Resenha - Monotheist - Celtic Frost
Por Ben Ami Scopinho
Postado em 30 de agosto de 2006
Nota: 8 ![]()
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O Celtic Frost liberou três álbuns na década de 80 cuja repercussão - em especial a do clássico "To Mega Therion" (85) - os tornou uma das bandas mais cultuadas no underground deste período, sendo considerado um dos precursores do Death, Black e até mesmo do Gothic Metal. Infelizmente todo este respeito foi perdido pelo fato de a banda inesperadamente ceder ao modismo e investir com tudo no glam metal. O desfecho já é conhecido: sua curta fase hard farofa foi um fiasco e, o pior, seus antigos admiradores os abandonaram. E o Celtic Frost encerrou sua carreira logo depois, no começo dos anos 90...

Mas isso já foi há tempos, a qualidade de seus antigos discos ajudaram a moldar as gerações posteriores e sempre houve certa expectativa em relação a uma volta do grupo. Tom Warrior, o mentor, vocalista e guitarrista do Celtic Frost, se juntou novamente com seu velho companheiro e baixista Martin Eric Ain, além do novo baterista Franco Sesa, e o resultado é este "Monotheist", lançado depois de 18 anos afastados do mercado e tendo como produtores a própria banda e Peter Tagtgren (Dimmu Borgir, Hypocrisy).
Musicalmente? Bom, o Celtic Frost sempre procurou explorar o desenvolvimento da música pesada, e este foi o motivo de seu sucesso no passado. Aqui a sonoridade obviamente está atualizada, mas mantém a faceta obscura e opressiva, fundindo metal extremo, música clássica e eletrônica em faixas bem variadas entre si, além da participação de vários outros músicos.
"Monotheist" começa com grande impacto nas faixas "Progeny" e "Ground", pesadíssimas e com algo de Death Metal, e seguindo esta linha temos ainda "My Domain Of Decay" e "Ain Elhohim". Em contraste a tanto peso, a atmosfera melancólica do gótico impera em "Drown In Ashes" e "Obscured", com a presença de vozes femininas se dividindo com vocalizações masculinas, soando muito bem. E a variação musical continua com momentos de puro Doom Metal, representado por "A Dying God Coming Into Human Flesh".
Mas o grande destaque fica mesmo por conta do desempenho vocal de Tom Warrior, que se sai muito bem mesmo depois de tanto tempo, cantando asperamente ou de forma mais limpa. Entretanto, nem tudo flui de forma tão positiva, pois há alguns momentos em que a audição se torna algo cansativa, como na ambiciosa "Synagoga Satane", com seus quase 14 minutos épicos e de insanidade dramática.
Novo milênio, novas oportunidades... O Celtic Frost retornou com um disco que mantém sua essência artística já conhecida e cujo resultado é realmente fantasmagórico. Muitos dos antigos fãs aprovarão e fica a certeza de que "Monotheist" conseguirá a atenção de muitos que não tiveram contato com a música desta grande banda no passado.
Celtic Frost – Monotheist
(2006 - Century Media / Hellion Records - nacional)
01. Progeny
02. Ground
03. A Dying God Coming Into Human Flesh
04. Drown In Ashes
05. Os Abysmi Vel Daath
06. Obscured
07. My Domain Of Decay
08. Ain Elhohim
09. Incantation Against
10. Synagoga Satane
11. Winter (requiem)
Homepage: www.celticfrost.com
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