Sonata Arctica: hora de menos obviedade e mais criatividade

Resenha - Unia - Sonata Arctica

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Por Thiago El Cid Cardim
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Nota: 4

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


Devo confessar uma coisa: nunca fui muito com a lata dos finlandeses do Sonata Arctica. Como fã de power/speed/metal melódico, muita gente acreditava que a sonoridade deles cairia como uma luva no meu gosto musical. Primal Fear e Kamelot, por exemplo, foram duas bandas das quais fui gostar apenas muitos anos depois. No entanto, o mesmo não aconteceu com o Sonata – que sempre me soou genérico demais, dependente ao extremo de tecladeiras e baterias de pedal duplo em alta velocidade. Quando “Unia” caiu na minha mão, no entanto, me despi de preconceitos e recorri a dois amigos que são fãs de carteirinha do grupo. Passei semanas ouvindo a discografia completa do vocalista Tony Kakko e sua trupe. Finalmente cheguei ao mais recente álbum deles...e, diabos, minha opinião não mudou em nada. Aliás, na verdade, só piorou. Os fãs que me perdoem.
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Vejamos: aos primeiros acordes de “In Black and White”, primeira música de “Unia”, tudo que passou pela minha cabeça foi: já ouvi isso antes. E com um adendo – diabos, como o instrumental ficou ainda mais monótono do que eu me lembrava! A bateria de Tommy Portimo era apenas aquilo, uma batida aqui e outra ali até o fim? E os solos de guitarra de Jani Liimatainen estavam rigorosamente nos lugares da música onde imaginei que fossem entrar? Eu achei que fosse melhorar ao longo da audição. Mas não melhorou. Na seqüência, em “Paid in Full”, a suposta atmosfera onírica – que permeia boa parte do CD, afinal “unia” é a palavra em finlandês para “sonho” – não consegue sequer envolver o ouvinte justamente porque depende mais de uma série de efeitos extra e menos da própria música.

Faixas como “For the Sake of Revenge”, “Caleb”, “My Dream's But a Drop of Fuel for a Nightmare” e “To Create a Warlike Feel” não chegam a ser ruins, mas todas têm uma coisa em comum: arriscam uma faceta quase pop, flertando com o mainstream quase como se estivessem buscando o êxito que o Nightwish obteve com “Nemo” na MTV, por exemplo. E vejamos: nada tenho contra isso! O problema é que o Sonata Arctica acaba se perdendo neste flerte, ficando no meio do caminho e gerando produtos finais que não são nem aquele power metal característico e nem o que alguns críticos arriscam chamar de pop metal. Se parecem com o típico “nada com coisa nenhuma”.

Já que falei no Nightwish, conterrâneos do Sonata, lá pelo meio do disco temos “The Vice”, simpática música que teria tudo para ser um dos pontos altos de “Unia”, não fosse pela insistente sensação de que, na verdade, o dueto masculino-feminino cabe muito melhor para o próprio Nightwish do que para o Sonata. E prometo que vou evitar falar do momento “vergonha terceirizada” que é “The Harvest”, na qual a banda tenta se fazer mais sombria, mais dark, mais agressiva. Mas só acaba se dando mal. Até a baladinha “Under Your Tree”, na qual nem tinha como errar muito, soa vazia, dada a repetição da interpretação de Tony Kakko, que começa a soar forçada demais.

Vejam, vou repetir o que já disse em outros momentos: o Sonata Arctica está anos-luz distante de ser uma banda ruim. Acho Kakko um vocalista acima da média e todo o restante da banda é inegavelmente competente. O que falta aos sujeitos é achar a sua própria cara. Falta encontrar o seu próprio estilo, sem precisar recorrer a fórmulas ou clichês alheios. Ninguém disse que eles precisam ser geniais ou inovadores a cada disco. Nada disso. Mas toda banda precisa encontrar seu espaço. Precisa ser ouvida de maneira que o interlocutor diga “este é o Sonata” e não “este som é uma mistura de Stratovarius com Nightwish”, por exemplo. Já está mais do que na hora de Kakko e seus parceiros romperem com a obviedade e encararem a criatividade de frente. Por mais que acabem perdendo alguns fãs no meio do processo.

Line-Up:
Tony Kakko – Vocal e Teclado
Jani Liimatainen – Guitarra
Marko Paasikoski – Baixo
Tommy Portimo – Bateria
Henrik Klingenberg – Teclado

Tracklist:
1.In Black and White
2 .Paid in Full
3 .For the Sake of Revenge
4 .It Won't Fade
5 .Under Your Tree
6 .Caleb
7 .The Vice
8 .My Dream's But a Drop of Fuel for a Nightmare
9 .The Harvest
10.To Create a Warlike Feel (bonus track)
11 .The Worlds Forgotten, The Words Forbidden
12 .Fly with the Black Swan
13 .Good Enough Is Good Enough (bonus track)

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Sobre Thiago El Cid Cardim

Thiago Cardim é publicitário e jornalista. Nerd convicto, louco por cinema, séries de TV e histórias em quadrinhos. Vegetariano por opção, banger de coração, marvete de carteirinha. É apaixonado por Queen e Blind Guardian. Mas também adora Iron Maiden, Judas Priest, Aerosmith, Kiss, Anthrax, Stratovarius, Edguy, Kamelot, Manowar, Rhapsody, Mötley Crüe, Europe, Scorpions, Sebastian Bach, Michael Kiske, Jeff Scott Soto, System of a Down, The Darkness e mais uma porrada de coisas. Dentre os nacionais, curte Velhas Virgens, Ultraje a Rigor, Camisa de Vênus, Matanza, Sepultura, Tuatha de Danaan, Tubaína, Ira! e Premê. Escreve seus desatinos sobre música, cinema e quadrinhos no www.observatorionerd.com.br e no www.twitter.com/thiagocardim.

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