Censura no rock nacional: Como era nos anos 70 e 80
Por Daniel Accioly
Postado em 03 de setembro de 2015
Em pleno período de protestos onde volta e meia alguém menciona o retorno da ditadura militar como uma excelente solução, lembrei de como o rock foi tratado nesse período. Apesar de ser um gênero que como poucos sabe mixar irreverência, atitude e extravasamento, não era raro alguma obra ser parcialmente ou completamente vetada em sua versão original, exigindo adaptações ou mesmo a sua não-execução. Os motivos iam desde conteúdos dúbios com mensagens políticas ocultas, palavrões, trocadilhos e conteúdos que feriam a moral e os bons costumes vigentes. Separei alguns exemplos:
1 - Lobão e Os Ronaldos – "Teoria da relatividade"
Gravada em 1984, a música fez parte do LP "Ronaldo Foi Pra Guerra". No entanto, sua execução pública foi vetada. Tudo pelo fato da música contar a história de um triângulo amoroso. O Governo não achou muito salutar o conceito.
2 - Blitz – "Cruel, cruel esquizifrenético blues"
O despojamento da Blitz era algo fresquinho na música brasileira. Além das brincadeiras, alguns trocadilhos chocavam os mais conservadores, como essa canção, que faz marotos trocadilhos com a expressão "peru".
3 – Blitz - "Ela quer morar comigo na lua"
Mais uma vez a Blitz na jogada. Dessa vez, não se tem muita certeza do motivo do veto, apesar de haver a desconfiança de ser pela expressão "Ô ela diz que eu ando bundando". Por conta dos dois vetos, o LP matriz (que já havia sido prensado), teve as faixas riscadas manualmente pela banda. Quem tem essa relíquia tem o disco riscado e provavelmente escangalhou a agulha da vitrola tentando, em vão, ouvir as faixas.
4 – Titãs – "Bichos escrotos"
Apesar de ter sido lançada após o encerramento do período militar, a canção, contida no clássico Cabeça Dinossauro, tinha a palavra "fuder" ocultada nas execuções em rádio. Por mais contestadora que a música fosse, parecia que o povo, mesmo tratando-se do nicho alvo das bandas de rock, não podiam ouvir tal despudor.
5 – Raul Seixas – "Como vovó já dizia (Óculos Escuros)"
Aqui, falamos de um especialista em censura. O maluco beleza, ousado, fazia e depois via no que dava. A canção foi lançada em 1973 e foi a primeira canção dele a incomodar a censura, tendo dois versos considerados subversivos sendo substituídos: "quem não tem papel dá recado pelo muro" e "quem não tem presente se conforma com o futuro" foram trocados por "quem não tem filé come pão com osso duro" e "quem não tem visão bate a cara contra o muro".
A censura com o rock ainda existe?
Apesar de não vivermos mais em regime ditatorial, ainda podemos apontar alguns exemplos de censura. Apesar de expressar a real intenção do autor, palavrões na maior emissora do brasil estão vetados. Você pode encontrar lá bunda, violência e transgressões morais das mais variadas. Mas parece que palavrão é algo que a sociedade tradicional brasileira não tolera. Separei abaixo dois exemplos.
1 – Pitty – "Me adora"
Tendo a emissora a dinâmica de muita interatividade, com letras em tempo real, não rolou de expressar com liberdade a palavra "foda" no programa Esquenta, que pretende atingir uma camada da população que não deve estar acostumada com esses termos.
2 – Charlie Brown Jr. – "Papo reto"
Mais um exemplo onde a obra original precisou ser adaptada. Apesar de passar não fazer o menor sentido, o termo "Filho da puta, viadinho" foi substituído por "Filho da SUA, viadinho". Isso após Chorão jogar pra galera o trecho "intelecto de cu é rola:. Veja e confirme.
Como puderam perceber (espero), fui irônico em diversos trechos. Esses são apenas alguns exemplos. Conhece alguma que não está na lista? Mande nos comentários.
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