Architects: um caminho doloroso após a morte do guitarrista fundador
Resenha - Holy Hell - Architects
Por Marcus Benevides
Postado em 20 de novembro de 2018
Nota: 10 ![]()
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O mais novo trabalho dos ingleses mostra todo o caminho doloroso que a banda viveu após a morte do guitarrista fundador em 2016. A obra expressa com uma honestidade brutal toda a dinâmica de inúmeras emoções e sentimentos que somos obrigados a lidar diante da perda de um ente querido.

"Eu não estava pronto para a ruptura", uma das primeiras frases cantadas por SAM CARTER no single "Hereafter", demarca não só o que já estava claro desde o início sobre o que seria a temática de "Holy Hell", mas também o quão profundo e complexo é abordar o turbilhão de sentimentos confusos e comportamentos que nos acometem após a perda de um ente querido. Afinal, ninguém está preparado para lidar com a morte de um familiar, amigo ou qualquer um que seja importante na vida de cada pessoa. Esse laço que é rompido dá espaço para um vazio sem precedentes, tentar descrever a experiência do luto é uma das coisas mais corajosas e difíceis de se fazer, é a revelação do que há de mais humano em cada indivíduo.
É praticamente impossível falar do oitavo trabalho do ARCHITECTS sem entrar no contexto da morte do guitarrista e fundador da banda, TOM SEARLE. É muito claro que acontece algo muito intenso na história desse grupo entre o intervalo de "All Our Gods Have Abandoned Us" e "Holy Hell", que ignorá-lo é tirar a premissa essencial de cada nota executada no álbum. Todas as batidas eletrônicas envolto a toques de violino e a voz da mulher de SAM em "Death Is Not Defeat" e "A Wasted Hymn", trazem a melancolia e tristeza já esperada, porém, apesar de serem as faixas de abertura e fechamento do disco, está bem longe de ser o clima predominante. O luto é cheio de detalhes e nuances, há momentos muito específicos que você se sente perdido e projeta sua fuga em outros objetos, brilhantemente abordado no single "Royal Beggars" — tanto na letra quanto no clipe da música. Mas também existem os momentos em que o contato com tamanha dor nos faz entender a importância de estarmos vivos e sermos tão fortes e poderosos quanto o riff do refrão de "Mortal After All".
"Luto não é uma jornada sobre sair da merda para o topo", disse o baterista e irmão de TOM, DAN SEARLE, em entrevista para o Independent UK. O músico está mais do que certo sobre isso. É um momento de muitas reflexões e de muitos 'vai e volta', sem hora e nem lugar para acontecer. O dinamismo desse sentimento é demonstrado com enorme honestidade em cada música de Holy Hell. Momentos que cabe a cada um fazer a sua interpretação em seu íntimo, pois não importam o que digam... "it's like a brand new Doomsday".
Trackslit:
1. Death Is Not Defeat
2. Hereafter
3. Mortal After All
4. Holy Hell
5. Damnation
6. Royal Beggars
7. Modern Misery
8. Dying To Heal
9. The Seventh Circle
10. Doomsday
11. A Wasted Hymn
Formação
Sam Carter – vocal
Alex Dean – baixo, teclado
Dan Searle – bateria
Adam Christianson – guitarra
Josh Middleton - guitarra
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