Stress: Obrigatório para todos que dizem gostar de Metal

Resenha - Stress - Stress

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Por Marcos Garcia
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Nota: 10

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


O Metal nacional é uma realidade há muitos anos, sempre firme e forte, apesar de algumas mentes fechadas que teimam em depreciá-lo e lhe negar seu valor. É, infelizmente, ainda existem pessoas assim por aqui, fazendo a coisa ser ainda mais difícil do que realmente o é...
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Voltando ao assunto, tudo na vida tem um início, e o Metal nacional tem o seu, que muitas vezes, desconhecedores de nossa História nem mesmo ousam observar e buscar conhecer, e se iludem achando que o nosso amado estilo começou no eixo RJ-SP-MG. Pode ser que sim, ou que não, mas o fato é que o primeiro disco da história do Metal nacional é de uma banda que hoje anda pouco comentada, quando deveria ser posto nos points metálicos de todo país uma placa com honrarias ao STRESS, banda de Belém, Pará, por ser a primeira banda de Metal brasileira a gravar um CD voltado ao estilo.

Os quatro rapazes da banda já estavam juntos desde 1977, ápice do governo de Ernesto Geisel, tocando covers no início e logo partindo para material próprio, enfrentando o público contra (lembrando que era época de sucesso da Disco Music), mas começaram a chamar a atenção e fazer shows lotados na região onde moravam, então, juntando a coragem e algum dinheiro, viajam para o Rio de Janeiro em 1982 (ano da abertura política no país, durante o governo do último Presidente Militar do país, João Baptista Figueiredo), se hospedam todos juntos em um quarto em uma pensão no Catete, e nos dias 3 e 4 de Agosto do mesmo ano e gravam o disco em apenas 16 horas, em uma mesa de 8 canais, no Estúdio Sonoviso, lutando inclusive contra a falta de ‘know-how’ dos técnicos brasileiros de então, inclusive com alguns dando palpites furados, como não usarem o pedal de distorção, que seria colocado depois, durante a mixagem.

É... Desde aquela época, já existiam picaretas por aí, e isso sem falar que a banda teve que desembolsar uma grana preta (para os padrões da época, lembrando que o Brasil vivia desde aqueles tempos grave crise econômica) para poder transformar o que fora gravado em discos de vinil...

A produção gráfica é extremamente simples, tendo na capa apenas o logo da banda; a parte referente à produção sonora, apesar das dificuldades, não ficou tão ruim quanto se pode pensar à primeira vista, apesar de não ser nenhuma prima-dona no assunto. E esta é justamente a maior dificuldade da época de todas as bandas do Metal nacional que ainda viria.

As composições da banda são muito boas, dignas de menção honrosa, pois haviam rompido completamente com o paradigma vigente de ‘Rock Pauleira’ que existia por aqui (onde as bandas de Rock ainda tinham elemento de sobre da psicodelia dos anos 60), e partiram para um som realmente pesado, vigoroso, direto, mas sem deixar de ser melodioso na medida certa, em uma linha bem PRIEST/PURPLE e um pouquinho do que se via na NWOBHM, sem deixar de ser uma banda bem original.

‘Sodoma e Gomorra’ abre com uma bela introdução de bateria e logo ganha peso e vigor, para então os vocais entrarem com aquele tipo de voz bem característico do Metal Nacional da época, bem como a energética ‘A Chacina’, que segue a mesma linha; ‘2031’ é uma faixa bem pesada e instigante, pois seus andamentos realmente são muito bons, assim como os solos convencem; ‘Oráculo de Judas’ já é mais cadenciada e climática, com um certo ‘Q’ de Hard dos anos 70, mas sem deixar de ser bem pesada; ‘Stressencefalograma’ é outra música bastante empolgante, com os vocais à lá Rob Halford;

‘O Viciado’ é rápida e instigante, que empolga o ouvinte, e se fosse hoje, levaria muitos ao slam dancing incessante, e o mesmo efeito é visto em ‘Mate o Réu’, faixa clássica e bem conhecida nos anos 80; e finalizando com chave de ouro, ‘O Lixo’, uma faixa bem refreada, que ganha um pouco de velocidade no meio, retoma o clima original e acelera perto do finzinho.


Um disco de Metal bem estruturado, e que deveria ser obrigatório para todos que dizem gostar do estilo, pois esta é a raiz de onde surgiu tudo o que conhecemos de cena por aqui, pois a Roosevelt e André, devido ao sucesso na época, pois o STRESS teve uma recepção heróica ao tocarem no Circo Voador em 1983, resolveram se fixar no RJ entre 1985 e 1987, tentando aproveitar o bom momento, o que não aconteceu, e eles retornaram para o Pará.

A banda ainda está na ativa até os dias de hoje, e merece respeito e carinho de todo Headbanger que se preze, pois sem eles, o Metal brasileiro seria bem diferente, se é que existiria...

Em tempo: Pelo que andei lendo pela internet, o STRESS é considerado pioneiro não só no Brasil, mas em toda América Latina, e segue abaixo um vídeo, que vem do DVD de 2005. E parabéns, já que este ano (2012), o LP completa seus 30 anos de vida e de história, ao qual agradecemos por sua importância.

E longa vida ao Metal Nacional!

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Tracklist:

01. Sodoma e Gomorra
02. A Chacina
03. 2031
04. Oráculo do Judas
05. Stressencefalodrama
06. O Viciado
07. Mate o Réu
08. O Lixo

Formação:
Roosevelt ‘Bala’ Cavalcante – Vocais e baixo
André Lopes Chamon – Bateria
Paulo Gui – Guitarras
Leonardo Renda – Teclados

Contatos:
http://www.lastfm.com.br/music/Stress/+wiki
http://www.myspace.com/stressbrasil

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Sobre Marcos Garcia

Marcos Garcia é Mestrando em Geofísica na área de Clima Espacial, Bacharel e Licenciado em Física, professor, escritor e apreciador de todas as subdivisões de Metal, tendo sempre carinho pelas bandas mais jovens e desconhecidas do público, e acredita no Underground como forma de cultura e educação alternativas. Ainda possui seu próprio blog, o Metal Samsara, e encara a vida pela máxima de Buda "esqueça o passado, não pense no futuro, concentre-se apenas no presente".

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