Mr Powerfull: Os desafios de conseguir subir no rock brasileiro

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Por Clóvis Eduardo
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Quantas bandas finlandesas você conhece? E alemãs? São muitas não é mesmo? E bandas nacionais? Do teu estado? Talvez os números comprovem o (des)interesse de cada um de nós pelo que ainda nos resta perto do quintal de casa. Enquanto discutem-se quais são os melhores músicos do mundo, esquecemos do que está embaixo do nosso nariz, ou melhor dizendo, acima, já que enquanto nos enfurnamos em casa ouvindo bandas da Birmânia fazerem Folk Speed War Metal, os nosso conterrâneos estão no palco, dando um "duro" danado para agradar o pequeno público nos festivais e shows, tão longe de nós que talvez apenas um ônibus temos de pegar, quando preciso.

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Nascida no ano 2000, a Mr. Powerfull da cidade de Lages, em Santa Catarina, é cotada como uma das melhores e mais promissoras bandas do sul do país. Não é a crítica quem diz isso, são os fãs. O guitarrista, Fabrício Gamba explica em um papo interessante, como é fazer metal hoje, mesmo sabendo que dele, poucos hoje, conseguem sobreviver. Confira!

Inicialmente, gostaria que você falasse um pouco sobre como a Mr Powerfull nasceu e quando você entrou na banda.

Bem, a Mr.Powerfull iniciou as atividades como uma banda cover em outubro de 2000, eu entrei na banda em junho de 2001 e após isso começamos a trabalhar em cima de músicas nossas para o primeiro disco que começamos a gravar em Dezembro do mesmo ano e depois começamos a divulgar cada vez mais o nosso trabalho tocando em diversas cidades do sul do país. Após o lançamento do Sound of Destiny o Daniel Ampessan (Guitarra) deixou a banda por motivos pessoais e em seu lugar entrou o Marcelo Pires estabilizando a formação em Fabricio Gamba (guitarra), Alessandro Mayans (Baixo), Eduardo Barp (Bateria), Marcelo Pires (Guitarra) e André "Boca" Graebin (Vocal).

O que vocês querem dizer com Mr. Powerfull? Tem algum significado mais escondido?

O nome foi escolhido pelo Boca e na verdade não tem nenhum significado escondido, foi a primeira música que o boca compôs juntamente com o Ferpa (ex-baixista do Orquídea) e foi escolhido com unanimidade por ser um nome que soa forte e com certeza sem nenhuma pretensão é como o Heavy Metal deve ser.

A cidade de Lages, em Santa Catarina, possui tradição de bom público de rock e metal? Isso vem crescendo com o passar dos anos?

Lages sempre foi referência em SC em termos de público e shows de metal, mas isso foi diminuindo um pouco com o passar dos anos até porque não estava mais rolando muitos shows por falta de lugar e isso fez com que o público que curte metal ficasse sem opção. Quando a banda iniciou começamos a organizar nossos próprios eventos fazendo com que esse pessoal voltasse aos shows e conseqüentemente fizemos a nossa parte para que Lages volte a se tornar referencia no metal de SC. Esse mês vai reabrir um bar que era onde tinham os shows de metal aqui em Lages e isso com certeza vai ajudar muito para o crescimento do metal na nossa região, para os mais velhos "O Bar do Tio Ivo está de volta!".

E o mesmo pode-se dizer do estado de Santa Catarina?

Pelo menos nos eventos que tocamos posso te dizer que sempre tivemos um bom público no estado, e com certeza sempre aonde a gente vai o público agita pra caralho e sempre nos tratam muito bem, resumindo, Santa Catarina é um dos melhores estados do país para quem curte Heavy Metal e com organização isso vai crescer cada vez mais.

A banda lançou recentemente o segundo cd, "Metal Thunder", com boa aceitação pela mídia e pelo público. O que o grupo apresenta de diferencial, para que um headbanger vá há uma loja e compre um cd da Mr. Powerfull ao invés de um outro cd de uma banda de metal nacional?

Assim como todas as bandas do cenário nacional nós batalhamos muito para que o cd saísse com qualidade e acima de tudo com o espírito do verdadeiro metal sem frescuras, posso te dizer que o headbanger que comprar o nosso cd não vai se arrepender. Foi com muita dificuldade que conseguimos mais uma vez gravar um cd de forma independente e isso já é uma grande conquista para nós. E com certeza o grande diferencial está na temática do disco que fala de como é o Heavy Metal, tentamos resgatar um pouco do passado principalmente nas letras que falam de motores, carros velozes, festa e tudo mais que se pode esperar de um disco de metal tradicional.

Em relação ao primeiro cd, chamado "Sound of Destiny", (2002) quais foram as mudanças e os avanços?

O período de intervalo entre esses dois discos trouxe um amadurecimento maior para todos da banda, tanto na parte musical em conjunto, quanto na parte individual. A principal mudança foi a entrada do Marcelo Pires que trouxe suas influências para a banda o que ajudou e muito na composição do novo disco. Questão de avanço foram os equipamentos com que gravamos que no Metal Thunder foram bem superiores ao do Sound of Destiny o que nos proporcionou principalmente nas guitarras um som muito bom, pois naquele tempo não tínhamos um equipamento muito bom para gravar (amplis, instrumentos, etc...) e hoje a situação está bem melhor graças as válvulas! (risadas)

A gravação no cd "Metal Thunder" está em um padrão muito bom. Quem ficou responsável pela mixagem do álbum e onde foi?

Toda a parte de gravação e mixagem do disco foi no Estúdio R3 aqui em Lages mesmo, a mixagem e produção foram feitas basicamente por todos nós da banda juntamente com o Vicente (Tio Viça) que trabalhava no estúdio e foi quem mais nos ajudou diretamente no resultado final do álbum.

Você e o Marcelo Pires formam uma dupla de guitarras muito eficiente nos solos e nos riffs. Onde vocês conseguem buscar novas inspirações para acordes e notas? As coisas já não estão muito saturadas hoje em dia?

Primeiramente agradeço os elogios e ficamos muito felizes em saber que nosso esforço está sendo reconhecido. Hoje em dia com certeza as coisas estão muito saturadas principalmente no Heavy Metal, a inspiração vem diretamente das bandas que nos influenciaram e apenas tentamos passar isso para a guitarra de uma maneira nossa, você sempre consegue com um pouco de esforço colocar um pouco da sua identidade na música, apenas tocamos com simplicidade sem ultrapassar nossos limites.

A música "Metal Thunder", que abre o cd, tem um refrão muito cativante. Quem é o principal autor das letras e qual é a temática das composições do álbum?

O ideal de uma música que abre ou dá nome ao disco é de ser uma música que tenha presença e que seja forte, pois representa de certa forma o que é o álbum. Quem fez a letra foi o Boca assim como de todas as músicas do Sound of Destiny e do Metal Thunder. As letras como falei anteriormente tratam de temas ligados ao Heavy Metal dos anos 80 que são velocidade, carros com motores fortes (V8) e festa. Digamos que o som é Metal Tradicional e as letras do velho e bom Rock'n Roll.

O lado tradicional imposto em canções como "Lost Souls Are Praying" são daquelas que grudam na cabeça de imediato e elevam o estado de espírito para cima. É deste tipo de canção que o fã de metal tradicional gosta de ouvir. E vocês como sendo grandes apreciadores das bandas clássicas de metal, pensam da mesma maneira?

Sim! Acho que o Metal Tradicional serve pra isso mesmo, tem que ser para animar o cara que estiver ouvindo, a mensagem que passamos é de que o Heavy Metal é uma festa! E é assim que deve ser, é muito bom quando tocamos e vemos o pessoal feliz em poder estar em um show de Heavy Metal compartilhando da mesma energia conosco, sempre aos o show o pessoal vem falar conosco sempre com um sorriso e é isso que fazemos quando subimos no palco, tentamos passar o máximo de energia positiva e com certeza somos correspondidos.

O vocalista André Graebin (Boca) tem um timbre de voz incrível. Como ele mantém este vocal, mesmo chegando já aos 40 anos?

Eu sou suspeito de falar, pois sempre fui fã dele desde quando comecei a ouvir Metal e nunca passou pela minha cabeça estar na mesma banda com ele. Sem dúvida nenhuma ele tem uma voz privilegiada e apesar da idade ele está em forma, pra mim o disco Metal Thunder mostrou que ele tem muito ainda pra mostrar e que vai ser um dos grandes vocalistas do Brasil sem dúvida nenhuma. Além disso, é um cara super gente boa e que não tem nenhum cuidado especial com a voz, bebe pra caralho e ainda fuma uns charutos que ninguém agüenta! (risadas)

Mesmo lançando todo o material de maneira independente, é possível gravar bons trabalhos sem a parceria de um selo razoável?

Na verdade hoje a maioria dos selos pega o material gravado e lançam, pagam uma porcentagem em cds para a banda e fica nessa, sempre tivemos a idéia de que quando gravássemos não iríamos fazer isso, pois investimos muito no cd para entregar na mão de uma gravadora que vai ganhar o dinheiro. Com certeza ajuda se o selo for parceiro com a banda, todo mundo tem que ganhar, pois não se consegue manter uma banda com certo nível dessa maneira. Até agora estamos fechando com um selo novo que nos fez uma proposta boa e que são pessoas que conhecemos e sabemos que são parceiros, em breve estaremos divulgando.

Você considera o apoio financeiro, ou a falta dele, o ponto entre o anonimato e o estrelato para as bandas? Ou o talento ainda é de fator, significativo?

Com certeza o talento manda muito, pois quando se é pequeno não se cresce sem talento mesmo tendo dinheiro, apoio financeiro dificilmente se consegue hoje em dia. Está muito complicado para se conseguir alguém que vá investir em uma banda de Heavy Metal, mas mesmo assim o que mais atrapalha é a falta de empenho de algumas bandas em conseguir fazer algo de qualidade o que torna as coisas ainda mais difíceis para quem quer digamos sair do anonimato.

Quando se fala em Mr. Powerfull hoje, muitos no Sul do país ainda desconhecem ou a identificam através de: "a banda cover do Judas Priest". Por que chegou a esse ponto de conhecimento do pessoal e como a banda se porta com essa espécie de "fama"?

Na verdade isso já foi bem pior (risos)... logo depois que fizemos o Tributo ao Judas aqui em Lages as coisas se confundiram um pouco e por isso não fizemos mais, somos uma banda de Heavy Metal e temos nosso trabalho a mostrar, mas de certa forma isso nos ajudou pois pudemos mostrar o nosso som por ter como referência essa grande banda que é o Judas Priest.

Acompanhei dois shows de vocês, um em 2003 e outro em 2005. Pude perceber que a Mr. Powerfull ganhou muito mais fãs, tem mais e melhores composições próprias e segue como um dos destaques metálicos do sul do país. Até onde a banda pode chegar?

Com certeza desde que começamos estamos dando o melhor de nós e por conseqüência disso o nosso trabalho está sendo reconhecido, a evolução musical aconteceu de maneira espontânea, pois tocamos o que gostamos e não forçamos nada. È difícil dizer até onde a banda pode chegar, mas no que depender de nós vamos até onde conseguirmos por nossas forças, chegamos a um ponto crucial para a banda e cada vez mais temos decisões a tomar para que continue dando tudo certo.

Com este novo cd, a banda tem se apresentado em locais inéditos e com um maior público. Quais foram os melhores shows até agora desta turnê?

Na verdade todos foram muito bons, mas o que mais marcou foi o de lançamento do Metal Thunder. Foi sem dúvida nenhuma a melhor apresentação da banda até hoje e que marcou o inicio de uma nova etapa, saímos todos muito felizes com o show como todo o público que esteve presente.

Santa Catarina possui um infindável número de bandas, mas de fato, poucas obtêm destaque em outros estados. Quem além da Mr. Powerfull mereceria uma maior consideração na cena nacional?

Vou falar das que conheço pessoalmente, a Rhestus (Timbó) é uma das melhores bandas de Death Metal do Brasil além de serem grandes amigos, tem a Soul Slave que toca um metal tradicional de primeira e que com certeza quando gravarem um cd não vai decepcionar, tem a Before Éden (Blumenau) que acabou de lançar um cd muito bom, e no mais é isso daí, fora as que eu não citei tem muitas bandas boas em Santa Catarina.

Fabrício, você considera possível largar tudo, e junto com os amigos viver apenas da música?

No Brasil isso é muito difícil, mas eu não considero uma coisa tão difícil assim, pois eu já vivo de certa forma da música pois dou aulas de guitarra aqui em Lages e 50% do que eu ganho vem dessas aulas, se tu fizer um trabalho profissional e organizado pode se viver de música e muito bem.

Obrigado pela entrevista Fabrício, e sucesso ao grupo!

Agradeço o espaço e a força que vocês têm dado pra nós, um grande abraço a todos!




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Sobre Clóvis Eduardo

Clóvis Eduardo Cuco é catarinense, jornalista e metaleiro.

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