Bad Religion: para desespero dos xiitas, a banda amadureceu

Resenha - Dissent of Man - Bad Religion

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Por Leonardo S. Dias
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Foram três anos de espera desde o último disco de estúdio, “New Maps of Hell”. Além disso, as comemorações dos 30 anos de banda, com lançamento de um disco ao vivo disponibilizado gratuitamente na Internet, shows seguidos na Califórnia e o lançamento de dois livros do vocalista Greg Graffin, deixaram os fãs ainda mais ansiosos pelo novo de inéditas do Bad Religion.
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Talvez por isso mesmo, quando o dito cujo, intitulado “The Dissent of Man”, viu a luz do dia no último 28 de setembro, as primeiras opiniões nos fóruns da Internet foram muitos apaixonadas: ou odiava-se ou amava-se! Sem chance para meio-termo.

Confesso que na minha primeira audição também tive essa reação emotiva e achava que o disco era muito pop, com muita influência do classic rock americano (conforme o próprio guitarrista e compositor Brett Gurewitz avisou em entrevistas) e que não era aquele Bad Religion punk que eu me acostumei com discos clássicos como “No Control” e “Stranger Than Fiction”. E não é mesmo!

Eu mesmo odeio dizer isso, mas, para desespero dos fãs xiitas, o Bad Religion, de fato, amadureceu! Mas esse amadurecimento, contrariando qualquer máxima do mundo do Rock, foi muito benéfico. Agora, além de canções punks ainda mais elaboradas, com letras ainda mais contestadoras e provocativas (confira a de “The Resist Stance”), eles nos brindam com belíssimas músicas de Classic Rock, construídas sob levadas power-pop de quatro acordes e com letras que falam de sentimentos. Epa! Calma aí! Sentimentos?! Sim, sentimentos! Porém sem qualquer pieguice que possa te lembrar aquela modinha sentimental que todos repugnamos e que eu prefiro nem escrever o nome aqui, mas sim com aquela abordagem de músicas já consagradas do repertório da banda, como “Infected”.

“Wow, uma nova ‘Infected’?!” Não! Desculpe, mas acho que essa é a única falha desse “Dissent of Man”: ainda não encontrei aquela música que pode ser chamada de “clássica”, aquela que, quando tocada nos shows, causa aquele frenesi coletivo, como a citada no início da frase.

Mesmo assim, “The Dissent of Man” não é um álbum fraco. Muito pelo contrário. É um dos mais ricos da discografia do BR, devido à variedade de composições. Aliás, nunca se pôde perceber tanto as diferenças de composição entre Greg Graffin e Brett Gurewitz como nesse play. Conhecendo um pouquinho a banda, você sabe exatamente que as músicas com menos acordes, com aquele acento Classic Rock, e com letras menos complexas, porém ainda sim muito inspiradas, são feitas pelo Mr. Brett. Escute “Cyanide”, com solos cheios de slides country, a não tão nova “Won’t Somebody”, o primeiro single “The Devil in Stiches” e a baladinha pop que fecha o disco “I Won’t Say Anything” e você verá o quão “classudo” um punk empresário de gravadora (ele é dono da Epitaph, que lançou o disco) pode ser ao criar músicas agradáveis de ouvir e assobiar. “Turn Your Back On Me” também é destaque e perfeita para relaxar em um sábado à tarde.

Já aquelas mais punks, mais elaboradas, com riffs cortantes e letras com muitas palavras em cada frase cantadas bem rápido são cortesia de Dr. Graffin. Confira o hardcore de abertura “The Day The Earth Stalled” com seus belos coros, a convocação pra guerra de “The Resist Stance”, as tradicionalmente Bad Religion “Pride And The Pallor” e “Meeting of The Minds”, “Ad Hominem” com seu riff que remete a “Watch It Die”, do disco “Recipe For Hate”, e a melhor de todas, “Someone To Believe”, com seu riff ramônico a la “Beat On The Brat” e seus empolgantes coros de “Go! Go! Go!” antes do refrão.

Individualmente, há três destaques no disco. Greg Graffin continua cantando como nunca e, apresenta aqui, um tom ainda mais alto de voz. O batera Brooks Wackerman, pra mim, sempre foi “areia demais” pro caminhão do BR. Ele toca tanto que poderia integrar qualquer banda de Thrash Metal facilmente. Aliás, ele já integra uma, chamada The Innocent. O trabalho dele é sempre destaque, seja ao vivo ou no estúdio. E Brian Baker, guitarrista que era baixista no Minor Threat, além de gravar todas as bases do disco, debulha em solos inspiradíssimos, até com influências de outros estilos (como o já citado country), mostrando que punks também podem tocar muito bem, sim senhor!

Em suma, o Bad Religion comemorou seu trigésimo aniversário com muita classe e estilo com “The Dissent of Man”, o 15º álbum de sua discografia, porém, ainda segue devendo um novo clássico do Punk melódico, como “Recipe For Hate”, “Stranger Than Fiction” e “The Gray Race”, discos que tornaram a banda um ícone do estilo nos anos 90.

Tracklisting:
1) The Day The Earth Stalled (Greg Graffin)
2) Only Rain (Brett Gurewitz)
3) The Resist Stance (Greg Graffin)
4) Won’t Somebody (Brett Gurewitz)
5) The Devil In Stitches (Brett Gurewitz)
6) Pride and the Palor (Greg Graffin)
7) Wrong Way Kids (Brett Gurewitz)
8) Meeting of the Minds (Greg Graffin)
9) Someone To Believe (Greg Graffin)
10) Avalon (Greg Graffin)
11) Cyanide (Brett Gurewitz)
12) Turn Your Back On Me (Brett Gurewitz)
13) Ad Hominem (Greg Graffin)
14) Where The Fun Is (Brett Gurewitz)
15) I Won’t Say Anything (Brett Gurewitz)

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Sobre Leonardo S. Dias

Aficcionado por Rock desde 1995 por causa do “Ballbreaker” do AC-DC, formou-se em Jornalismo com o intuito de trabalhar para revistas de Rock. Enxerga no Whiplash! a oportunidade de fazer o que realmente gosta, priorizando estilos menos divulgados no Brasil, como o Punk e o Hardcore. Toca guitarra em duas bandas de HC, mas seu gosto musical transita do Thrash Metal ao Ska, sendo fã incondicional de Metallica e Bad Religion.

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