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Saco de Ratos: Velhos Bêbados Barrigudos Tocadores de Blues

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Por Rodrigo Contrera
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Este é um texto introdutório na vida e na obra desta banda paulistana, capitaneada pelo Mário Bortolotto, dramaturgo, diretor, escritor e ator de teatro. Resenhas dos três CDs da banda irão posteriormente, aos poucos. Eles estão aprontando o quarto, que espero comprar na hora.

Uma introdução

Tive o privilégio de passar alguns anos de minha vida convivendo com o pessoal do Teatro Cemitério de Automóveis, do Mário Bortolotto. Convivendo quer dizer indo ao bar/teatro, bebendo, assistindo a shows, assistindo a peças, participando de peças e sendo aceito/aguentado naquele lugar, que tem um jeito todo particular e que funciona mais como uma confraria de amigos do que como um lugar em que arte acontece. Mas arte acontece, e parte dela é a banda Saco de Ratos, do Mário, Brum, Wata, Pagotto e Rick (neste primeiro CD). Lembro-me de ir aos shows, lá pelos anos 2012 a 2014, e a ver coisas que para alguns podem ser meio estranhas, mas que fazem parte do ambiente.

Aqui irei falar, não tão brevemente, do primeiro CD da banda, que antes acompanhava indo aos shows e lidando com eles. Mas que agora acompanho ao longe, na medida em que não tenho mais tempo nem tanta disposição para ficar morgando no teatro e no bar, assim como porque mudei um pouco de ambiente. Mas, por incrível que possa parecer, mesmo tendo mudado o meu jeito de ser (ou talvez por causa disso mesmo), consigo agora ver o trabalho com maior limpidez.

O que é o local e o pessoal

Mário Bortolotto, o diretor do teatro e do grupo Cemitério de Automóveis, é um londrinense que fez sua vida com o teatro, com a música, com a sua dramaturgia e com sua direção. Tudo é entremeado na música dele, inclusive. E ele é o principal compositor e vocalista do Saco de Ratos. Tem mais de cinquenta anos, diversos livros publicados e muitas peças dirigidas. Ele está atualmente escrevendo textos sobre sua vida, e uma amiga, casada com outro amigo, está escrevendo sua biografia. Já foi premiado, mas não dá muita bola para isso. De vez em quando é convidado para aparecer em programas e peças, mas só faz aquilo de que gosta, e se orgulha muito disso.

Frequentam o teatro Cemitério de Automóveis desde atores, cenógrafos, diretores, e escritores até gente que não tem nenhuma pretensão naquele tipo de arte. O teatro fica no centro de São Paulo, na rua Frei Caneca 384, e normalmente fica funcionando pela madrugada afora, mas com as portas fechadas. Lá são encenadas peças do Marião assim como de sócios e amigos, além de de vez em quando aparecerem peças e shows intimistas de gente ligada àquele pessoal. Normalmente fica por lá quem é amigo, e amigo bebe, e amigo aceita esse local e o adota para si mesmo, como eu mesmo fiz.

A banda Saco de Ratos tem vários anos, não sei quantos, e tem três CDs lançados, que irei comentar aos poucos. Esta resenha era pra ser a primeira, sobre o primeiro CD, lançado quando eu frequentava aquele local, tendo me separado e querendo me encontrar e entrosar com pessoal que fosse bastante tolerante para o meu jeito de ser. Lembro-me de quando o CD foi lançado, e de alguns shows em que compareci, no Club Noir, outra casa ali perto, ou em outras casas do centro de São Paulo. Os shows são frequentados por gente que chega até uns 100 no máximo, mas que geralmente é lotada por gente que é fanática pela banda.

O estilo de vida

Difícil é estabelecer uma regra naquele lugar e com aquele pessoal. Mas há aspectos que se tornam patentes. Primeiro deles, aquele lugar e o pessoal é regado a bebida. Pois, embora não seja obrigatório se embebedar, a maioria deles se embebeda. Ou bebe bastante. A conexão com a bebida é algo que vem de longa data, na história do Marião, um ex-seminarista cujo pai era caminhoneiro e violento, também regado a bebida, e é uma constante entre seus amigos. Ou amigos de bar. Outro aspecto que ressalta ali é que todos são amigos e se conhecem há longas datas. Ou seja, têm histórias em comum. Muitos do ambiente do teatro ressaltam o caráter misógino do lugar, em que a mulher parece sempre estar em segundo plano, mas eu não concordaria tanto assim. O lugar é um ambiente tipicamente masculino, mas nem por isso é misógino.

O bar e teatro funcionam normalmente a partir das 19h. O próprio Marião passa toda a noite ouvindo músicas que ele próprio escolhe para o ambiente, com base em sua grande experiência como ouvinte e parceiro de letras e histórias com outros compositores. Por outro lado, embora o aspecto dramatúrgico e musical sempre assuma uma importância crucial ali, o aspecto lírico de seus temas, relacionados em geral com relacionamentos, paixões, amores arrasadores, sexo eventual e sexo mais compromissado, etc. também é uma constante. Por outro lado, não há um romantismo fácil ali naquele ambiente. Tudo é bastante duro e tosco, e até mesmo cruel. Não há muita simplicidade naquilo que é dito, além disso, nem naquilo que é compartilhado. O Marião fica num canto, em geral, observando, e tendo uma visão bastante distanciada do ser humano. Como se fosse uma espécie de monge dos bêbados.

Há uma espécie de entronização, no bar e teatro Cemitério de Automóveis (que é como se chama, antes tendo se chamado Chiclete com Banana), da ideia de refúgio de perdedores, ou de falsos vencedores. Isso porque a ideia geral é de uma desolação interior, fruto de desencontros, de ilusões, e de algo que fica claro no pensamento que perpassa a obra do Marião. O amor gira ao redor de tudo, mas não é claro, na maioria do tempo. Para muitos, esse é apenas o lugar de artistas e conhecidos, além de amigos, que possuem paixões em comum (a literatura beat, os quadrinhos, o rock, o blues, o jazz, o teatro, o pessimismo, etc). Para outros, é um lugar em que pessoas bastante dúbias preenchem a noite com bebida, jogando conversa fora. Outros consideram que é um bom lugar para trocar ideias sobre os assuntos já mencionados, e criar amizades, assim como ligações com o ramo artístico. Mas, em termos temáticos, o Marião faz questão de ditar a agenda. Ali, fica quem quiser, de preferência sem mexer com ninguém de caso pensado, e cada um pensa como quiser. Mas ele tem uma espécie de predomínio. Algo que ele não diz que faça questão de manter. Mas com o que todos (ou quase todos) concordam.

A banda

A banda Saco de Ratos tem formação que muda um pouco com o tempo, mas que se sustenta, em grande parte do tempo, no próprio Marião (que ensaia algo com o violão), como compositor e vocal, no Fábio Brum (com guitarra base e solo), com o Marcelo Watanabe (também guitarra), com o Diego Basanelli (o mesmo), e com o Fábio Pagotto (que também é jornalista, no Agora), no baixo. A bateria em geral fica a cargo do Rick Vecchione. Todos são amigos de longa data, e tocam de forma improvisada também por vezes no próprio teatro, em versões acústicas, deles ou de outros composites. O acústico é porque os vizinhos já reclamaram do barulho, e o acerto foi o que se tornou corrente no local. A partir das 22h as portas do bar são fechadas, e entram os amigos, conhecidos ou quem é aceito no local. As noitadas vão longe, normalmente chegando até o raiar do nascer do Sol. Eu mesmo já passei várias noites por ali.

O Marião sempre curte tirando fotos de amigos ou conhecidos que não aguentam a pegada e que acabam dormindo no local. Ele considera publicamente o bar teatro uma espécie de pensão dos derrotados, dos fodidos, daqueles que estão perdidos, embora muitos deles sejam seus amigos ou cheguem perto disso. Não sei bem o que ele pensa disso, mas o costume de dormir no sofá do amor (um sofá onde ocorrem coisas abomináveis, para muitos) é algo que já se tornou lendário. Há quem durma com a ideia de ter um copo de uísque na mão. Há quem passe a noite toda dando em cima de alguma garota inacessível, os outros tirando sarro do coitado. Outros chegam e vão, outros chegam e ficam, muitos ficam a noite toda jogando conversa fora. O Marião não estabelece uma pauta, como é óbvio. Muitos se embebedam até cair. E muitos só vão embora sendo "expulsos" ou literalmente escorraçados do local. A noite termina lá pelas 7h da manhã. Ou quando o Marião quer simplesmente ir embora.

A obra

Tenho ouvido os três CDs atuais da banda ultimamente. Reparo como eles são, para minha surpresa, um rebento tardio (para mim) de uma pegada blues para uma São Paulo alquebrada de que eu precisava há muito tempo. Irei comentar a esse respeito nos textos das resenhas, que irão aos poucos, em função das faixas e do mérito (ou demérito rs) de cada uma delas.


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Sobre Rodrigo Contrera

Rodrigo Contrera, 48 anos, separado, é jornalista, estudioso de política, Filosofia, rock e religião, sendo formado em Jornalismo, Filosofia e com pós (sem defesa de tese) em Ciência Política. Nasceu no Chile, viu o golpe de 1973, começou a gostar realmente de rock e de heavy metal com o Iron Maiden, e hoje tem um gosto bastante eclético e mutante. Gosta mais de ouvir do que de falar, mas escreve muito - para se comunicar. A maioria dos seus textos no Whiplash são convites disfarçados para ler as histórias de outros fãs, assim como para ter acesso a viagens internas nesse universo chamado rock. Gosta muito ainda do Iron Maiden, mas suas preferências são o rock instrumental, o Motörhead, e coisas velhas-novas. Tem autorização do filho do Lemmy para "tocar" uma peça com base em sua autobiografia, e está aos poucos levando o projeto adiante.

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