Resenha - Splinter - Offspring

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Por Maurício Gomes Angelo
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Nota: 9


O Offspring pode não praticar o puríssimo punk rock dos mestres do estilo, dada sua tonalidade pop (leve e agradabilíssima) e certo tino comercial, mas está muito além dos três acordes e de "coisas" como o Blink 182, e sem dúvida nenhuma (permitam-me) está entre as 5 melhores bandas punk da atualidade, posto assegurado desde que "Smash" estourou no mundo todo e ser tornou o álbum independente mais vendido da história com singelas 11 milhões de cópias.

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"Splinter" já começa a impressionar pelo acabamento, a melhor produção gráfica da história da banda e a ótima produção de Brendan O'Brien - que refinou ainda mais o som do grupo e potencializou como nunca as fortes e conhecidas características próprias da banda: backing vocals perfeitos como complemento do ótimo vocal de Dexter Holland, riffs contagiantes, senso melódico único, instrumental trabalhado e energia, muita energia, de preferência em alto astral.

Uma única nota triste permeia o álbum, já que é o primeiro sem o baterista Ron Welty, que resolveu sair antes do início das gravações, dando fim a turma de 4 amigos - todos super graduados - que em 1987 (lembrando que o primeiro núcleo da banda data de 1984, o que pode ser uma surpresa para os mais novatos) lançavam o primeiro single "I'll Be Waiting", e que em 2003 completaram 16 anos juntos. Para o seu lugar foi chamado Josh Freeze (do A Perfect Circle) que cumpriu muito bem o seu trabalho, e a responsabilidade de substituir Ron em definitivo ficou com Atom Willar. O resto do line-up, como todos sabem é composto por Dexter Holland nos vocais, Noodles na guitarra e Greg Kriesel no baixo.

Uma coisa é certa: "Splinter" é o álbum mais trabalhado e de composições mais complexas que a banda já criou, e exala bom gosto por todos os lados, cuidado com os mínimos detalhes e os refrões pegajosos de sempre, o que pode ser conferido logo na excelente introdução Neocon.

A partir daí só temos hinos do punk rock século XXI, honra que cai bem em músicas como The Noose, Long Way Home e Never Gonna Find Me - "a" música meus caros, uma das melhores da história da banda, o Offspring num momento inspiradíssimo, prova viva de que esses caras manjam muito de punk rock e compõe como ninguém para o estilo - o que é comprovado na subseqüente Lightning Rod e não menos em Race Against Myself (lembrando até a sentimental "Gone Away" do álbum Ixnay On The Hombre).

The Worst Hangover Ever, uma homenagem aos bêbados incorrigíveis, é, ao lado de Spare Me The Details, deliciosa de se ouvir, uma com um lado reggae e a outra um "poopy-punk" único, com cara de trilha sonora de surf e perfeita para virar single.

Da Hui é a típica pancadaça punk, de dar inveja a qualquer banda dos anos 80, curiosamente colocada ao lado de When You're In Prison, uma gostosa tiração de sarro "anos 50". Definição melhor que essa só ouvindo para sacar.

O álbum mais balanceado e diversificado da banda, em que souberam dosar perfeitamente todas as influências, timbres, instrumentos e possibilidades relacionadas a sua música, sem nunca se afastar de suas raízes e ainda assim soando bem homogêneo, agradável e memorável.

Eles sempre souberam dosar também as letras, fugindo do batido e panfletário discurso de muitas bandas punk, falando sobre diversão e conflitos adolescentes com muita autoridade e descontração e sempre reservando lugar para temas sérios e feitos de forma inteligente.

Os singles Hit That e (Can't Gey My) Head Around You, que já ganharam seus respectivos e muito bem feitos vídeos clipes são tão bons quanto o resto do álbum, e por estarem constantemente na programação da MTV - graças ao público é claro - é uma ilha de boa música em meio a todo aquele pop meia boca e pseudo hip-hop norte americano.

Se em estúdio esses caras são ótimos, ao vivo então é que a coisa fica melhor, pena que dificilmente vêm ao Brasil.
E pensem comigo: Caras que tiveram a moral e o peito de espancar bonecos em tamanho real dos Backstreet Boys em seus shows merecem ou não o seu respeito?

Brincadeiras à parte, "Splinter" é mais um álbum atemporal e perfeito para qualquer hora do dia, daqueles que não se enjoa nunca, feito por estes safados punk rockers da costa oeste americana.

Credibilidade eles já têm, e produzindo trabalhos dessa qualidade só verão aumentar sua legião de admiradores, independente se o sujeito gosta de metal, rock, reggae, blues, jazz ou seja lá o que for. O Offspring consegue agradar á todos.

Quer um conselho? Compre. E tenha infindáveis horas de diversão ao seu lado.

Formação:
Dexter Holland (Vocal)
Noodles (Guitarra)
Greg K. (Baixo)
Josh Freeze (Bateria - Convidado)

Track List:
01. Neocon
02. The Noose
03. Long Way Home
04. Hit That
05. Race Against Myself
06. (Can't Get My) Head Around You
07. The Worst Hangover Ever
08. Never Gonna Find Me
09. Lightning Rod
10. Spare Me The Details
11. Da Hui
12. When You're in Prison

Site Oficial: www.offspring.com




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Sobre Maurício Gomes Angelo

Jornalista. Escreve sobre cultura pop (e não pop), política, economia, literatura e artigos em várias áreas desde 2003. Fundador da Revista Movin' Up (www.revistamovinup.com) e da revrbr (www.revrbr.com), agência de comunicação digital. Começou a escrever para o Whiplash! em 2004 e passou também pela revista Roadie Crew.

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