saem ao vivo, e como será a resposta dos fãs.

Whiplash! - Eu não poderia deixar de mencionar “The Alliance Of Hellhoundz” e os vocalistas convidados. Como vocês decidiram quem iriam convidar e como foi encaixar tantas vozes numa só música, sem soar confuso?


Schmier – Eu sabia! (gargalhadas). Fiz como um fã. Escrevi toda a música, as letras, os vocais e procurei encaixar as vozes de todos. Para escolher os candidatos fomos usando critérios do tipo: quem é o melhor cantor de metal, quem é o meu cantor favorito, quem é o mais agressivo, quem é o melhor atualmente (risos)... e vários nomes foram surgindo. Claro que essa lista foi toda particular, mas passamos por cantores de heavy / death / black, e nomes como Biff Byford (Saxon) e Paul Di'Anno foram surgindo naturalmente. Queríamos ver nossos ídolos cantando em uma música nossa. Embora eu tenha definido a maioria das melodias vocais, algumas concessões foram feitas, como por exemplo com Biff, que quis mexer em um pedaço da letra, o que achei ótimo. Foi um grande momento.

Whiplash! - Há algum plano de tocar essa faixa ao vivo, com todos os convidados?

Schmier – Quem sabe no Wacken... se não pudermos convidar todos, chamaremos outros... afinal a lista é grande (risos).

Whiplash! - Se vocês fizerem isso me prometa que poderemos assistir tal momento em um DVD (risos)!

Schmier – Claro!!! (gargalhadas gerais). A música passa a mensagem de que somos todos uma grande família em torno do metal, e temos que ficar unidos. Somos todos amigos e pode deixar, se fizermos isso, se realmente conseguirmos viabilizar essa maravilhosa idéia, pode estar certo que gravaremos tudo! (risos).

Whiplash! - Há alguma conexão entre as faixas “Seeds Of Hate” e “Twist Of Fate”? Pergunto isso porque as duas expressam dois diferentes sentimentos, e estão em sequência no CD.

Schmier – Na verdade não. “Seeds Of Hate” tem um conteúdo mais político, falando sobre as pessoas que são enganadas por outras, ficando cegas a tudo. Já “Twist Of Fate” tem um conteúdo mais pessoal, falando sobre toda a merda que vem acontecendo no mundo atualmente, procurando deixar as pessoas felizes com uma mensagem positiva. Já “Seeds” fala sobre aqueles que chegam perto de você para te ajudar e no final te fodem.

Whiplash! - O “Mad Butcher” finalmente volta a estampar uma capa de CD do Destruction. Isso aconteceu porque ele é o real inventor do mal? (risos)

Schmier – Não (risos). Ele é uma parte da banda, um quarto membro (risos gerais). Queríamos voltar a colocá-lo em nossos CDs, já que ele é nosso símbolo. Na capa ele está olhando para o espelho e se sente como um demônio morto, que precisa matar para ficar mais forte. Existe um simbolismo nesta arte, que demonstra a mensagem que queremos passar com este CD: Você vê o que você é!

Whiplash! - Como estão os planos para uma turnê? Vocês já sabem quais músicas novas serão tocadas ao vivo?

Schmier – Depois do festival Live 'N' Louder, iremos excursionar pela Europa com o Candlemass. Tocaremos 3 ou 4 músicas novas, mais uma penca de nosso repertório clássico. Será um grande show, e traremos ao Brasil o nosso melhor set, tocando por cerca de uma hora e meia.

Whiplash! - Por fim... há planos para um vídeo para alguma música deste novo CD?

Schmier – Sim... estamos trabalhando em um vídeo para “Defiance Will Remain”. Ficamos muito tempo sem fazer vídeos simplesmente porque a porra da MTV não passava nossos trabalhos, mas agora podemos disponibilizá-lo em nosso website e até mesmo em algumas estações de TV locais, o que nos motiva a fazê-lo.

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Sobre Rafael Carnovale

Nascido em 1974, atualmente funcionário público do estado do Rio de Janeiro, fã de punk rock, heavy metal, hard-core e da boa música. Curte tantas bandas e estilos que ainda não consegue fazer um TOP10 que dure mais de 10 minutos. Na Whiplash desde 2001, segue escrevendo alguns desatinos que alguns lêem, outros não... mas fazer o que?

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