Mark Knopfler: Mais um clássico deste artista inacreditável

Resenha - Tracker - Mark Knopfler

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Por Ricardo Pagliaro Thomaz
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Nota: 10

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Mark Knopfler é um tesouro da música mundial. Quando ele integrava o Dire Straits, era uma fábrica de hits clássicos. Uma de suas mais notáveis características é que ele consegue misturar diversas influências de gêneros e estilos musicais em seu som, que basicamente se concentra em um determinado gênero, mas sempre apresenta relances de outras coisas em volta. Com ideias relativamente simples, ele constrói uma malha sonora adorável e maravilhosa. Assim sempre foi permeada sua carreira solo também, desde que ela começou.

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Em Tracker, o mais novo lançamento do guitarrista, não é diferente. Todas as marcas que fizeram parte de seu estilo único e singular de escrever músicas e interpretá-las estão presentes aqui neste novo álbum de estúdio. É um compromisso do guitarrista, este contrato musical permanente com sua audiência, coisa que o fez ter uma ótima carreira solo após o fim do Dire Straits. E contando sempre com o seu companheiro de longa data, o tecladista Guy Fletcher, Knopfler reúne sua banda para nos entregar mais esta preciosidade musical de sua carreira.

E para comprovar como o guitarrista está ainda em plena forma musical, basta que olhemos para alguns de seus novos hits, como "Laughs and Jokes and Drinks and Smokes", que possui aquela sonoridade folk bastante característica do cara, enquanto que baladas maravilhosas como "Basil", "Mighty Man" e a doce "Silver Eagle", que me faz quase derramar lágrimas, colocam Knopfler como um compositor inacreditável e cronista incrível da música inglesa de raíz. Absolutamente incrível a sensibilidade desse cara para compôr! As baladas do álbum terminam com o lindíssimo dueto de Knopfler com a cantora australiana Ruth Moody, "Wherever I Go".

Este trabalho magnífico de baladas é muito reminiscente do trabalho que o artista fazia com o Dire Straits, em um disco como o Brothers in Arms, por exemplo; só que Knopfler é como vinho, com o passar dos anos acaba ficando melhor do que quando surgiu.

Outros destaques irresistíveis do álbum ficam por conta do ritmadíssimo blues-funk "Broken Bones", da country-folk "Long Cool Girl", ou a melodia e a letra inspiradora de "Lights of Taormina"; e se quiser dançar a um ritmo mais acelerado, tente a country-rock "Beryl", com todas as marcas registradas que o artista sempre trouxe em sua música.

A versão vendida no Brasil tem apenas 11 faixas, mas a versão alemã ainda tem a faixa extra "Hot Dog", que já é um Rock ritmado, mais puxado ao estilão mais pesado e carregado de drive, com passagens de blues muito legais da guitarra de Knopfler.

Eu demorei um pouco para escrever algo sobre este disco, porque é bastante complicado falar da perfeição. As palavras tem que ser bem escolhidas, para fazer jus ao artista e ao trabalho que produz. Desta forma, fica ainda mais difícil quando você ainda tem uma versão Deluxe do CD novo, contendo um segundo disco com mais seis músicas extras.

Aliás, minha dica a você é que não compre a versão brasileira normal do disco, se possível vá atrás da versão Deluxe; perder tanta música nova assim de um talento inigualável como este é inaceitável.

O disco extra abre muito bem, com a totalmente country ".38 Special". Se a música country brasileira fosse só um pouco assim, seria uma maravilha; o mesmo pode-se dizer da ótima e extremamente dançante "Oklahoma Ponies", um grande tesouro musical. Também se destaca o blues "Terminal Of Tribute To" com sua letra reflexiva, e a maravilhosa e inspiradora balada "Time Will End All Sorrow".

Como eu disse no começo, e digo de novo, Mark Knopfler é um tesouro, um imenso tesouro da música mundial. Um tesouro que brilha e espalha seu brilho a cada nota que toca, a cada melodia que escreve, a cada mensagem que passa. Este tesouro inestimável sempre foi, e ainda é, hoje em dia, um grande e absoluto presente para os ouvidos de qualquer pessoa que goste de música de qualidade. Tracker é um disco recomendadíssimo, absolutamente obrigatório e um presente inestimável a nós, que não esperamos nada menos deste imenso talento que é Mark Knopfler. Mais um grande clássico deste artista inacreditável, que vem pelos anos, amansando meus ouvidos com sua música inspiradora.

Tracker (2015)
(Mark Knopfler)

Tracklist:
01. Laughs and Jokes and Drinks and Smokes
02. Basil
03. River Towns
04. Skydiver
05. Mighty Man
06. Broken Bones
07. Long Cool Girl
08. Lights of Taormina
09. Silver Eagle
10. Beryl
11. Wherever I Go (featuring Ruth Moody)
Bonus track da versão alemã:
12. Hot Dog

Disco extra da versão Deluxe:
01. .38 Special
02. My Heart Has Never Changed
03. Terminal of Tribute To
04. Heart of Oak
05. Oklahoma Ponies (tradicional, letras e arranjos por Mark Knopfler)
06. Time Will End All Sorrow

Selo: Mercury, Verve (US)

Banda:
Mark Knopfler - voz, guitarra solo
Guy Fletcher - teclados, back vocal
John McCusker - rabeca, cítola
Mike McGoldrick - apito, flauta de madeira
Glenn Worf - baixo
Ian Thomas - bateria

Participações:
Bruce Molsky - violino, guitarra rítmica, banjo
Phil Cunningham - acordeon
Nigel Hitchcock - saxofone
Tom Walsh - trompete
Ruth Moody - voz

Discografia anterior:
- Privateering (2012)
- Get Lucky (2009)
- Kill to Get Crimson (2007)
- One Take Radio Sessions (2005)
- Shangri-La (2004)
- The Ragpicker's Dream (2002)
- Sailing to Philadelphia (2000)
- Golden Heart (1996)

Site oficial:
http://www.markknopfler.com

Para mais informações sobre música, filmes, HQs, livros, games e um monte de tralhas, acesse também meu blog:
http://acienciadaopiniao.blogspot.com.br




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Sobre Ricardo Pagliaro Thomaz

Roqueiro e apreciador da boa música desde os 9 anos de idade, quando mamãe me dizia para "parar de miar que nem gato" quando tentava cantarolar "Sweet Child O'Mine" ou "Paradise City". Primeiro disco de rock que ganhei: RPM - Rádio Pirata ao Vivo, e por mais que isso possa soar galhofa hoje em dia, escolhi o disco justamente por causa da caveira da capa e sim, hoje me envergonho disso! Sou também grande apreciador do hardão dos anos 70 e de rock progressivo, com algumas incursões na música pop de qualidade. Também aprecio o bom metal, embora minhas raízes roqueiras sejam mais calcadas no blues. Considero Freddie Mercury o cantor supremo que habita o cosmos do universo e não acredito que há a mínima possibilidade de alguém superá-lo um dia, pelo menos até o dia em que o Planeta Terra derreter e virar uma massa cinzenta sem vida.

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