Resenha - Soldiers Under Command - Stryper

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Por Maurício Gomes Angelo
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Ano: 1985

É um grande prazer resenhar este álbum, pois há que se abrir um parágrafo na história do white metal para falar dele (assim como de "To Hell With The Devil"). Se "To Hell..." é a obra máxima do Stryper, o disco mais influente do som e da filosofia 777 em todos os tempos, "Soldiers..." tem um lugar guardado no coração dos fãs desta grande banda. A época este álbum fez com que o Stryper definitivamente fosse a banda mais reconhecida, admirada e amada de toda a história do white. Foi também o álbum que catapultou a banda ao posto de mais importante da época, dando impulso a toda sua irretocável trajetória.

Gritos de prazer e inexplicáveis sensações de alegria brotam em você ao ouvir esse álbum. O som que emana deste vinil é uma dessas coisas sobrenaturais. Uma obra-prima em todos os sentidos. Todo o seu conceito musical, as letras (que serão inevitavelmente citadas neste review, oh! sim, as letras), a atitude máxima que uma banda de white pode demonstrar, estão perfeitamente expressas aqui. Cada nota gravada na guitarra por Oz Fox, cada gemido e vibração vocal de Michael Sweet, cada corda tocada no baixo, cada pulsar das baquetas, é inesquecível. Tudo está tão acima da média que você quase não acredita no que está ouvindo (e sentindo). Tudo está perfeitamente encaixado, num entrosamento absurdo. E mais do que isso, este é um disco vivo! Sim, VIVO, extremamente vivo. Ele conversa com você, te absorve completamente para dentro dele, te faz sentí-lo e vivê-lo, uma experiência única e marcante na sua vida.

"Soldiers Under Command", que dá início à obra, começa como uma pequena amostra do que virá. Um dueto de instrumentos, de um lado Oz Fox e sua guitarra, riffs belos e agressivos, cavalgadas magistrais, do outro Robert Sweet e sua bateria, firme, forte e vigorosa. Cada batida parece querer dançar com os riffs e solos de Oz. Completando o time, surge o competentíssimo Tim Gaines no baixo e ele: Michael Sweet, a lenda Michael Sweet, um enviado dos céus para propagar o white metal pela terra, diretamente dos tronos celestiais, filho do altíssimo, um anjo de cabelos longos. Estes quatro homens, estes quatro mitos, os responsáveis pela maior revolução da história da música cristã. "Soldiers Under Command" (a música) me deixa simplesmente sem palavras para descrevê-la. É muito mais do que magnífica e magistral. Ouça você mesmo e comprove. A letra resume tudo o que é, o que foi e o que representa o Stryper:

"Nós somos os soldados sob o comando de Deus
Seguramos esta espada de dois gumes em nossas mãos
Não nos envergonhamos de nos levantar pelo que é certo
Nós vencemos sem pecado, não pelo nosso poder
E nós lutamos contra todo o pecado
E o bom livro - ele diz que nós venceremos"

Calma, não chore ainda. Os sentimentos ainda irão transbordar, este é apenas o primeiro petardo.

"Makes Me Wanna Sing", simples e eficiente, é uma declaração do que faz eles tocarem. "Jesus, Rei, Rei dos Reis, Jesus, me faz querer cantar", grita Michael Sweet. É uma exclamação de agradecimento ao Senhor, acompanhada pelo nosso tão amado Heavy Metal.

"Together Forever", tem espaço para todos, desde os seus coros perfeitos exaltando todo o poder da canção, atuação soberba de Michael, solos magistrais de Fox, e os guardiões dos portais Robert e Tim sempre discretos e eficientes dando o seu show.

"First Love" é uma baladinha clássica e intimista. Aqui o destaque fica todo para a voz de Michael. O show é dele, a noite é calma e tranqüila, e você chora, esperando pelo seu verdadeiro amor, o amor de Cristo, que você jogou fora. Está arrependido por ter vivido a vida do seu jeito. Um dia isto ia acontecer, e Deus está aqui, de braços abertos para te receber. Elementos clássicos, solos potentes e emocionantes. Aqui a emoção transborda. Michael consegue brilhantemente tocar seu coração, penetrar na sua alma. Doce e singelo, passa o seu recado e os mais sensíveis estarão em prantos ao final desta música.

"The Rock Makes Me Roll" não deixa você se afogar em lágrimas. Eu me pergunto: como Oz Fox consegue criar riffs e solos tão potentes e eficientes. Isto é o mais puro metal, o estado mais verdadeiro da arte, numa época em que tudo era feito com amor e dedicação fora do comum. Tudo era verdadeiro. É pesada e convidativa, vigorosa e tocante, uma combinação única de solos históricos, vocais soberbos, bateria precisa e baixo acachapante. Ouça, ouça muitas vezes, até gravar cada som que a compõe.

"Reach Out", é uma composição marcada pela alegria, pela empolgação. Os vocais e coros cantando ao mesmo tempo: "I reached out, You reach out, He'll reach out today!" ficaram perfeitos, marcantes e envolventes. Deram o toque certo para que a música ficasse brilhante.

"(Waiting For) A Love That's Real" começa com o som de um órgão de igreja, bastante climático por sinal, até que Oz Fox desfere sua técnica e feeling singular. Michael fala da diferença do amor mundano e do amor divino: "Eu te amo, eu te quero, Mas isto não mudará o que eu sinto, Eu te amo, eu te quero, Eu não quero amor que não seja verdadeiro, espere pacientemente, porque o amor verdadeiro virá do alto!". Mais uma no hall de composições belas e inesquecíveis.

"Together as One" é de uma profundidade única. Todo destaque para o piano, tocado com maestria. Toda a beleza e suavidade da voz de Sweet está aqui. Sua letra é a mais bela composição de amor de que já tomei conhecimento. Teria que reproduzí-la por inteiro, mas só alguns trechos são o suficiente: "Um amor que preenche nossas almas, Juntos como um, Nós brilharemos claramente por toda a eternidade, Todos os sonhos que nós sonhamos antes, Agora são realidade, Você e eu em um perfeito amor fielmente". Bela e compreensível, tocante e suave. É muito mais do que nossas imaginações podem criar.

Se eu disser que "Surrender" é dona de uma harmonia e beleza únicas você vai querer me bater, mas ainda bem que é verdade. É difícil escolher o melhor refrão deste álbum, mas "Surrender" é um deles. O magnífico coro somado à voz irrepreensível de Michael são dignos do paraíso, e o peso e solos transbordantes de harmonia também estão aqui. Nesta música Oz Fox maltrata, faz com que muita gente que se considera guitarrista por aí fiquem quietos e se esforcem para um dia tocar alguma coisa. Mostra do que se faz um verdadeiro guitar hero. Deus nos presenteou com esta música.

E a próxima é um presente do Stryper para Deus, "The Battle Hymn of The Republic" com seu início épico e medieval. Um hino de batalha, que convoca os soldados de Deus. Em todo o review eu exaltei a atuação de Michael, mas aqui ele se superou. A bateria e guitarra criam o clima perfeito para sua interpretação. Robert Sweet parece estar desferindo tiros contra o reino das trevas. Demônios são afugentados diante desta música. Michael canta com todo o seu coração:

"Glory, Glory Hallelujah!
Glory, Glory Hallelujah
Glory, Glory Hallelujah
His truth is marching on
His truth is marching on"

Isto mesmo: Glória, Glória Aleluia! A verdade Dele está marchando! Não há um jeito de explicar como ficou, é muito melhor e muito mais tocante do que você possa esperar. Fenomenal.

Para terminar, lembro-me de uma citação da bíblia muito interessante:

"Porque as coisas que se vêem são temporais, as que se não vêem são eternas" II Coríntios 4:18.

E assim é o Stryper. Seus quatro integrantes, como todos nós, um dia irão falecer, mas a sua influência, o seu legado, sua importância e acima de tudo sua música, serão eternos.




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Sobre Maurício Gomes Angelo

Jornalista. Escreve sobre cultura pop (e não pop), política, economia, literatura e artigos em várias áreas desde 2003. Fundador da Revista Movin' Up (www.revistamovinup.com) e da revrbr (www.revrbr.com), agência de comunicação digital. Começou a escrever para o Whiplash! em 2004 e passou também pela revista Roadie Crew.

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