Resenha - Warrior Soul - Doro
Por Ricardo Seelig
Postado em 09 de agosto de 2006
Nota: 8 ![]()
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Há um tempo atrás eu e o Thiago Sarkis conversávamos sobre música e buscávamos argumentos para convencer, um ao outro, de que a nossa visão sobre um determinado tema era a correta, e não a do outro.
O assunto era o seguinte: eu argumentava que bandas como Stones, Beatles, Iron Maiden, enfim, estes gigantes que caminham entre nós há décadas, chegaram a este posto única e exclusivamente pelo talento que os fez construir uma carreira diferenciada em relação aos milhares de outros grupos que existiram, existem e ainda existirão.
Já o Thiago dizia que não era bem assim, que o talento era fundamental, que isso não se discutia, mas que haviam outros fatores envolvidos nesta equação, como sorte, estar no lugar certo na hora certa, fazer aquele tipo de som que as pessoas estão querendo ouvir, enfim, centenas de fatores que determinam, no fim das contas, quem se transformará em um dinossauro e quem, apesar da qualidade, sempre ficará relegado ao segundo, terceiro, quarto escalão, e, em alguns casos, até mesmo ao esquecimento.
Exemplos não faltam. Seja por contingências do mercado, seja por má vontade dos fãs ou por birra dos críticos, grupos excelentes como Uriah Heep, Kansas, Blue Murder, Wilco, Anthrax, enfim, uma lista infinita, apesar de lançar ótimos discos ao longo dos anos não conseguiram colocar o seu nome ao lado de bandas que surgiram na mesma época e que transformaram-se em referências em seus estilos, como o Led Zeppelin, o Deep Purple, o Metallica e mais estes todos que vieram agora a sua cabeça.
Rogerio Antonio dos Anjos | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Gustavo Anunciação Lenza | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel |
Dito isso, pego este CD da Doro e coloco no meu player. As músicas são ótimas, não há dúvidas disso. "You´re My Family", "Haunted Heart", "Thunderspell", "My Majesty", "Strangers Yesterday", "Creep Into My Brain" e "Above And Ashes" são composições excelentes, e em vários aspectos muito acima do que está sendo produzido no cenário. Mas esta alemã, que esbanja capacidade e talento, não conseguirá com "Warrior Soul" escrever o seu nome entre os grandes mitos do metal mundial.
Assim como a sua carreira se mantém estável desde a década de oitenta, quando estava à frente do Warlock, com "Warrior Soul" ela não mudará. Doro permanecerá sendo um nome respeitado na cena, com fãs e admiradores em vários países, mas continuará uma mera coadjuvante quando falamos de música pesada.
O que falta? Não é talento, porque ela canta e compõe muito bem. Um algo mais, que a diferencie dos inúmeros grupos que pipocam a cada esquina? Possivelmente. Apesar de fazer um som legal, competente e de qualidade, não há na carreira de Doro aquele momento, aquela faixa, aquele disco que funciona como um fósforo sendo jogado em um galão de gasolina, fazendo o seu nome explodir e ser conhecido em todo o mundo. Doro, infelizmente, não conseguiu compor um "Powerslave", um "Back In Black", uma "Stairway To Heaven", uma "Smoke On The Water", uma "Enter Sandman", e, ao mesmo tempo em que está aí o motivo de ela não passar, como disse acima, de uma coadjuvante, paradoxalmente é por esta mesma razão que milhares de fãs a veneram em todo o mundo, com a tal visão de "descobri uma banda legal, que ninguém conhece, e vou guardar ela só para mim".
Voltando lá para o começo do texto, confesso que, com o passar do tempo, os argumentos do Thiago me fizeram ver que ele estava certo, e que uma carreira, seja ela na música ou em qualquer setor, não depende apenas do talento. Ele é essencial, diferencia os ótimos dos medíocres, mas é preciso muito mais do que isso para se tornar O CARA naquilo que se faz.
Saí um pouco do review, então deixa eu corrigir o rumo aqui. "Warrior Soul" é um álbum bom, agradável e fácil de ouvir. Quem gosta de metal tradicional e power metal vai curtir sem erro. Não vai mudar a sua vida, não vai ser o melhor disco da sua coleção, mas é um CD que não faria feio no acervo de qualquer fã de música pesada. Pode comprar sem erro.
Faixas:
1. You´re My Family
2. Haunted Heart
3. Strangers Yestarday
4. Thunderspell
5. Warrior Soul
6. Heaven I See
7. Creep Into My Brain
8. Above The Ashes
9. My Majesty
10. In Liebe Und Freundschaft
11. Ungebrochen
12. Shine On
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