Rei Lagarto - Yon Berry, Roger Moonward e Fabiano Negri

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Dando destaque merecido ao rock/heavy nacional, o Whiplash! foi buscar mais uma banda que "manja" do assunto e que já vem desde 1991 estraçalhando(no bom sentido) a noite e os ouvidos dos amantes do rock. Qualificado a fazer das noites paulistas, noites agitadas com muito rock e diversão, o Rei Lagarto tem conquistado o gosto das pessoas por onde passa. Muito famosos em Campinas e São Paulo, querem mais do que nunca, alcançar projeção nacional e, para isso, o Whiplash! foi, mais uma vez, dar o devido apoio a quem realmente merece. Apresentamos uma entrevista concedida por Yon Berry, Roger Moonward e Fabiano Negri. A rei Lagarto é composta por: Fabiano Negri (vocalista), James Twin Reverb (guitarrista), Roger Moonward (baterista), Yon Berry (baixista), Coré Valente (tecladista).

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Entrevista concedida à André Toral.

Whiplash! / O que a banda pode dizer de Overdrive como sendo debut na história do Rei Lagarto?

Yon Berry / O álbum foi muito importante principalmente para a consolidação da banda. Várias mudanças aconteceram para o Rei Lagarto desde o lançamento do álbum, mudanças que fizeram a banda crescer e amadurecer muito. A nossa penetração no mercado aumentou em quantidade e qualidade; a banda está conseguindo vender mais shows e criar uma base de fãs em algumas cidades onde estamos nos apresentando regularmente. Isto foi importante porque os integrantes da Rei Lagarto puderam passar a encarar a banda enquanto prioridade em suas vidas. Isto acabou gerando outras mudanças, inclusive na formação da banda, que acabou tendo que trocar alguns dos músicos que não estavam conseguindo se adaptar a esta nova realidade. Conseguimos um bom nível de exposição de mídia, não só na região onde estamos atualmente baseados (Campinas, SP), onde a cobertura da mídia escrita e televisiva foi bastante satisfatória, mas também a nível nacional, com coberturas e reviews em revistas como Rock Brigade e MetalHead, entre outras. Conseguimos também agora a cobertura do Whiplash!, que vem se tornando cada vez mais uma referência na web para o rock do país, além de termos colocado a nossa música em algumas rádios FM em Campinas e outras cidades do estado de SP.

Fabiano Negri / "Overdrive" não representa a música atual da banda. Foi bom como experiência, realmente aprendemos o que não se deve fazer da próxima. Sorte que agora podemos contar com músicos mais experientes e de maior qualidade técnica, alem da sensível melhora de equipamentos.

Whiplash! / A produção muito bem definida é marca registrada de Overdrive. Como foi chegar a este estágio logo no primeiro álbum?

Yon / Apesar do Rei Lagarto já ter realizado várias produções de menor porte, como demos e home videos, o que ajudou um pouco, o mais importante mesmo foi termos contado com a presença do Rubens Baldissarini como engenheiro de som. Ele é um engenheiro bastante experiente e que tem sensibilidade e bom gosto musical, além de uma paciência de santo. Ele soube compensar a inexperiência da banda em estúdio através destas qualidades. Por outro lado, como as gravações do CD foram feitas de forma independente, nossos recursos foram bastante escassos, ou seja, não tivemos muita grana para bancar estúdio, aluguel de equipamentos, e tudo o mais. Procuramos compensar isto com dedicação e muito cuidado na hora de gravar, fazendo com que o CD esteja com um padrão de qualidade aceitável, em se considerando as condições em que foi gravado. A gravação do "Overdrive", por outro lado, vai ser uma experiência importantíssima para a produção do nosso segundo CD, que estamos começando a gravar agora no segundo semestre de 1999. A experiência acumulada pela banda com estas produções vai garantir uma qualidade muito melhor para o novo álbum. Além disso, contamos agora com mais recursos financeiros e melhores equipamentos, e também com o fato de que o Rubens Baldissarini terminou por abrir o seu próprio estúdio aqui em Campinas - o Big Note Studio, com equipamentos de última geração e excelentes instalações.

Roger Moonward / Não podemos dizer que tenha sido uma grande produção, pelo menos para os meu padrões. Claro que temos recebidos muitos elogios, mas nossa consciência nos diz que isso é apenas um começo. Esperamos que nosso próximo trabalho tenha repercussão como "Overdrive", pois consideramos tanto as composições e o direcionamento atual muito mais interessantes e profissionais.

Whiplash! / Qual o conteúdo geral das mensagens existentes no álbum?

Yon / As letras do álbum foram desenvolvidas envolvendo muitos aspectos da experiência humana, como misticismo, política, poesia, emoção, atitude. No fundo, cada letra traz a sua história, e é difícil buscar um conteúdo geral para as mensagens. Mais ainda porque as faixas do álbum foram selecionadas dentre uma série de músicas que a banda tinha composto desde que foi formada, em 1991, cobrindo assim quase seis anos de existência do Rei Lagarto. Assim, pode-se dizer que, do mesmo modo que as músicas representam um resumo das diversas fases da banda, também as letras são bastante diversificadas. Apenas como exemplos, "Inner Truth", a faixa que abre o álbum, é baseada no I Ching. "Outsider" foi feita sobre um poema de William Blake. "Prometheus" foi escrita baseando-se em um livro chamado "A Ascensão de Prometheus", de Robert A. Wilson.

Roger / Veja bem, todas as letras são de autoria de Yon Berry, o que centraliza um pouco as mensagens. O clima é um pouco denso e dark, devido as experiências próprias de Yon e a influência do escritor inglês William Blake. A parte instrumental foi também centralizada pelo então guitarrista Dudu Brito, que carregou em suas influências de Heavy Metal. Talvez como mensagem, nosso próximo CD possa dizer mais sobre outros membros da banda, pois terá composições de todos os músicos, assim como os arranjos.

Fabiano / Além da participação de cada um, o próximo trabalho terá também uma parte mais sinfônica, pois nosso novo baterista tem muita experiência messe estilo.

Whiplash! / Qual está sendo a intensidade de shows e recepção por parte do público nacional?

Yon / O Rei Lagarto tem se apresentado com uma freqüência até razoável, em se levando em conta que a banda se recusa a se apresentar de graça. Temos mantido uma média de um a dois shows por semana, em julho foram seis. Já há algum tempo deixamos de fazer os shows ditos de "divulgação", a não ser em casos realmente muito especiais. Não fazemos apresentações sem um cachê mínimo estipulado pela banda, e aceitamos trabalhar por bilheteria somente em raras ocasiões. Nossa posição é a de que, se um promotor de shows não tem a capacidade de levantar o mínimo necessário de dinheiro para oferecer um pagamento decente a quem vai trabalhar para ele, então é bastante provável que o show que ele vai organizar não valha a pena ser feito pelo Rei Lagarto. É claro que existem raras exceções, e a banda é experiente o suficiente para identificar em quem podemos confiar ou não, mas , no geral, não vale a pena arriscar. A aceitação das apresentações pelo público tem sido excelente, principalmente depois que consolidamos a imagem da banda como uma banda de hard rock, um estilo que tem tido uma aceitação bem maior que o heavy metal aqui em nossa região. O público tem comparecido aos shows que fazemos em Campinas em um número cada vez maior, e tem sido extremamente gratificante para todos do Rei Lagarto receber todo este carinho e reconhecimento.

Rogério / Essa é, sem dúvida, a parte que o Rei Lagarto se destaca. Temos feito uma média de dois shows por semana, o que é uma média considerável, tendo em vista o atual mercado nacional. Possuímos, fora nossas composições, um repertório de covers muito acessível e agradável, com novo direcionamento, muito mais setentista e alegre, ao contrário da antiga fase, mais metal e dark. Nosso público tem sido fiel em cada cidade que nos apresentamos, o que nos da uma satisfação maior, um sentimento de dever cumprido, e redobrado ânimo para continuar lutando pelo nosso espaço.

Whiplash! / De acordo com informações recentes, o Rei Lagarto tem deixado um pouco de lado a postura heavy metal para assumir, perante o público, uma colocação mais rock e hard rock. Quando foi que a banda sentiu esta necessidade e de onde veio este consenso?

Yon / Realmente o estilo da banda, no que se refere ás nossas novas composições, está muito mais voltado para o hard rock que para o heavy. Isto surgiu principalmente com as mudanças ocorridas na formação da banda depois das gravações do "Overdrive". Toda banda é, em princípio, a soma das influências de cada um de seus integrantes, e no Rei Lagarto isto também é verdade. Com a entrada na banda do baterista Roger e do guitarrista James, é claro que a postura da banda não seria a mesma que era com os integrantes antigos. Mesmo o vocalista Fabiano, que gravou os vocais de "Overdrive", tem influências mais rock - hard rock. Nos shows, embora nosso repertório de covers cubra uma variedade maior de estilos dentro do rock, incluindo mesmo alguns clássicos do metal como Black Sabbath e Dio, também temos uma linha mais para o hard rock.

Roger / Não foi uma necessidade, e sim uma conseqüência de um amadurecimento natural. Com a entrada do atual guitarrista James Twin Reverb e a minha, as influências hard se acentuaram. Cada um trouxe todas as suas experiências e repertório calcado em nomes como Aerosmith, Bon Jovi, Deep Purple, Kiss, Led Zeppelin e claro, o bom e velho Black Sabbath. Somando isso ao nosso vocalista Fabiano Negri, que teve sua iniciação musical influenciada pelos grandes nomes dos anos setenta, você tem o estilo atual do Rei Lagarto.

Whiplash! / A banda foi revelada pela gravadora PRW/Megahard, que vem se destacando a nível nacional por ter excelentes bandas em seu catálogo. Qual o relacionamento do Rei Lagarto com esta situação?

Yon / somos muito gratos ao Márcio(Moreira) da gravadora PRW/Megahard por acreditar no trabalho. A PRW/Megahard fez um bom trabalho de divulgação e distribuição do CD, e temos uma relação de respeito mútuo. A PRW/Megahard realmente tem se destacado pelo seu excelente catálogo, e já é incontestavelmente mais uma força dentro do disputado mercado do rock.

Whiplash! / Qual foi o resultado da distribuição no exterior? Algum contato interessante?

Yon / Temos feito alguns bons contatos, particularmente na França e Estados Unidos. Infelizmente ainda não temos todas as condições necessárias para realizarmos shows no exterior, mas estamos ampliando a nossa base de contatos e trabalhando para chegar lá.

Whiplash! / A maioria dos músicos do Rei Lagarto participa ou participou de outras bandas com estilos diferentes, inclusive, existe entre vocês, um ator, dançarino e professor de artes circences que é o tecladista Coré Valente. Vocês enxergam toda esta diversidade como sendo responsável pelos excelentes resultados alcançados antes e depois de Overdrive?

Yon / Com certeza toda experiência que um artista traz para dentro de um grupo como o nosso é enriquecedora. Todos os músicos que já participaram do Rei Lagarto deixaram a sua contribuição, porque a banda oferece este espaço a quem faz parte dela. A possibilidade de contar com músicos de diferentes estilos não só enriquece a musicalidade da banda, mas também proporciona a cada um dos integrantes a possibilidade de conviver e compreender diferentes visões de mundo. Nas vezes em que tivemos de repor algum músico que havia saído da banda, sempre procuramos priorizar o lado humano de quem estivesse entrando, e não a sua afiliação a um estilo particular de música . Acho que esta forma de pensar se reflete na música da banda como um todo, e se as pessoas gostam disto, tanto melhor para todos.

Roger / Sermos ecléticos realmente é um dos fatores que marca nossa atual posição. Estamos vivendo um momento que não dizemos "não" a nenhuma idéia que surja, seja ela na área musical ou no que diz a produção dos shows. Estamos sempre abertos a novos conceitos.

Whiplash! / Como o Rei Lagarto encara o cenário nacional atual, e que esforços a banda tem feito para se inserir cada vez mais neste movimento?

Yon / o Brasil é mesmo um país de contrastes, e isto se mostra com muita clareza no cenário musical. Temos, de um lado, uma massa de fãs (e potenciais consumidores) imensa, muitas bandas de rock de excelente qualidade, um país onde existe uma tradição de musicalidade enorme, e uma galera que curte uma festa como não existe em nenhum outro lugar no mundo que eu conheça. De outro lado, temos produtores de rock que, com algumas raras (e excelentes) exceções, são incompetentes, desorganizados, mal informados, e em alguns casos até mesmo mal intencionados. Temos muitas "casas noturnas" que exploram o trabalho das bandas, oferecendo as desculpas mais ridículas (como a clássica "mostrar o trabalho") para poder ter um show de graça, ou por um couvert irrisório. Temos bandas, muitas delas, que se prestam a este papel, tal a escassez de espaços e de profissionais competentes para trabalhar com elas. Sofrem com isto aqueles que querem fazer um trabalho sério, profissional e que tem um mínimo de respeito pelo seu próprio trabalho. Não é segredo para ninguém que tenha pelo menos um dos olhos abertos que, enquanto isto continuar, este vai continuar sendo o país do "breganejo" e da "bunda music". Apesar disto, existem também aqueles que trabalham seriamente e profissionalmente para construir uma base para o rock nacional. São pessoas que fazem o que fazem porque amam o rock e sabem que nas "bases", ou seja, nas bandas pequenas que vão surgindo nas garagens do país, é que está a semente de um movimento poderoso. Não tenho nada contra os megashows de rock- se pudesse não perdia um- , mas me parece claro que, se as bandas iniciantes forem deixadas de lado, não haverá renovação, e, não havendo nada de novo, mais cedo ou mais tarde o rock morre neste país. O Rei Lagarto está se alinhando com pessoas que fazem deste pensamento a sua bandeira, e trabalhando, como eles, seriamente e profissionalmente para fazer parte de um novo cenário musical no Brasil.

Roger / Sinceramente acho atualmente que o heavy metal, infelizmente, acaba destruindo as poucas oportunidades que possam surgir, pois além de ser um estilo muito visado, acaba rotulando todas as bandas de rock, mesmo aquelas que tem um direcionamento diferente, como é nosso caso. O público que se diz fã de heavy metal ainda possui uma mentalidade bastante fechada, o que às vezes o impede de apreciar a boa música em geral, seja ela qual for. E as gravadoras também parecem padecer do mesmo mal, já que as poucas chances são muitas vezes desperdiçadas com bandas de nível duvidoso. Quanto ao nosso esforço, estamos apenas preocupados em sermos sinceros com nossa música, visando a realização pessoal como músicos e compositores. Claro, esperamos ter nosso valor reconhecido, mas nunca usamos nossa música como um meio de obter sucesso, apenas como veículo de nossos sentimentos.

Whiplash! / Analisando friamente, está valendo todo o esforço, até o momento, por parte de toda a banda?

Yon / Sem a menor sombra de dúvida. Passar por cima de todas as dificuldades têm sido o nosso esporte predileto desde que a banda surgiu, e vai continuar sendo por muito tempo ainda. Porque eu não conheço nada mais gratificante do que estar sobre um palco, com os melhores amigos que um cara pode ter no mundo, sentindo a alegria da galera e a energia da música fluindo. É puro nirvana, iluminação, orgasmo total. Os problemas que aparecem viram então meros detalhes que a gente vai resolvendo. A banda tem que estar unida e acreditar que pode construir para si um futuro melhor.

Roger / Muitas vezes nos perguntamos isso, mas nosso amor pelo que fazemos se destaca acima de todos revezes, que claro, não são poucos. Problemas com equipamentos, shows sem infra estrutura aceitável, viagens, tudo se apaga quando entramos no palco e damos os primeiros acordes e nos olhamos. Isso faz qualquer coisa valer.

Whiplash! / O que os fãs e futuros fãs podem esperar em um show do Rei Lagarto, em termos gerais?

Yon / O Rei Lagarto tenta, antes de mais nada, fazer de cada show o melhor show de nossas vidas. O público está lá para se divertir, curtir um show feito com energia, tesão, e qualidade. Nosso papel é dar a eles a oportunidade de ver este show, e de quebra a gente se diverte muito também.

Roger e Fabiano / Muita energia, comunicação, puro rock'n'roll adrenalítico e o que mais o público pedir, afinal eles são a nossa força em cada cidade que passamos.

Whiplash! / Deixem um recado ao Whiplash e para aqueles que já conhecem a banda, bem como as pessoas que passarão a conhecer após esta entrevista.

Yon / Ao pessoal de Whiplash!, parabéns pelo excelente trabalho que vocês vem desenvolvendo junto às bandas. Não é à toa que vocês estão se tornando uma referência dentro do cenário do rock no Brasil, e a recente cobertura que outros meios de comunicação tem feito sobre o Whiplash! é mais do que merecida. Isso só vem demonstrar mais uma vez que aqueles que trabalham com a seriedade e profissionalismo que vocês demonstram, e com amor ao que fazem, só precisam perseverar para um dia terem seu trabalho reconhecido. A todos aqueles que nos acompanharam até agora, obrigado por compartilhar e estar conosco em todos os momentos. Espero que a gente ainda se veja muitas vezes, curtindo adoidado muitas e muitas noites do mais puro rock. A todos os que leram esta entrevista até aqui: vamos curtir, que a vida é curta!

Roger e Fabiano / Muito bacana nos terem dado essa oportunidade de mostrarmos nossa cara, de pau! Esperamos que todos possam ter a oportunidade de conferir nosso show - somos um puta bando de sem noção ! Valeu galera, "du" caralho!




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